3/ CUIDADORA DO CEO
Quando meu chefe me disse que eu tinha que cuidar daquele homem 24 horas por dia, meu mundo desabou, pois minha mãe também precisava de mim e eu não sabia quando a veria novamente. Nunca protestávamos contra o que o chefe nos mandava fazer, pois, se o fizéssemos, poderíamos ser demitidas, e naquele momento não era conveniente contradizê-lo devido ao problema que minha mãe e eu tínhamos em casa.
— Tudo bem, senhor, ficarei com ele, mas me diga uma coisa: há algum motivo para você ter me escolhido? — perguntei.
— Sim, há um motivo, Keira, e é porque confio em você e é uma ordem direta minha — ele respondeu.
— Tudo bem, se me permite, vou trocar de roupa e agora subirei à UTI para ficar com aquele homem — eu disse.
— Lembre-se, Keira, agora Aaron está na UTI, mas quando ele for transferido para o quarto, você também ficará com ele até que ele receba alta do hospital. Ele está com os braços engessados e precisará de ajuda para tudo, embora agora eu o tenha induzido ao coma até que o coágulo em seu cérebro desapareça — ele me disse
Fui ao vestiário trocar de roupa e vestir o uniforme de enfermeira, vendo minha amiga Alicia já trocada de roupa, mas sentada no banco que tínhamos no vestiário.
— O que o presidente lhe disse? — perguntou-me rindo.
— Que vou ver a luz do sol pela janela, tenho que ficar com o CEO até que ele receba alta, Alicia, posso lhe pedir um favor? Preciso que vá à minha casa e diga isso à minha mãe, agora que ela precisa mais do que nunca de mim, não poderei estar com ela — respondi.
— Claro, Keira, pode contar comigo. Além disso, também vou falar com o Lucas e contar a ele. Não quero ficar sem ver você vestida de noiva, depois de passar a tarde toda ontem vendo você experimentar quase todos os vestidos — ela me disse, fazendo-me rir também.
— Você é a melhor amiga, embora para mim você seja como a irmã que nunca tive. Obrigada, Alicia, você sabe que eu te amo — eu disse, abraçando-a.
Saímos dos vestiários e vimos nossa supervisora em frente a nós, olhando muito séria enquanto nos aproximávamos dela.
— Keira, acho que o diretor já lhe disse qual é o seu posto. Alicia, você vai comigo para a sala de cirurgia, eles precisam de ajuda agora, depois da noite agitada que tiveram com o rapaz do acidente de carro — ela nos disse.
Despedi-me da minha amiga e dirigi-me para a zona dos elevadores para subir ao segundo andar, onde ficava a UCI. Quando desci e me aproximei da porta para a abrir, alguém me agarrou pelo braço, impedindo-me de agir.
— Moça, por favor, preciso ver meu filho, o rapaz que sofreu o acidente de carro ontem à noite. Você poderia me deixar passar com você? — me disse a senhora idosa que vi quando entrei no hospital chorando.
— Senhora, me dê um momento e agora eu lhe direi se você pode entrar para vê-lo, está bem? — eu disse, acariciando sua mão.
Entrei na sala e fiquei completamente paralisada ao ver aquele homem, pois ele tinha os braços engessados, tubos por todo o corpo, o rosto quase roxo, ou seja, nada parecido com o que minha amiga e eu vimos quando o tiramos daquele carro. Imediatamente peguei meu celular e liguei para meu chefe, pois precisava da permissão dele para deixar a mãe passar.
— O que foi, Keira? Alguma novidade? — ele perguntou
— Não, senhor, só que a mãe do Sr. Sullivan me pediu para deixá-la ver o filho e, pelo estado do paciente, não acho bom que ela entre e o veja — eu disse
— Não se preocupe, agora vou subir e falar com ela, mas, a propósito, Keira, qualquer mudança que esse rapaz tiver, boa ou ruim, me ligue imediatamente — ele me disse
Aproximei-me de onde estavam os aparelhos que aquele homem tinha conectados para ver os sinais vitais quando comecei a ouvir gritos e uma mulher chorando inconsolavelmente Prestei atenção ao meu chefe dizendo para esperarem, mas os gritos ficavam cada vez mais altos. De repente, a porta se abriu e quatro ou cinco pessoas entraram na sala, jogando a mulher em cima do corpo do filho, como se já o considerassem morto. Observei a expressão do meu chefe, que me olhava consternado com a cena.
— Meu filho, não! Por favor, Aaron, acorda, sou a mamãe — dizia a mulher, sem parar de chorar, fazendo com que eu sentisse um nó na garganta ao lembrar da minha mãe.
— Por favor, saiam daqui. Ele está muito bem cuidado e, além disso, a enfermeira ficará com ele 24 horas por dia para vigiá-lo. Vocês verão como ele vai se recuperar. Aaron é jovem e forte, confiem em mim — dizia meu chefe.
— Moça, sou o pai do Aaron, o CEO Wilson Sullivan. Pegue meu cartão e, se houver alguma mudança no meu filho, por favor, me ligue, mesmo que seja tarde da noite — disse o homem, me dando um cartão
— Não se preocupe, senhor, assim farei — eu disse
— Mas não se aproxime muito do meu namorado e cubra os seios, a menos que queira que seja a primeira coisa que ele veja quando acordar — disse a jovem, deixando-me sem saber o que responder
—- Senhora, desculpe, mas estou aqui para cuidar dele, não para ________
— Keira, agradecemos o esforço que você vai fazer pelo Aaron. Bem, Wilson, já é hora de vocês deixarem a sala em paz — disse meu chefe, pois sabia a resposta que eu daria àquela namorada mimada.
— Moça, por favor, cuide dele, ele é meu filho e não sei o que faria se algo ruim acontecesse com ele — disse a mãe, segurando minhas mãos.
— Não se preocupe, senhora, estarei de olho e qualquer mudança, boa ou ruim, eu ligarei para você. Agora vá em paz, você vê que não há nada que possam fazer aqui — eu disse à mulher, tentando consolá-la.
