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Capitulo 2. O acidente.

Kevin sentiu o coração acelerar. Ele olhou ao redor, esperando que alguém aparecesse, algum outro guarda, um oficial, qualquer pessoa. Mas não havia ninguém. Era só ele e o guarda desacordado. O sangue começou a manchar o uniforme vermelho, fluindo lentamente de um ferimento que Kevin não conseguiu identificar.

Sua mente correu em desespero. Ele sabia que aquele lugar era proibido. Nenhuma pessoa normalmente conseguiria passar os olhos sem permissão, muito menos um garoto de apenas cinco anos. Mas o guarda estava ferido. E Kevin não conseguiu pensar em outra coisa senão ajudar.

— Eu... eu tenho que fazer alguma coisa! — murmurou para si mesmo, sem perceber que já estava avançando em direção à área proibida.

Ele correu. Seus passos curtos e apressados ​​o levaram rapidamente através dos obstáculos de ferro, que eram gigantescos ao seu redor. Kevin passou por uma área onde só os guardas e pessoas autorizadas podiam circular. Ao se aproximar do guarda caído, seu coração batia forte no peito. O sangue no uniforme agora era visível, escorrendo pelo chão.

— Não se preocupe — disse Kevin, com uma coragem que nem ele sabia de onde vinha. — Eu vou chamar alguém para te salvar!

Sem hesitar, Kevin atravessou o jardim que se estendia à frente dele. Era um jardim impressionante, enorme, com flores exóticas que ele nunca tinha visto antes, como se tivesse entrado em um reino mágico. Ele olhou ao redor, mas não havia mais ninguém olhando à vista. Aquele silêncio o deixava desconfortável, mas ele não podia parar agora.

No fim do jardim, havia uma porta. Ela estava entreaberta, como se estivesse convidando Kevin para entrar. Ele sabia que além daquela porta estavam os quartos reais, o lugar onde o rei, a rainha e seus filhos viviam. Ele hesitou por um breve momento, mas a imagem do guarda ferida voltou à sua mente, e ele sabia que não tinha escolha.

Kevin empurrou a porta e entrou.

O interior do palácio era ainda mais grandioso do que ele imaginava. Corredores amplos, decorados com tapetes finos e quadros imensos nas paredes. Ele correu pelos corredores silenciosos, tentando encontrar alguém, algum adulto, qualquer pessoa que pudesse ajudar.

Foi então que ele a viu.

Sob a sombra de uma grande árvore, sentado com uma expressão serena, estava uma menina. Ela parecia ter sua idade, talvez um pouco mais velha. Usava um vestido rosa delicado e segurava algumas bonecas, as quais ajeitava cuidadosamente no chão. O vento suave balançava seus cabelos loiros enquanto ela brincava, perdida em seu próprio mundo.

Kevin parou, intrigado. Quem era aquela menina? Ele nunca tinha visto antes, mas algo em sua postura, em sua calma, o fez perceber que ela não era uma criança comum.

A menina chamou os olhos quando viu Kevin se aproximando. Ela enviou para ele, um sorriso simples, mas que parecia enviar uma curiosidade inocente.

— Oi — disse ela, como se fosse a coisa mais natural do mundo ver um estranho no jardim privado do palácio. — Quem é você?

Kevin, ofegante, ainda sem fôlego pela corrida e pelo nervosismo, gaguejou:

— Eu... eu sou Kevin. Preciso de ajuda... um guarda... ele está ferido...

Uma menina inclinada a cabeça, interessada, mas sem parecer alarmada. Ela se chama com calma, segurando suas bonecas com cuidado.

— Você está no jardim da família real — disse ela, seus olhos grandes e curiosos fixos nele. — Eu nunca vi você antes.

Kevin sentiu o coração pular no peito. De repente, ele entendeu. Aquela menina, com seu ar tranquilo e sua postura delicada, só poderia ser uma das filhas do rei.

— Você... você é uma princesa?

Ela é encantadora de novo, um sorriso doce e misterioso.

— Sim — respondeu simplesmente. — Eu sou.

A princesa observou o menino à sua frente com uma curiosidade tranquila. Ela se falou devagar, ajeitando o vestido rosa, que parecia brilhar suavemente à luz suave do fim de tarde. Seus cabelos loiros, cacheados como os de uma boneca, caíram em suaves ondas até os ombros. Eles se moviam levemente com a brisa, parecendo tão delicados quanto fios de ouro. A pele dela era perfeita, clara como porcelana, sem nenhuma marca ou mancha. Seus olhos, grandes e azuis como o céu em um dia de verão, brilharam de interesse enquanto olhavam para o garoto que havia invadido seu jardim privado.

— Meu nome é Elizabeth Sofia — disse ela, com uma voz suave, mas confiante. -Elizabete Sofia Windsor. Mas você pode me chamar de Sofia.

Ela gentilmente de novo, um sorriso que parecia carregar uma mistura de gentileza e curiosidade. Afinal, alguém fora da realidade entrou naquele espaço sagrado. Muito menos um garoto tão jovem e nervoso quanto Kevin. Ela já tinha 11 anos, apenas um ano mais velha que ele, mas se sentia infinitamente mais sábia e madura — pelo menos era assim que a realeza costumava se sentir em relação ao resto do mundo.

Ela o examina com mais atenção, sua curiosidade crescendo.

Kevin, com seus 10 anos, parecia bem diferente das pessoas que Sofia costumava ver ao seu redor. Ele tinha cabelos castanhos claros, bagunçados, mas cacheados de uma forma que lhe dava um ar despreocupado, quase selvagem. Os cachos moldavam seu rosto jovem e sua expressão determinada. Sofia notou as sardas que se espalhavam pelo nariz dele, pequenas manchas que davam a ele uma aparência adorávelmente travessa. Seus olhos, de um castanho profundo, estavam arregalados de tensão e ansiedade, provavelmente por terem acabado de invadir o jardim da família real e pela urgência da situação.

Por mais que estivesse preocupada com o que ele havia dito sobre o guarda ferido, Sofia não poderia deixar de se perguntar quem era aquele menino corajoso, que havia quebrado todas as regras sem pensar duas vezes para tentar ajudar alguém.

Ela deu alguns passos em direção a ele, ainda segura uma de suas bonecas, e disse, com um ar de leve incredulidade:

— Você é sempre tão corajoso? Invadiu o jardim da rainha para salvar alguém... Não tem medo?

Kevin, que ainda tentava recuperar o fôlego, mal conseguiu responder imediatamente. Não foi visto só pela beleza da princesa, mas também pela calma com que ela lidava com aquela situação.

— Eu... eu só queria ajudar. O guarda... ele está ferido... — Ele respirou fundo, tentando parecer mais corajoso do que realmente se sentia. — Eu não pensei muito. Só... fiz o que parecia certo.

Sofia sorriu mais uma vez, inclinando a cabeça com uma expressão de surpresa e admiração. Não esperava uma resposta tão direta, especialmente de alguém que parecia tão simples e despretensioso como Kevin. Ela já tinha visto muitos meninos e meninas da nobreza, mas nenhum deles jamais teve a coragem de fazer o que Kevin acabara de fazer.

Ela colocou a mão delicada no braço dele, um toque leve e confiante.

— Então, Kevin, parece que temos uma missão. Vamos salvar o guarda.

— Sofia — Kevin repetiu o nome da menina em sua mente, ainda surpreso pela calma com que ela reagia situação tão grave. Ela, no entanto, parecia mais interessada nele do que no guarda ferido naquele momento, o que o fez sentir-se um pouco desconfortável.

Sofia, com sua postura graciosa, se virou para correr em direção à mansão, pronta para chamar alguém para ajudar o guarda. Mas antes que ela pudesse dar mais que dois passos, uma voz grave ecoou pelo jardim.

— Sofia! — A voz firme e autoritária fez com que ela parasse abruptamente. Kevin também congelou no lugar. — O que você pensa que está fazendo?

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