5
Olivia
O som dos passos no corredor se afastava, deixando-me novamente sozinha. O coração ainda martelava no peito depois da conversa com Evan. Cada encontro com ele era como um jogo de xadrez, mas as peças não estavam todas à vista.
Ele tinha a vantagem de conhecer as regras, enquanto eu apenas tentava sobreviver.
A tensão das palavras dele ecoava em minha mente: “Fugir não é uma opção, Olivia.” Talvez não fosse, mas isso não significava que eu não tentaria.
Passei boa parte da manhã revirando cada canto do quarto. Na terceira gaveta da cômoda, escondida sob um montinho de papéis em branco, encontrei algo que me fez parar: uma pequena chave. Seu formato era simples, mas tinha potencial. Segurei-a na palma da mão, sentindo a esperança crescer.
Se aquela chave pudesse abrir a porta do quarto ou, melhor ainda, uma das saídas do casarão, eu teria uma chance. Mas precisava ser cuidadosa. Qualquer deslize poderia resultar em consequências graves, e Evan não parecia ser o tipo de homem que tolerava desobediência.
Esperei que tudo ficasse em silêncio absoluto, como se estivesse segurando a respiração. O único som vinha da floresta lá fora, o sussurrar das folhas ao vento. Com a chave escondida no bolso, caminhei até a porta do quarto e testei-a discretamente. Nada.
“Claro, seria fácil demais,” pensei, mordendo o lábio.
Tentei outras possibilidades: o armário, a pequena porta que levava ao banheiro. Nada. Finalmente, lembrei-me de uma outra porta que tinha visto no canto mais escuro do quarto. Era discreta, quase imperceptível, e, quando inseri a chave na fechadura, ouvi um clique satisfatório.
A adrenalina disparou. Abri-a lentamente, revelando uma escada estreita que descia em espiral. O coração disparou novamente, mas dessa vez de euforia. Um caminho para fora.
Os degraus de madeira rangiam sob meus pés enquanto descia, cada passo me aproximando da liberdade. A escada terminava em um corredor escuro e apertado. Segui-o, tropeçando em um par de vezes nas irregularidades do piso, até que alcancei uma outra porta. Coloquei a mão na maçaneta, mas antes que pudesse girá-la, ouvi um som que fez meu coração parar: passos.
Congelei, prendendo a respiração. A luz fraca de uma lâmpada tremulava ao longo do corredor, e as sombras oscilavam como se tivessem vida própria. Esperei. Talvez fosse apenas um capanga passando, sem notar minha presença.
Mas então a voz dele ecoou pelo corredor:
— Olivia.
Fechei os olhos por um segundo, amaldiçoando minha sorte. A própria presença de Evan parecia sufocar o espaço. Virei-me lentamente, tentando manter a expressão mais neutra possível. Ele estava parado ali, no final do corredor, os braços cruzados e um olhar que poderia atravessar a alma de qualquer um.
— Fugir não é uma opção, lembra? — ele disse, a voz calma, mas cheia de autoridade.
— E ficar também não é — retruquei, tentando parecer mais confiante do que realmente estava.
Ele caminhou até mim, cada passo ecoando no pequeno espaço. Quando parou, estava tão próximo que pude sentir o calor de sua presença. Evan se inclinou ligeiramente, o suficiente para que suas palavras fossem apenas para mim.
— Não vou machucá-la, Olivia. Mas se tentar isso de novo, não terei escolha a não ser tornar sua vida aqui muito mais… restritiva.
— Você me sequestrou! Não tem direito de me dizer o que fazer.
Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos, como se estivesse lutando contra algo dentro de si.
— Vamos subir. Agora.
De volta ao quarto, ele fechou a porta atrás de si e encostou-se nela, me observando em silêncio. Senti minha raiva crescer, alimentada pelo cansaço e pela frustração.
— Qual é o seu problema? Por que simplesmente não me deixa ir?
— Você acha que isso é fácil para mim? — ele rebateu, a voz subindo ligeiramente. — Não escolhi essa situação, Olivia. Mas você escolheu. Cruzou uma linha que não poderia ser ignorada.
— E o que vai acontecer agora? Vai me matar?
Ele estreitou os olhos, e por um momento, pensei que ele fosse perder o controle. Mas, em vez disso, ele respirou fundo e respondeu com calma.
— A única razão pela qual você está aqui são aquelas fotos, se tivermos garantia que não existem mais, estará livre.
Houve algo em seu tom que me fez pausar. Não era crueldade. Era… algo mais profundo. Cansado. Quase… triste.
— Vou garantir que você possa falar com ele. Assim, pelo menos, saberá que está segura. Mas não abuse da oportunidade.
Eu o encarei, tentando entender o que havia por trás daquela proposta. Era um truque? Ou talvez ele estivesse realmente disposto a me oferecer esse pequeno gesto de humanidade?
— E depois disso? O que acontece comigo?
Ele hesitou antes de responder, e quando o fez, havia algo em seus olhos que parecia quase sincero.
— Depois disso, você escolhe. Mas enquanto estiver aqui, Olivia, tudo será do meu jeito.
E, com isso, ele saiu, me deixando com a promessa de uma ligação ao meu pai e mais perguntas do que respostas. Segurança. Palavras bonitas vindas de um homem que era o maior perigo na minha vida agora. Ou pelo menos assim parecia.
