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"Ah, oi!" Falo introvertida. Vamos lá Olívia, você nunca foi tímida.
"O que faz sozinha aqui?" Indaga franzindo o cenho.
"Eu estava voltando da maternidade, fui visitar Eloíse e meu carro acabou a gasolina." Explico sem precisar aumentar o tom de voz já que Agnelo já se encontra de pé na minha frente.
"A que distância?" Ele pergunta olhando em volta.
"Aqui pertinho." Minto com o coração acelerado dentro do peito, estou morrendo de medo que ele consiga ouvir. "Escuta... Eu tenho que ir, meu dia já foi complicado demais por hoje. Me desculpe." Digo virando-me, não suporto estar assim tão perto, faz tempo, mas eu sinto algo que não posso fingir estando tão próxima.
"É muito perigoso você sozinha por essas ruas desertas, você já viu que horas são?" Ele pergunta com tom de voz firme.
"Sim, mas eu não tenho culpa que o meu carro resolveu acabar a gasolina no meio da noite e em uma avenida deserta!" Me defendo. Na verdade a culpa foi sim minha, eu esqueci de abastecer no caminho de ida.
"Porque não abasteceu antes? Não sabe que essa região é perigosa? Me dá esse galão, deve estar pesado." Ordena com a voz dura.
"Não, eu não sei pelo simples fato de nunca ter ficado parada aqui, e não precisa, deixa que eu levo, é aqui perto e estou com pressa." Falo estressada.
Quem Agnelo pensa que é para aparecer depois de quatro meses, do nada e querer me ajudar assim? E ainda por cima querer dar-me lições.
"Para de ser teimosa! Vou levar para você sim e ponto final, onde está o carro?" Pergunta mais uma vez tomando o galão das minhas mãos, confesso sinto um grande alívio pois estava pesado sim.
"Só não discuto com você agora porquê estou cansada demais para isso. Já que quer me ajudar, então vamos e se prepare para andar porquê o carro não está perto como eu disse." Revelo sem me importar com nada, sinto meu corpo tão cansado que só desejo dormir.
"Então espera aqui, vou terminar de abastecer meu carro e então vamos até lá." Sem esperar resposta da minha parte, o homem forte a minha frente vira-se e atravessa a rua correndo.
Fico aqui em pé, de repente sentindo mais frio do que antes, por onde será que esse homem andou durante os quatro meses em que nem notícias dele eu ouvi? A única coisa que sei agora, é que ele mexeu comigo, não era para ser assim, mas senti algo diferente assim que eu coloquei meus olhos no carro dele entrando naquele posto, mas para minha derrota, ele parece nem se lembrar da nossa transa. Na realidade, acho que ele só lembrou de mim como amiga da esposa do amigo dele.
Assusto-me com a buzina do carro dele trazendo-me de volta.
"Entra!" Ordenou. Revirei meus olhos e entrei de cara amarrada dentro do carro.
Oh não, veio a tona tudo o que aconteceu aqui dentro, para mim aquele dia será inesquecível, não me importo se ele não se lembra mais, eu me lembro pois foi bom para mim e eu quem procurou aquilo. Sinto de repente meu corpo ficar quente, totalmente diferente do frio que faz lá fora, isso somente por lembrar do dia em que ele me pegou aqui.
"Você pode ligar o ar?" Pergunto inquieta no banco, eu estou sentada no banco do carona, exatamente onde aconteceu.
"Para quê, se está frio?" Indaga e dá partida no carro.
"Eu estou com calor, liga aí por favor?" Peço em tom irônico.
"Certo então." Responde e liga o ar, sinto-me um tanto melhor, mas não totalmente. "Você se lembra da última vez que esteve dentro desse carro?" Engasgo com minha própria saliva.
Merda, ele se lembra!
