capítulo 6
“Coitados devem ter se borrado todinhos.” Pensou rindo internamente de si mesmo.
Mas não aguentou e caiu na gargalhada, mas não era uma simples gargalhada, era uma bem espalhafatosa, agora as pessoas teriam o que ter medo dele.
Assim que ele chega na praça em frente ao prédio em que mora, para alguns minutos para observar todos que nela estão, vê casais com seus filhos se divertindo no fim de tarde, crianças brincando de pega-pega, pique es-conde, queimada e futebol, ele abre um sorriso bobo me lembrando de quando tinha a idade deles e era feliz, não que não seja agora, contudo não tinha tantas preocupa-ções, não tinha que enfrentar o mundo.
Continua ali observando o movimento, passeia seu olhar pela praça parando quando vê um homem sentado em um dos bancos de concreto onde geralmente os jovens ficam a dar uns amassos, não sei o porquê ele chama sua atenção, mas ele não consegue tirar seus olhos dele.
Percebe que o homem era bonito, tinha a pele clara, um pouco suja, seus olhos Alan não conseguia distinguir de que cor eram, sua roupa estava suja, para falar a ver-dade estava imundo, parecia que ele tinha dormido em fuligem, seus cabelos cacheados caiam nos olhos, sua bar-ba de dias aparentava um descuido, mas normal para quem morava nas ruas.
Vestia uma camisa social preta, não conseguia iden-tificar de qual marca era, mas pode perceber que se trata-va de uma camisa de grife, o que não se encaixava em na-da com o estado em que se encontrava me fazendo surgir mais dúvidas que gostaria.
“Como não roubaram ainda a camisa?” Pensou ao descer meu olhar vendo que usava uma calça jeans azul escura e um tênis All-Star, se forçou a não atravessar a praça e não ir até o homem que tanto lhe chamara a aten-ção.
Não conseguia parar de pensar em um trilhão de possibilidades de como aquele homem não fora depenado, a única possível que conseguiu pensar é que ele provavel-mente não é flor que se cheire. Só de pensar isso chega a se arrepiar de medo.
Ele estava tão distraído que não percebeu alguém se aproximar dele, assim levando um susto ao sentir algu-ma coisa gelada no meio das minhas costas, assim que iria gritar o ouviu a pessoa atras de si falar próximo a seu ou-vido.
− Se chamar a atenção de alguém te mato − Ao ou-vir engoliu o grito que queria sair pela por seus lábios, agora sim tremia feito vara verde.
− Aonde está me levando? − Perguntou com um fio de voz mas com o silêncio do bandido contínuo.
− Se é dinheiro que quer já vou falando que não tenho − Afirmou em um lampejo de coragem.
− Cala a boca infeliz − Ele diz apertando a arma em minhas costas.
Naquele momento Alan teve a certeza que não sai-ria vivo dali, não ousou falar mais nada, pois se falasse mais um a que fosse o desgraçado o mataria sem nem pen-sar duas vezes, seu coração não batia mais, o que fez com que ficasse pálido, as gotas de suor desciam por sua testa, o que demonstrava o quanto estava apreensivo e com me-do da situação em que se encontrava.
Percebeu que no meio daquela agonia, ele e o ban-dido que o rendia haviam chegado no meio da praça o que deixara Alan com um misto de sentimentos que não conse-gui identificar, só então se lembrou que o dito cujo do ho-mem em que tanto estava vidrado estava quase no meio da bendita praça.
Respirou aliviado, se é que podia estar assim, mes-mo que não acreditem ele sentiu tal sentimento, não o ho-mem que o sequestrava ainda estava com a arma aponta-da no meio das suas costas, caso me perguntem.
Conseguia sentir certa segurança mesmo não es-tando cem por cento, queria gritar e espernear, implorar por socorro, será que nem uma bendita alma sequer per-cebe que algo está errado com ele.
“Deus! Será que ninguém perceberá que tem a porra de um sequestro acontecendo na fuça dessa gente hipócri-ta!” Pensou desesperado.
As lágrimas que ele não queria que descessem co-meçam a descer sem controle algum, o desespero enfim se apossa de seu ser, não conseguia mais saber onde estava, o choque de haver a possibilidade de não sair vivo disso o desesperava.
Alan tinha uma mera noção de onde estavam, se as lágrimas o deixasse ver por entre elas, que já estamos qua-se no fim da praça, o que gerava nele um sentimento de desespero, realmente ninguém daquela porra de praça percebera, junto a esse sentimento surgira uma sensação de impotência por sua parte, se não tivesse tão distraído teria percebido que esse ser asqueroso se aproximava dele.
− Quem é que te mandou aqui? – Ele indaga mes-mo sabendo que não haveria uma resposta.
− Cale a porra da boca! Se falar mais alguma coisa vou te matar – O sujeito sussurra no seu ouvido fazendo com que Alan estremecesse de pavor.
Naquele momento teve a certeza de que não sairia dali vivo.
