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Capitulo 05

Pyotr

Meus pensamentos foram interrompidos por uma chamada. Não pude evitar o sorriso ao ver a foto de minha mãe estampada na tela do aparelho. Eu sentia falta de casa, apesar de fazer apenas algumas semanas desde a última vez que as visitara. Aquela ocasião porém, não foi feliz.  Eu revi minha família, mas preferia não ter voltado para casa por conta do enterro de minha avó.

Ela sempre foi boa comigo e, apesar de ser um pouco diferente, eu a adorava.

Ela foi a primeira a me apoiar quando eu decidi tentar a vida nos Estados Unidos. Minha mãe tinha medo de que não desse certo, mas Dorateya não duvidou do meu sucesso nem um segundo sequer.

Enquanto minha mãe aparecia com maus presságios e minhas irmãs, principalmente a mais nova, se ressentiam por eu não trazê-las comigo, minha avó dizia para eu não me preocupar, seguir meu coração que eu encontraria meu destino.

No fim, apenas quando eu fui contratado pela Navruz publications minha mãe começou a acreditar que eu realmente tinha um futuro aqui e parou de pedir que eu voltasse para casa. Minhas irmãs também se contentaram com minha ausência quando perceberam que se eu realmente me estabelecesse em Nova York elas teriam um lugar novo para passar as férias.

Não que isso já tivesse acontecido, nas poucas vezes que nos vimos, fui eu que voltei para a Rússia.

Eu conversei durante um tempo com yulia, minha irmã mais nova, que queria saber quando finalmente poderia me visitar. Ela era louca para conhecer a cidade, e eu havia prometido que assim que conseguisse o visto permanente ela poderia passar alguns dias comigo, e isso estava perto de acontecer. Seria bom ter a companhia da minha irmã.

Perto da uma hora eu recebi uma ligação de Willian McAdams, um escritor que estávamos tentando contatar para uma entrevista há algum tempo. Ele estava com a tarde livre e aceitaria se encontrar comigo para definirmos alguns termos da entrevista e divulgação do seu novo Romance.

Isso me deixava com um pouco mais de cinquenta minutos para encontrá-lo no restaurante que ele indicou.

Eu procurei Mary e não a encontrei.

Ela já não deveria ter voltado do almoço?

Foi quando me lembrei que o almoço seria com os pais dela. Eu tinha me esquecido disso, e ela poderia passar o resto da tarde ausente.

Bem, ele me mandou tratá-la como uma funcionária comum, não?

Peguei meu celular enquanto digitava uma mensagem para Mary, torcendo para que ela respondesse. Desci até a garagem e estava prestes a telefonar para ela, quando ela me ligou.

— Onde você está? — Eu perguntei ao atender

— Desculpe, minha mãe chegou e estava apressada — Marianne disparou a falar — Eu esqueci de avisar que estava saindo.

— Não importa, onde você está? — Eu entrei no carro, me preparando para sair.

— Agora? No Le Bernardin.

— Eu te pego aí em dez minutos. Me espere na porta — Eu murmurei desligando em seguida.

Por sorte ela está perto.

Eu dirigi o mais depressa possível  até o restaurante, encontrando a jovem como combinado me aguardando na entrada, ela não hesitou em embarcar no carro assim que eu parei.

— Pra onde estamos indo, Peter? — Mary questionou assim que entrou no carro.

— Willian McAdams ligou — lhe lancei um rápido olhar com o canto dos olhos — vamos encontrá-lo.

— Sério? — Ela soou animada.

Marianne estava tentando marcar essa reunião há algum tempo.

— Sim — Eu sorri ao notar o brilho em seu olhar.

Nós chegamos ao restaurante alguns minutos antes do homem. Nós demoramos cerca de duas horas para resolver tudo o que precisávamos antes de encerrar aquela reunião. Assim que deixamos o restaurante, Mary estava eufórica.

— Finalmente nos livramos daquele insuportável, Peter — Ela comemorou quando entramos no carro.

— Não ofenda o autor — Eu a repreendi, apesar de achar graça de sua animação.

— Você não pode negar que ele é insuportável. Nós temos que comemorar — Ela ignorou minha repreensão — Vamos em um bar.

— Nada de bares, Marianne — Eu neguei seguindo para a editora, antes de me lembrar da conversa de antes com Omar Navruz — mas se você quiser, eu posso te deixar em casa.

— Vamos Peter — Ela suplicou — Um drink, é por minha conta. E me chame de Mary.

—  Eu vou te deixar em casa, Marianne — Eu mudei minha direção, seguindo para o Upper East — Você só precisa me falar o seu endereço.

— Você é tão insuportável quanto McAdams, Rozanov — Ela reclamou cruzando os braços me fazendo rir — Pode voltar pra editora. Eu levo a Halley para comemorar comigo.

— Tem certeza? — Eu questionei sentindo a curiosidade queimar em mim para saber a forma como ela pretendia comemorar aquela pequena conquista.

— Já que você não quer comemorar, eu bebo com a Halley  — Ela murmurou — Vamos, Pietro.

— Por favor, isso nem é russo — eu lhe ofereci um meio sorriso, tendo o prazer de vê-la se esforçar para segurar a risada e se manter séria. 

Eu dirigi para o prédio da editora, Mary desistiu de me convidar para sua comemoração.  Nós  subimos em silêncio até o nosso andar, eu a deixei na recepção conversando com a amiga enquanto eu seguia para meu escritório.

Abri meu e-mail uma última vez antes de ir para casa, encontrando ali o aviso de uma reunião com o Sr e Srª Navruz pela manhã.

Aquela informação me surpreendeu.  O que será que aconteceu?

Eu apanhei o envelope que Mary tinha separado de manhã, decidindo trabalhar nele em casa. Ao sair, ela ainda estava conversando com a Srtª  Dawson.

— Hey Peter, Tem certeza que não quer se juntar a nós? — minha assistente sorriu se encostando na mesa da recepcionista — última chance.

— Se divirta, Mary  — Eu me despedi enquanto esperava o elevador, apesar de sentir uma pequena onda de arrependimento me atingir — Até amanhã, Srta Dawson.

Talvez eu devesse me divertir um pouco mais.

— Até amanhã Sr Rozanov — Ela sorriu enquanto eu entrava no elevador.

Eu segui para meu apartamento no Greenwich Village. Aquele era um bom lugar para se morar, e apesar de ser um pouco afastado da editora, eu tinha tudo o que  precisava a uma distância acessível. Estacionei na minha vaga no prédio e subi até o quinto andar, já ouvindo o arranhar as pequenas unhas de Libby no assoalho da minha sala.

Abri a porta sendo recebido com a pequena Welsh Corgi de cores caramelo, preto e branco, latindo e pulando em minhas pernas até que eu a pegasse no colo. Ela odiava passar o dia sozinha, e eu me sentia culpado por deixá-la ali, mas eu realmente não tinha outra solução.

Libby pertencia originalmente a uma ex namorada da época da faculdade.  Ela acabou ficando comigo quando rompemos nosso relacionamento e Chloe se mudou para a Argentina. No começo fiquei meio perdido, a cachorra nem parecia gostar de mim, mas com o tempo nós fomos adquirindo nossa rotina.

Eu a carreguei até a tigela de ração me agachando para enchê-la, observando Libby comer por um tempo. Acariciei sua cabeça enquanto ela comia, antes de me levantar. Talvez eu deva passear um pouco com ela antes de qualquer coisa.

Sim. 

Esse parece um bom plano. Ela me distrai o suficiente, eu não preciso passar noites em bares para me divertir.

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