Capítulo 5
Fernando
Sinto o exato momento em que a bela morena adormece em meus braços, ela relaxa e começa a ressonar baixinho em meu ouvido, mesmo comigo ainda sobre seu corpo e dentro dela. Absorvo um pouco mais do seu cheiro e alivio o peso do meu corpo sobre o seu, temendo machucá-la, encaro o rosto perfeito, pelo menos o que dá para ver sob a máscara que cobre seu rosto.
Sei que foi loucura da minha parte ter vindo sozinho aqui hoje, mas confesso que foi mais forte que eu, e sem conseguir controlar o impulso que há dias vinha me tentando, liguei para casa informando para minha mãe que iria na casa do Carlos, pedindo para que ela cuidasse da Helena, pois tinha que resolver algo urgente e não saberia a hora que iria voltar. Ao chegar aqui sentei em uma das mesas e pedi um copo de uísque, ansioso para vê-la novamente, louco para poder, enfim, pôr outra vez meus olhos sobre ela. Quando peguei meu carro e dirigi até aqui, não pensei em nada, apenas nela e agora que a tenho sob mim, adormecida após o sexo mais maravilhoso que já fiz em anos, não sei se terei coragem mais de deixá-la ir, no entanto sei que o que tivemos agora, para ela não deve ter sido nada menos do que algo corriqueiro, tendo em vista o assédio que vi de cada homem que, assim como eu, babava literalmente pela Star, a melhor dançarina da boate Red, pois era assim que todos os homens se referiam a ela, confesso que um ciúmes atroz me dominava quando cada um daqueles babacas se referiam a ela, quando eles babavam sobre ela e gritavam palavras grosseiras, quis bater em cada um deles por isso, mas me contive, obrigando-me a me controlar.
─ Tão linda! ─ Sussurro alisando com as costas das mãos seu rosto perfeito enquanto recordo o exato momento em que a vi adentrar aquele palco dominando tudo e silenciado todos a minha volta.
Quando ela começou a fazer as manobras sobre o pole dance senti meu pau dar vários espasmos dentro da calça, mas vi também meu ciúme aflorar ainda mais por saber que vários dos caras ao meu redor deveriam estar no mesmo estado em que eu me encontrava naquele exato momento e juro por Deus que fiz um esforço sobre-humano para não sair feito louco sobre aquele palco e tirá-la de lá, no entanto quando nossos olhos se encontraram e vi que ela sentiu o mesmo tipo de vibração que me dominou desde a primeira vez que meus olhos pousaram sobre ela, consegui relaxar e aproveitar seu número, porque naquele momento algo me disse que ela dançaria única e exclusivamente para mim, somente para mim, e assim o foi.
Quando o espetáculo chegou ao fim, não pensei em nada apenas levantei e fui em busca da única mulher que me despertou qualquer tipo de sentimentos depois que a Bea se foi.
Sem conseguir me controlar levantei e fui a sua procura, porém só consegui entrar em seu camarim pagando propina para o segurança que fazia guarda bem na entrada do corredor que levava a eles, mas quando a vi entrar pela porta qualquer convicção de não prosseguir com o que quer que tinha vindo fazer aqui, caiu por terra imediatamente, e como um homem faminto que vê um prato de comida pela primeira vez após dias sem sequer visualizar um, me entreguei ao desejo e fui com tudo para cima dela, devorei-a como quis fazer desde o momento em que pus meus olhos sobre ela e agora vendo-a assim tão vulnerável e doce em seu sono depois de nos amarmos, tudo o que queria fazer era levá-la junto comigo, passar o resto da noite dentro dela e aconchegá-la em meus braços, no entanto sei que isso não é possível e de que eu tenho que lutar bravamente contra o sentimento que está surgindo dentro de mim a fim de não arrastar mais um problema para minha vida, mais do que já tenho.
─ Porra! ─ Sentado no sofá olho uma última vez para a figura adormecida ao meu lado, erguendo-me logo em seguida para me vestir e partir.
Devidamente vestido sigo até a porta, abro-a e hesito um minuto, parado luto contra a vontade de tomá-la mais uma vez em meus braços, no entanto faço o contrario daquilo que desejo e parto, fechando a porta logo atrás de mim.
***
Dias se passaram desde a última vez em que estive na boate Red, mas apesar disso meu corpo ainda arde e queima de desejo pela Star, se antes era difícil controlar meus instintos, quando apenas a sua imagem me atormentava, agora que sei como é o seu gosto e como é delicioso estar dentro dela ficou dez mil vezes pior tentar resistir a ela e ao desejo insano que me atormenta sempre em que fecho os olhos e sua imagem sexy, toda suada e me recebendo em seu interior com o mesmo desejo e necessidade que eu, surge em minha mente.
Passo a mão exasperado pelo rosto esperando o sinal abrir. Por outro lado outra imagem também surge em minha cabeça, a imagem da outra mulher que aos poucos vem me chamado a atenção ultimamente: Fabiane. Ela tem se tornado alguém muito especial para mim desde o dia em que lhe expliquei sobre a situação da Helena, tanto para mim quanto para minha filha que no pouco tempo em que começou a conviver com ela aprendeu a confiar e a se abrir com a professora Fabi, como Helena costuma chamar sua professora, por isso nos tornamos mais próximos e em consequência desta proximidade um sentimento bom vem surgindo dentro de mim com relação a ela, mas que ainda não consegui identificar.
Estaciono em frente ao colégio e desço partindo até a entrada, cumprimento seu João e entro, seguindo em direção ao corredor que dá acesso a sala da minha filha. Chegando lá encontro Helena sorrindo para Fabiane, de um jeito que fazia muito tempo não via minha filha sorrir, paro na porta apenas para apreciar o momento antes de ser flagrado e consiga interromper este momento mágico e que fez meu coração de pai transbordar de alegria. No entanto não consigo passar muito tempo escondido sem que minha presença seja notada, pois a professora, ainda sorrindo junto com minha filha ergue o olhar colidindo com o meu, que a fita completamente extasiado com seu sorriso maravilhoso e sua boca carnuda e que me faz lembrar uma outra boca em que me perdi em beijos há algumas noites atrás.
─ Com licença, não queria interromper, mas vim buscar a Helena.
─ Pode entrar, senhor Monteiro. ─ Assinto entrando na sala toda enfeitada com detalhes infantis.
─ Perdão pelo atraso, professora, mas fiquei preso em uma reunião interminável e que se estendeu além do previsto e quando dei por mim já era tarde demais para pedir para alguém vir buscar a Helena já que o meu trabalho fica o mais perto da escola da minha filha. ─ Falo enquanto me aproximo mais dela e de Helena
─ Sem problemas, senhor. Helena e eu passamos um bom momento juntas, não foi querida? ─ Vejo minha princesa, sempre muito tímida assentir e correr para o abraço da sua professora, quando está abre os braços para ela.
Confesso que a cena me pegou desprevenido e me deixou completamente desnorteado, pois havia muito tempo em que não tinha visto a inteiração da minha filha com alguém dessa forma.
Fabiane beija o topo da cabeça de Helena que continua abraçando a cintura da sua professora.
─ Vá com seu pai querida. Até amanhã.
─ Até amanhã, professora. ─ Conseguindo me deixar mais embasbacado ainda ao ouvir minha filha responder a alguém de forma tão espontânea, mas chocado mesmo fico é quando Helena vem até mim e segura na minha mão como se dissesse: “pronto papai podemos ir”
Tento disfarçar o choque que toda a cena que acabo de ver me causou e olhando para Fabiane digo:
─ Obrigada por isso. ─ Ela assente em concordância, mas não diz nada, apenas olha para mim com algo implícito em seu olhar, algo que não consigo identificar, mas que me é familiar. ─ Desculpa mais uma vez por tê-la feito esperar.
─ Não há o que se desculpar, já lhe disse, pode ir sossegado com sua filha. ─ Balanço a cabeça afirmativamente e saio com a mão da minha princesa presa entre a minha.
Já dentro do veículo observo a professora sair da escola e parar no meio fio dando a entender que espera um táxi passar é então que vejo a oportunidade de agradecer de forma adequada tudo o que ela tem feito pela minha filha e sem pensar mais ligo o carro e dirijo até parar em frente a ela.
─ Posso lhe dar uma carona? ─ Ofereço, mas vejo resistência nela assim que o convite sai da minha boca. ─ É apenas uma maneira de agradecer pelo que tem feito pela minha filha, professora, nada mais. ─ Ela pondera um pouco, olha para a minha filha, que está sentada em sua cadeirinha, mas no final acaba cedendo e entrando no veículo logo em seguida.
