Capítulo 12
— Ei, não, Gabriela. Não faça isso — disse o Dr. Mark, levantando-se.
Mas não consegui evitar. Juntei as mãos na frente do peito, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
—Deus o abençoe, doutor... —sussurei.
—Tudo bem, Gabriela, levante-se —disse ele gentilmente.
—Obrigada, muito obrigada... —soluçava ela.
—Chega, Gabriela. Sério, levante-se — repetiu ele, desta vez com um sorriso cansado.
Obedecí, limpando as lágrimas com as costas da mão.
— Nunca esquecerei isso, doutor. Você é uma boa pessoa — disse com sinceridade.
Ele assentiu.
— Agora, volte para seus filhos. Eles já devem estar procurando por você — disse ele, voltando para sua mesa.
Antes de sair, virei-me para olhar para ele uma última vez.
Ele estava concentrado em alguns papéis, a luz da lâmpada iluminando seu rosto tranquilo. Senti meu coração derreter.
“Não mereço tanta bondade.”
Mas eu estava agradecida.
Muito obrigada.
Saí do consultório e voltei para o corredor improvisado onde dormíamos. Lá estavam meus bebês.
Emma chorava.
Sorri ao vê-la com suas mãozinhas agitadas. Levantei-a com cuidado e sentei-me na cama.
Abri meu camisola e ofereci meu seio. Ela agarrou-o imediatamente, acalmando-se num instante.
—Emma —sussurrei, acariciando sua bochecha macia enquanto ela comia com fome—. Emma Anderson. Mamãe te ama muito.
Olhei para Ryan, que dormia com a boca entreaberta, alheio ao mundo.
—Ryan Anderson. A mamãe também te ama, meu amor —disse eu, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto enquanto os contemplava.
Eu os amava com todo o meu ser.
**Semanas Depois**
— Ela já não está aqui — disse um homem encolhendo os ombros.
Suspirei, olhando ao redor da calçada onde havia vivido por meses. Eu tinha Ryan amarrado às minhas costas com um cobertor e Emma nos meus braços.
Eu tinha voltado pela segunda vez para procurar Nana, mas ela não estava mais lá.
“Onde você está, Nana? Você está bem?”
Não tive tempo para ficar mais.
Era hora do meu turno no hospital.
Peguei um táxi e voltei para o Hospital Público de Once. Paguei a corrida com cuidado, contando as moedas enquanto descia.
Cumprimentei o segurança com um sorriso.
—Olá, senhor Jorge! —disse eu.
—Gabriela! Como estão os pequenos hoje? —perguntou com sua voz rouca.
—Cada vez mais gordinhos —brinquei.
Entrei e estendi um cobertor no chão, colocando Emma em cima dele enquanto Ryan continuava nas minhas costas.
Peguei o balde e o pano e comecei a limpar os corredores. Enquanto trabalhava, olhava de soslaio para meus bebês.
Emma se divertia sozinha, mexendo as mãos.
Ryan... bem, Ryan detestava que eu me sentasse ou me ajoelhasse com ele nas costas. Eu o chamava de “Sua Majestade” porque ele não suportava que eu o impedisse de fazer algo.
Embora fosse cansativo, eles eram minha alegria.
Eles me mantinham sã.
Eu estava concentrada esfregando uma mancha no chão quando alguém esbarrou em mim.
—Oh, sinto muito, senhor...! —disse eu, levantando os olhos.
O mundo parou.
Era ele.
—Ernesto? —disse eu com um fio de voz.
Meu coração batia tão forte que doía. Minhas mãos tremiam.
“Ernesto...”
Mas ele arqueou uma sobrancelha, confuso.
—Desculpe? —perguntou ele.
Pisquei os olhos. Seu rosto mudou. Era outro homem.
—Está tudo bem, senhorita? —perguntou ele.
Engoli em seco, sentindo a vergonha queimar minhas bochechas.
—Desculpe —murmurei, afastando-me.
O homem olhou para mim com desprezo.
— O que você esperava? É um maldito hospital público de Once — murmurou enquanto se afastava.
Soltei um suspiro trêmulo.
“Não era o Ernesto.”
“Você está cansada, Gabriela. Está vendo coisas.”
Um choro agudo me tirou dos meus pensamentos. Emma.
Ajoelhei-me ao lado dela, tentando acalmá-la enquanto procurava o biscoito na minha bolsa.
“Onde está...? Meu Deus, Ryan comeu tudo!”
Emma chorava mais alto, agitada.
—Emma, espere, meu amor, eu trago outra, tá? —eu implorava, sentindo-me à beira das lágrimas.
Ryan começou a chorar nas minhas costas, se mexendo, desconfortável.
“Meu Deus, isso é demais.”
Levantei-me imediatamente, Ryan se acalmou, mas Emma continuava chorando.
—Emma, por favor... —sussurei, quase chorando.
Então, uma voz feminina atrás de mim:
—Oh, coitadinha, posso pegá-la? —perguntou uma garota loira da minha idade, com um sorriso gentil.
Acenei rapidamente com a cabeça, desabotoando o porta-bebês. Ela pegou Ryan nos braços, que se acalmou instantaneamente.
Um alívio tão profundo me invadiu que quase desmaiei.
—Deixe-me adivinhar, você odeia sentar enquanto carrega ele, não é? —disse ele, rindo.
—Como você sabia?! —perguntei, com um sorriso no meio do caos.
—Meu irmãozinho era igual —disse ele, com carinho.
Neguei com a cabeça, com um sorriso cansado.
—Os bebês são tão... tão difíceis. E olha, me deram o combo duplo —disse eu, sarcástica, provocando uma risada nela.
—Que sorte a sua. Eles são lindos —respondeu ela.
—Obrigada... —disse eu, com um sorriso sincero.
Por um momento, tudo parou.
Emma se acalmou enquanto comia. Ryan se acalmou nos braços da garota loira.
E eu respirei.
Pela primeira vez em muito tempo, senti que não estava completamente sozinha.
