CAPÍTULO 9
ENCARO MEU REFLEXO NO ESPELHO, A silhueta marcada pelo vestido preto, apertado, que vai até acima dos joelhos, e os seios marcados pelo generoso decote. Meus cabelos platinados estão ondulados e volumosos indo até abaixo de meus seios, meu lábios cobertos pelo batom vermelho.
Saio do quarto e paro no primeiro degrau da escada, meio intimidada pela roupa exibicionista.
- Vamos, Alissa. - A voz de Death ecoa lá debaixo - desce.
- tem certeza? - pergunto, exitante.
- Claro, - Desta vez é Miguel. - desce logo vamos nos atrasar.
- Se é assim, pode ficar aí mesmo. - A voz de Eric se faz presente.
- Vamos, Alissa - Death insiste e eu assinto, mesmo que ela não possa ver.
Desço os degraus tentando não tropeçar em meus próprios pés pela vergonha e nervosismo. Paro no último degrau e encaro todos, os ombros comprimidos e os lábios franzidos, relaxo os mesmos e sorrio.
- O que acharam?.
- Troca. - ordena Eric, o olho descente e raivosa. Não é como se ele tivesse esse direito, não temos nada e mesmo que tivéssemos, ele não pode agir de tal maneira comigo, muito menos depois de tudo que fez.
- Está linda. - Death elogia, estendo a mão para mim, vou até a mesma e pego em sua mão, sorrio satisfeita pela aprovação de todos, exceto Eric.
-Obrigada.
- Não vai sair assim. - fala entredentes, sua expressão dura e os olhos sombrios e escurecidos.
- Esse é ponto eletrônico, a gente vai fala com você por ele. - explica enquanto Miguel põe em minha orelha. - esses brincos são especiais, ele é um microfone. vamos ouvir a conversa de vocês por ele. - Miguel coloca os brincos de pérolas em minhas orelhas. - esse colar é uma câmera, por ele vamos ver o jantar.
- Certo. - faço que sim. Torço mentalmente para que tudo corra bem, não quero correr riscos com o russo.
- vá trocar a roupa... - Eric insiste. Me viro para ele e balanço a cabeça em negativo, o deixando ainda mais furioso. Miguel ri da cara do amigo.
- E para fechar com chave de ouro, essa bolsa Também é uma câmera, você vai colocá-la na cadeira e vamos poder ver quem está em sua volta. - Pego a bolsa preta de sua mão.
- Bom, o que eu tenho exatamente que descobrir?
- O que ele está fazendo aqui. - explica Miguel.
- Como conhece Gentili. - Acrescenta Death.
- E qual sua relação com os Russel. - Eric finaliza as recomendações dos dois e eu assinto
- Certo, talvez seja difícil fazer com que ele me conte tudo isso, mas darei um jeito. - Peço mentalmente para que tudo corra bem, pois, se ele realmente estiver do lado oposto e me descobrir, dificilmente sairei viva desta.
-Vamos auxiliá-la. - Death se levanta do sofá e sorri para mim, como se dissesse que tudo irá correr bem.
- Vamos. - Miguel abre a porta do meu apartamento e os dois saem na frente.
-Tudo bem - Assinto. Eric se põe atrás de mim, sinta minhas costas encostadas em seu abdômen e suspiro fundo, constantemente, sonho seu cheiro.
-Pense muito bem no que irá fazer, se ele a tocar, as coisas vão acabar péssimas para vocês. - sua voz rouca sussura em meu ouvido, fazendo com que eu feche os olhos e me arrepie por completo. Ele sai de trás de mim e o encaro, ele sorri pérfido ao pegar sua arma.
1-Ci penserò davvero (vou realmente pensar)
Todos nós adentramos o elevador. Os números do painel mudam de maneira decrescente, todos em silêncio, Eric com seu olhar sobre mim.
Paramos na calçada, o táxi estacionado e um pouco atrás, o carro de Miguel.
- Pague o táxi Eric. - Death avisa - não a ameace.
- cuida da sua vida, noivinha. - cemicerra os olhos.
- Vai logo, Eric. - Os dois saem indo em direção ao carro, me deixando só com Eric em meio a calçada. Nossos olhares presos um no outros, ele me olha como se só pensasse em uma coisa, e eu sei qual é.
-Lembre-se do que eu disse, Barbie, nada de toques. - Ele bate levemente a mão no capo do carro e paga o taxista sem olhar para o mesmo.
- Vai vir ou vai ficar? - Miguel o chama, Eric anda em direção do carro e posso ouvir o que ele diz ao longe.
-E deixa-lá sozinha com o rato russo?.
O caminho até o restaurante é feito em silencio, o taxista não diz nada e eu fico grata por isso, não estou em um bom momento para conversas.
Ele para em frente ao restaurante, por fora se vê o quão luxuoso o mesmo é, as portas de vidro mostram a recepção. Saio do táxi, ao pôr o pé para fora, sinto o frio me atingir, já que o vestido não cobre muita coisa.
Passo pelas portas duplas de vidro e caminho até uma o balcão. Há uma mulher com os cabelos pretos que vão até os seios, totalmente lisos, batom vermelho sangue nos lábios e uma maquiagem mais que bem feita, ela sorri simpática e ei retribuo.
-Boa noite, como posso ajudá-la? - Ela questiona, eficiente.
-Eu tenho uma reserva marcada para esse horário, em nome de Alec Ivanov.
-Ah, claro. Siga-me - Ela sai de trás do balcão e eu acompanho por dentro as mesas, nossos saltos ressoando pelo piso de madeira. a decoração é em estilo vitoriano, com detalhes vermelhos e dourados.
Subimos para o segundo andar do restaurante, que suponho que seja privado, subindo a escada larga de maneira com corrimão dourado, que suponho ser folhado de ouro e um grande tapete vermelho que segue por todo o caminho.
Paramos, ela me indica a mesa reservada, neste parte do restaurante há poucas pessoas em mesas distantes, a área é realmente privada.
-cheguei na mesa reservada, ele já está ali. - Falo no ponto para que eles ouçam.
-Sorria e seja simpática. - Death recomenda.
- Certo - vou em direção ao homem sentado à mesa, que se levanta para me cumprimentar. - Olá - sorrio gentil.
- Senhorita Vicentini - Ele me avalia um braço de distância e sorri em aprovação.
-ele com certeza transar com ela. - arregalo os olhos ao ouvir o que Death diz ao menos pelo ponto. Se isso é que ivanov quer comigo, eu não poderei satisfazer sua vontade.
Ele puxa a cadeira para que que me sente e assim o faço, ficando frente a frente. fazemos os pedidos rapidamente e nos encaramos.
- Como vão as coisas senhor, Ivanov? - puxo conversa.
- Me cheme apenas de Alec, e estão bem, meu tempo na Sicília vem sendo muito agradavel. - Seu olhar continua avaliativo sobre mim, e o meu, mesmo que de maneira mais desfarçada, é o mesmo.
- Bons negócios? Já que esta aqui pela empresa... - Me faço de desentendida e encaro o cardápio.
Meus negócios e investimentos vêm sendo bastante satisfatórios - Não acredito quando ouço suas palavras no duplo sentido.
- Não vá direto ao ponto, mude de assunto. Pergunte se ele é solteiro.
- Ah, que ótimo - Sorrio fingindo não dar muita importância a informação primordial. - É solteiro?, sabe, é de se impressionar um homem como você se encontrar sozinho, claro, isso se estiver..-Deixo a frase interminada.
- Sim, Alissa. No momento sou solteiro, tive alguns casos na Rússia, mas logo os abandonei por não serem de grande importância, na minha vinda para Sicília - Minha desconfiança é comprovada, ele realmente é russo, não estou surpresa porque muita coisa já o entregava mas a confirmação vinda do mesmo, pode ser muito útil posteriormente.
-uau, a Barbie é esperta. - Desta vez é Miguel no ponto. Fico entre lisonjeada e ofendida pelo seu comentário.
- Claro que é - Eric diz como se fosse óbvio, e está vez não posso evitar de sorrir, o que faz com que Alec retribua ao achar que é para o mesmo. Volto a realidade.
- Ah, sempre tive curiosidade de conhecer a Rússia, passei bastante tempo na Inglaterra e depois em Paris, e este é um país o qual tenho bastante interesse. - Ele balança a cabeça em positivo, sorridente.
- Muito bem, Lissa, arrume um jeito de dar bebidas a ele - Miguel aconselha - deixe ele avoltade.
- Se faça de indecisa, deixe ele escolher por você. Faça ele pensar que está no controle. - Ela complementa.
Encaro o cardápio mas vez ou outra desvio o olhar do mesmo para o observar discretamente.
- Eles tem um extenso cardápio de bebidas.. - dou início ao meu golpe.
- Sim, são todas muito boas, ja sabe o que beber? Eu sugeriria que bebesse Chanty - Sugere e vejo que está sendo muito fácil, não precisei pedir a recomendação pois ela já veio de bandeija.
- Mesmo nascendo na Itália, nunca tomei Chanty, acredita? Não sou muito chegada a bebidas mas já que estamos em uma ocasião especial, vamos pedir uma garrafa - fingi empolgação e ele sorri satisfeito, pedindo uma garrafa ao garçom
- Fale sobre sua boutique, deixe escapar sem querer algo da cossa nostra.
-Eric, você não é estátua. Volte a trabalhar, olhe pela câmera da bolsa e veja se há algo de suspeito ao redor do restaurante. - Ouço Death chamar a atenção de Eric dentro do carro.
- Me fale sobre você, Alissa, sua vida, interesses e projetos. - Travo por um segundo, tenho que pensar em alguma maneira de lhe contar sobre mim de maneira não tão reveladora e nem tão superficial a ponto de ser suspeito.
-O que quer saber? - Dou gole na taça de água.
-Tudo que puder contar. - Dá de ombros.
-Tenho vinte e cinco anos, morei grande parte da minha vida fora da Itália, entre Inglaterra e Paris e sou uma grande fã de moda. - Tento falar tudo o mais resumido possível, não acho que seja seguro revelar demais.
-Vinte e cinco? - arqueia a sobrancelha, surpreso. - Não lhe daria mais de dezenove, acredite. - Ri e eu faço mesmo, sempre dizem que pareço muito mais jovem do que realmente sou.
-E você? - Lanço a vez para ele, já que estou aqui para saber mais do que para revelar.
-Como já sabe, me chamo Alec Ivanov e sou um empresário, tenho Vinte e nove anos e dois irmãos. - Me decepciono por não tirar nada de útil do mesmo, logo de primeira. - Com o que trabalha, Alissa? Suponho que pretenda dar continuidade aos negócios da família. Se estiver errado, corrija-me e perdoe o equívoco. - Penso que ele pode ter dito isso sobre os negócios ocultos da minha família, mas finjo achar que se trata apenas das empresas.
- Bom, - espero o garçom terminar de servir a bebida e sair, voltando minha atenção para Alec - Desviei dos passos da família e desejos de papai, que agora não se encontra mais em vida - forço um sorriso - E abri uma boutique, ando me dedicando ao meu verdadeiro sonho, que é trabalhar com a moda.
- Que bom que decidiu viver por si própria, já eu, não poderia desviar do negócio da família e me mantenho fiel à ele, minha verdadeira vocação - Enche novamente a taça, me aproximo por cima de pesa, ficando mais interessada, ele parece estar sendo levemente atingido pelo efeito do álcool.
- Pergunte se a empresa é familiar, se tem pais ou irmãos.
- Eu já não sou muito adepta nesse tipo de negócio. disse que são negócios da família, todo os membros da sua família comandam sua empresa? - Pergunto tentando não demonstrar extremo interesse. No ponto se ouve apenas as respirações dos três, que estão tão interessados quanto eu, na resposta.
- Sou o Mais velho de meus irmãos e estou no controle dos negócios da família no lugar de meu pai, estamos querendo expandir o negocio para outras regiões, começando pela Sicília.
- Conseguimos o que queríamos. - Death comemora.
- Alissa, pretende voltar para Rússia? Vejo que está gostando bastante da Sicília. - Questiono.
- vai voltar morto, miserável. - Eric se pronúncia, falando entredentes.
- Está acabando, mi carinõ. - Death tenta acalmo-lo, ouço tudo pelo ponto, com um sorriso amarelo no resto, fingindo estar interessada nas informações desinteressantes que saem de Alec.
-Vai dar conta dele sozinho? Ele parece ter muito treino. - Death pergunta e franzo o cenho sem entender.
-Ninguém mais terá o prazer de matá-lo além de mim. - Entendo do que se trata quando ouço o protesto de Eric.
Meu celular vibra na bolsa e peço um segundo para Alec que faz que sim com a cabeça, vejo a mensagem de Death.
Faça cara de espanto e diga que a botique foi assaltada, o táxi está vai passar e você pega com pressa.
- Death
2-Grazie a Dio (graças a Deus)
- Oh me Deus - Pisco os olhos e me levanto, fingindo estar transtornada pela mensagem. - Sinto muito, Alec, minha boutique foi roubada e eu tenho que correr, o motorista virá me buscar. - Pego a bolsa e coloco sobre o ombro, ele se levanta também.
-Eu posso levá-la, não se preocupe com isso. - Ele se dispõe e olho para os olhos, tentando pensar em alguma maneira de recusar.
-Não será necessário, acredite em mim, podemos marcar outro jantar qualquer dia, eu sinto muito. - Faço cara de coitada - Não precisa me levar, você bebeu um pouco e não acho seguro, sabe? Não se brinca com segurança, mas mesmo assim muito obrigada, foi um prazer. - Aperto sua mão e deposito um beijo em sua bochecha. Seu toque exagerado sobre minhas costas faz com que eu me afaste.
-Certeza? Estou bem para dirigir - Faço que não com a cabeça. Droga, Como ele é teimoso.
-Absoluta, nos vemos em outra oportunidade, até mais. - Sorrio ao me afastar e ele faz acena. Saio correndo do restaurante rumo ao carro.
A porta de meu quarto é aberta mas mantenho meus olhos no notebook sobre colo, enquanto fico recostada na cabeceira da cama.
-Oi, Death - Comprimento-a ainda focada na tela.
-Não é sua amiga. - A voz conhecida por mim me faz levantar o rosto imediatamente e focar meus olhos nele, que está encostado na porta já fechada, com as mãos nos bolsos da calça preta, coturnos da mesma cor e uma camisa e jaqueta de couro seguindo o mesmo padrão monocromático, onde, a única cor que distoa é o azul intenso de seus olhos.
-Como entrou no meu quarto? - Olho para os lados, instintivamente.
-Pela porta. - Diferente de sua resposta, seu tom de voz e expressão, não demonstram humor. - Tenho meus meios, Alissa. - Sinto um frio na barriga, ele só chama pelo nome quando está falando serio.
-Diga.... - Suspiro, tomando coragem e me levanto da cama - Diga o que quer.
Ele se aproxima em um andar predador, seus olhos mesmo com a luz baixa do quarto, se destacam, transparecendo um sentimento que eu não saberia ao certo identificar. Ao parar em minha frente, o observo em dúvida por inúmeros motivos e nervosa por sua proximidade, que me afeta mais do que eu acharia possível, assim como tudo nele me afeta. Eric me agarra pelo cintura, deixando me próxima demais de seu corpo, tento me afastar mas exito, deixando minhas mãos espalmadas sobre seu peitoral, e o olhar preso no dele, as batidas de seu coração estão desreguladas, não diferente das minhas.
-Você sabe o que eu quero, Barbie, há algo aqui que me pertence e estou louco para reivindicar. - Ele exala possessão, sei que ele provavelmente está se referindo a mim, mas tento afastar a convicção prepotente.
Pisco diversas vezes, tentando assimilar as coisas, e tento controlar minha vontade de cruzar a linha, e ao pensar nas imagens da câmera de segurança, consigo o fazer.
-Não... - balanço a cabeça, totalmente desconcertada por seu toque firme em minha cintura, os olhos brilhantes e maldosos e sua voz rouca e seria em meus ouvidos - Não há nada seu aqui, Eric... - as palavras saem em um sussurro, e sem muita convicção.
-Vai ser muito prazeroso eliminar Ivanov, quando estiver dilacerando sua pele lentamente depois de uma longa e prazerosa tortura, por ter ousado cobiçar o que não o pertence.
Meus olhos se arregalam diante de sua alegação, ele totalmente tranquilo e satisfeito com a situação.
-Vai acontecer o mesmo com seu noivinho - Desta vez, pronuncia as palavras com nojo e desprezo.
-Não vai mata-lo - O encaro como se estivesse pedindo algo, e sua expressão se mantém fria e dura - e sei porquê isso o incomoda tanto, as coisas funcionam assim dentro da famíglia.
-Barbie... - ri nasalmente, sua mão aumenta o aperto sobre minha cintura e a outra vai para meu queixo, prendendo meu olhar no dele, pouco depois de eu ter desviado, agora seu olhar é sombrio. - Estou pouco me fodendo para como funcionam as coisas neste inferno, você não será de outro.
3-Droga di occhi carini (droga de olhos bonitos)
-Não é como se isso importasse para você, tem tantas mulheres as quais você pode ter e, você está noivo de Death. - Argumento, ele muda sua expressão para sarcástica e joga a cabeça para trás, rindo sem humor.
-Meu casamento com a dona morte será mais curto que minha paciência, e quanto as outras mulheres, não tenho nenhuma delas, apenas aproveito do que elas tem a me oferecer, mas você, eu tenho. - Fecho os olhos e faço que não.
-Terei de me casar, pelo bem de todos, e não sou sua, Eric. Você me quer apenas para seu joguinhos e sequer posso lhe dar o que quer.
-Você tem tudo que eu quero e preciso, Barbie, e ninguém irá tirar isso de mim, nem mesmo você. - Diz sério. As atitudes inconstantes e inexplicáveis de Eric estão me confundindo cada vez mais, e estou totalmente perdida por estar apaixonada por ele, a última pessoa no mundo a qual eu deveria gostar, e mesmo que ele se mostre o pior dos piores, ainda vejo algo bom nele.
