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Capítulo 8

Aí está a questão fatídica. Aquela que tanto temia e da qual fugi como se o próprio diabo tivesse acabado de me convidar.

O que você dirá a ele, Rob? Você vai aceitar ou deixá-lo de pé?

Estremeci.

-Impaciente. “Rob é meu esta noite”, disse uma voz atrás de nós que imediatamente me deixou rígida. Lattner estendeu a mão e colocou um braço sobre minha cabeça, quase me usando como apoio de braço pessoal. -Ele me prometeu um jantar galante e um filme. Certo, Roberto?

Meus olhos se arregalaram e olhei para Nate, que me olhou confuso. Esta reunião a três foi um evento absolutamente não programado. Eu não tinha planejado encontrá-los novamente e esperava que Nate não estragasse meu disfarce. -Aqui... sim, é isso... mais ou menos. Você sabe, você sabe... para nos conhecermos melhor. Coisas entre colegas de quarto, certo? -

"O claro." Nate mordeu o lábio, quase prestes a me fazer outra pergunta, mas foi interrompido pela raiz.

-No entanto, você foi gentil em convidá-lo. Robert me parece um cara que não tem muitos amigos... Acho bom ter um homem grande e adulto como você como mentor.” O sorriso de Lattner era gelado e ameaçador. Foi aquele tipo de sorriso que envolve a boca mas não os olhos, o que faz compreender perfeitamente que a resposta dada teria tido muito impacto no resto da conversa. Por um momento isso me fez tremer. Fazia dias que eu não o via fazer um assim, tão distante e claro, que normalmente ele só os dispensava dentro dos muros do Missan. -Porque você é como um mentor para ele... certo?- Não foi uma pergunta, foi quase uma admissão forçada, principalmente pela intensidade do olhar com que ele não parecia se deixar levar. ir.

Lattner, às vezes, tinha esse jeito peculiar de agir que erradicava completamente o ar educado e gentil com que costumava abordar as pessoas, substituindo-o por algo mais amargo e perigoso. Ele poderia intimidar com apenas um olhar.

Ele não era como Sullivan. Não era o tamanho ou o físico que deixava o outro lado desconfortável, mas aquela sensação de domínio. Era um pouco como ver um lobo diante de sua presa: ele sabia perfeitamente que tinha vantagem e não a escondia.

Nate engoliu em seco, deu alguns passos para trás e beliscou a camisa. Se um momento antes era eu quem estava incomodado, agora passaram a bola para ele e ele não parecia estar muito bem. Nunca pensei que Lattner pudesse intimidá-lo tanto. Pelo menos não apenas com um olhar. -Ce – claro. Como um mentor.-

"Bom", Lattner sussurrou, removendo o braço da minha cabeça. Ele estendeu a mão e esfregou meu rosto para me desorientar e, agarrando-me pela nuca, empurrou-me para o lado oposto da loja. "Até mais... hum, como você disse que era seu nome?"

"Nate", meu colega murmurou, visivelmente irritado. Bem, eu também estava visivelmente chateado.

Este tipo de reunião deveria ser ilegal.

-Sim, bem... o que é. Até mais, Nick.-

“Nate!” o outro especificou, olhando para mim assustado na esperança de que eu interviesse em sua defesa. Pena que não estava preparado para a estranha reação de Lattner.

Sem mais palavras, Lattner ergueu a mão em saudação e fui levado embora, deixando meu colega imóvel no centro do corredor de produtos. Ele continuou nos seguindo com os olhos bem abertos e como se tivesse acabado de ver um alienígena.

Talvez ele possa recuperar a sanidade no próximo turno em que trabalharmos juntos.

Quando estávamos longe o suficiente, libertei-me do aperto de Lattner dando-lhe uma cotovelada na lateral do corpo. Tive que me conter para não gritar com ele, correndo o risco de atrair os olhares de todos os clientes da loja de conveniência. Senti o sangue ferver nas veias porque estava furioso. “O que diabos você está fazendo, hein?” Eu sibilei com os dentes cerrados, cerrando os punhos e tremendo com o desejo de desabafar toda aquela quantidade de frustração nele.

"Eu vou te salvar", ele respondeu, cantarolando baixinho com os lábios fechados enquanto escolhia o que comprar entre Nutella e biscoitos sem sal. Nutella venceu, é claro. -Você viu aquele cara?-

Bem, trabalhe comigo. Eu diria que sim.-

Lattner se virou com um sorriso, colocou as mãos nos quadris e me olhou de cima a baixo. -Na realidade? Então você também deve ter entendido que ele quer dormir com você, certo?

Quase desmaiei no meio da pista. Cambaleei em busca de ar e o único apoio era o próprio Lattner, a quem me agarrei com uma pitada de vergonha, tentando não cair a seus pés. -Você acha que tem coisas para te contar?- gritei, roxo.

Alguns clientes no mesmo corredor que nós se viraram para nos olhar com curiosidade. Estávamos fazendo um show, droga!

Eu sabia que Nate queria namorar comigo por interesses muito além do trabalho, mas não achei que seria tão óbvio para outro homem o que eu esperava obter com esses encontros. E honestamente, eu também desejei que Nate não estivesse certo depois disso. Isso teria sido decepcionante.

-É verdade... que Nate quer ir além de suas linhas, Rob.-

Dei outro soco nele, do qual ele se esquivou habilmente, agarrando-me pelo pulso e me arrastando para frente dele, na frente de uma longa fileira de salgadinhos. -Vamos, vamos... escolha um par.-

Está louco! Ele é bipolar!

Ele é um pobre psicopata que acabou de sair de um centro de saúde mental!

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