4/ PARECIA QUE ____
Todos os familiares de Aaron saíram da sala ao ver a jovem entrar novamente e se dirigir a mim enquanto eu controlava os sinais vitais nas máquinas, sentindo como ela puxava meu cabelo até dobrar minha cabeça, aproximando seu rosto do meu
— Não quero que tente nada com meu namorado ou destruirei sua vida, vadia. Espero ter sido bem clara. Sei muito bem que as enfermeiras se jogam em tudo que se move, e quero acreditar que esse não seja o seu caso, porque vou fazer você se arrepender — disse ela, soltando meu cabelo.
— O que há com você, está louca ou o quê? Para que saiba, vou me casar daqui a dois meses, não preciso de um garoto rico e mimado, tenho minha própria vida, o que parece faltar a você. Saia desta sala agora mesmo ou chamarei a segurança — gritei muito irritada.
Rindo, ele saiu, deixando-me um pouco alterada, pois meu coração começou a bater tão forte que parecia que ia sair do meu peito. Perto do meio-dia, minha amiga Alicia entrou na sala trazendo algo para eu comer e uma garrafa grande de água. Sentamos as duas em um canto daquela sala, onde havia documentos, um computador e alguns aparelhos em cima de uma mesa.
— Como estão os sinais vitais do paciente? — perguntou minha amiga.
— Por enquanto, tudo bem. Ele tem uma namorada que se acha uma Miss ou sei lá o quê. Você acredita que ela me ameaçou enquanto me puxava o cabelo? — eu disse rindo para minha amiga.
— Não acredito. Nesse momento, qualquer mulher se afastaria daquilo que está na cama. O rosto dele está horrível e, além disso, ele está todo engessado — ela me disse.
— Não acredite nisso, quando o beijei senti um arrepio por todo o meu corpo, os lábios dele são doces e quentes — respondi
— Ora, Keira, isso foi para reanimá-lo, além disso você está prestes a se casar, não acredito em você — disse ela
— Espere, agora que você está aqui vou ligar para o Lucas, hoje ele tirou folga e acho que está em casa — comentei
Peguei meu celular no bolso do meu roupão e disquei o número do meu noivo, ouvindo o telefone tocar até que uma voz feminina atendeu minha ligação.
“Olá, quem é você? Quero falar com o Lucas”, eu disse.
“Querida, não sei quem você é, mas o Lucas está ocupado agora, não pode falar com ele, gata”, disse aquela voz feminina.
— Quem é você? Lucas não tem irmãs — eu disse
— HAHAHA, mas ele tem boas amigas — ela disse rindo
— Quem é Madi? — ouvi a voz de Lucas ao fundo —
— Nada, querida, uma louca que ligou para o número errado — ela disse, encerrando a ligação
Fiquei olhando para minha amiga com meu telefone na mão, enquanto uma lágrima escorria pelo meu rosto, e Alicia me olhava como se eu tivesse algum inseto estranho no rosto.
— Keira, me diga o que está acontecendo? Por que você está chorando? Me diga alguma coisa, você está me deixando preocupada, o que aconteceu? — ela me disse.
— Lucas me traiu, ele está com uma mulher que diz ser amiga dele — eu comentei.
— Não se preocupe, esta tarde irei à casa dele, vamos lá, esse idiota não vai rir da minha amiga, além disso, ele acha que, como todos os homens, as mulheres são para usar e jogar fora, ele vai me ouvir esta tarde, esse idiota, não se preocupe, Keira — disse minha amiga muito alterada.
— Não o deixe, mas o casamento está cancelado, não vou me casar com um infiel, mesmo que ele queira me dar todas as explicações do mundo, não vou ouvir suas desculpas, bem, é melhor eu continuar trabalhando — eu disse, levantando-nos das cadeiras
Minha amiga saiu da sala, mas eu me sentei na cadeira com meus pensamentos. Como Lucas pôde me enganar depois de cinco anos juntos e prestes a nos casarmos? Era o que eu não parava de me perguntar. Absorta em meus pensamentos, comecei a ouvir o alarme de uma das máquinas e me aproximei para ver o que estava acontecendo. Olhei para os sinais vitais do paciente e percebi que estavam bem. Aproximei-me do corpo do paciente para ver os soro quando senti a carícia de um de seus dedos na minha mão, ficando olhando nos seus olhos para ver se ele acordava, mas não vi nada, o que me fez pensar que tudo era uma ilusão minha.
Já à noite, vi a porta da sala se abrir e meu chefe entrar, dirigindo-se para onde eu estava.
— Boa noite, Keira. Alguma novidade com Aaron? — ele perguntou.
— Nada que nos indique que ele vai acordar, embora ao meio-dia eu tenha achado que ele mexeu os dedos, mas pode ser qualquer reflexo, chefe — eu disse.
— Obrigado por esse favor, Keira. Quero esse rapaz como se fosse meu filho. Espero que ele acorde logo — disse ele, cabisbaixo.
— Eu vi o acidente e Alicia e eu fomos ver como ele estava, mas, na verdade, não parecia ser tão grave quanto está agora — eu disse.
— O pai dele quer que ele se case com aquela garota rica que veio, ela se chama Lucia e precisa se casar com Aaron porque a família dela está quase falida e seria a fortuna desse rapaz que os salvaria, embora Aaron não queira se casar com ela, ele é um rapaz que prefere uma mulher porque a ama e não por interesse dos pais, mas bom, não quero aborrecê-la com essas coisas, vou para casa, se houver alguma mudança, me ligue a qualquer hora e eu repito, Keira, obrigado por esse favor — ele me disse
— Já vou cobrar, chefe — eu disse rindo
— Quando quiser, até amanhã — ele me disse saindo da sala
