6 Mundança de rumo
Ariadne despertou já quase no final da tarde, mas teve tempo o suficiente para se arrumar ir para o trabalho. De onde morava para o Bar de M eram somente seis quadras e ela sempre fazia aquele trajeto a pé. Vestiu uma calça jeans preta, uma blusa regata da mesma cor e uma jaqueta azul por cima, era verão e as noites não estavam tão frias. Ao sair ouviu vozes exaltadas vindas do apartamento ao lado, eram seus vizinhos, um jovem casal que brigava constantemente, Ariadne tinha pena mesmo era dos objetos que eram arremessados ao chão e contras as paredes, ela apenas deu uma leve risada e seguiu seu caminho. Nas ruas cheias de lixo e as chamadas, “criaturas da noite”, pessoas que assim como ela, trocavam a luz do dia pela escuridão, tomavam cada beco daquele bairro. Eles encontraram no breu uma forma melhor de ganhar a vida. Prostitutas que atendiam seus clientes ali mesmo para todo mundo ver, se misturavam aos traficantes de drogas e até mesmo simples batedores de carteiras que viviam ali, quem era do dia nunca se misturava com aqueles que amavam a noite.
Já perto de seu trabalho, Ariadne passou por um pequeno grupo de quatro homens que a seguiram de forma suspeita, ainda faltavam alguns metros para que entrasse no Bar e assim que acelerou o passo, os homens fizeram o mesmo até que a alcançaram.
—Veja só o que temos aqui. Que delícia caiu na nossa horta. —um deles comentou passando a mão na cintura da mulher.
—Se eu fosse vocês, me deixava ir. —advertiu, mas os homens não deram ouvidos.
—E por que? Nós vamos te deixar ir, mas só depois que der aquilo que queremos. —o outro falou apertando o queixo da jovem.
Ariadne ficou sem saber como agir, ela era pequena e não conseguiria escapar deles que começaram a tocar suas partes intimas. Ela estava tão perto da segurança, mas mesmo que gritasse, ninguém lá dentro poderia ouvi-la. Mas naquele dia a sorte parecia estar do seu lado quando uma viatura policial passou exatamente naquele local e um dos tiras parou e perguntou se estava tudo bem. Astuta a jovem avançou para frente e disse que já estava atrasada para o trabalho e que estava tudo bem. O policial desconfiou e permaneceu por ali até que a jovem entrasse no bar, o que para ela foi um alívio.
—Chegou cinco minutos atrasada. O que esteve fazendo? — Tasha perguntou, chamando a atenção das demais.
—Isso não é problema seu, Tasha. Aliás, eu não me importo com as suas implicâncias comigo, se é isso o quer saber. Cheguei atrasada sim, mas isso é algo que só diz respeito a Mim e pode deixar que eu mesma vou comunicar ao M, entendeu? —a moça falou e logo foi se trocar. As demais garotas gostaram do esporro dado na loira pela latina de olhos verdes, ela bem que estava merecendo. Nora seguiu a amiga peruana e elogiou a mesma por sua postura, Ariadne respondeu que só estava cansada dos outros quererem sempre intimidá-la e que não iria mais tolerar aquilo em sua vida.
***
Depois de arrumada ela foi direto para o salão servir as bebidas, sempre que entrava, os homens babavam olhando para a bunda da peruana, assim como para os seios fartos, mas somente quem tinha muito dinheiro era que podia pagar para tê-la. Dayse sentiu falta de M, pois sempre antes de começar ele costumava falar com ela e as vezes até dar uma rapidinha, mas não isso que aconteceu. Ao olhar para a área vip ela o observa sentado ao lado de um homem que nunca vira ali antes. Era um careca boa pinta, parecia ser muito importante para M está acompanhando-o pessoalmente. Ariadne deu um riso discreto, ela logo pensou que poderia ser algum empresário rico que pagaria uma boa grana para transar com ela, mas em seguida pensou que fosse algum cliente de uma das meninas. Curiosa ela foi até Nora para especular.
—Quem é aquele homem que está sentado no sofá junto com o M? Eu nunca o vi aqui antes.
—Aquele lá? É o Mr. Simon. —respondeu a garota mais velha.
—E ele é importante? —ainda mais curiosa, Ariadne perguntou mais uma vez.
—Olha, eu não sei bem o que ele é, mas sei apenas que é um grande amigo do M. E tem mais uma coisinha... ele só vem aqui quando sabe que o M tem uma garota nova. Talvez esteja aqui por você, pois a última vez que veio foi quando a Tasha chegou e isso já faz um punhado de tempo. —cocluiu a mulher de cabelos curtos. Ariadne ergueu os olhos outra vez para olhar os dois homens que conversavam na área vip e notou que ambos olhavam diretamente para ela e trocavam palavras. A mulher mais baixa desviou rapidamente o olhar e procurou disfarçar, tomando outra direção para poder servir às mesas.
***
É aquela linda morena de cabelos ondulados ali? —perguntou Simon fitando os olhos em Dayse.
—Sim. Não é uma belezinha? —respondeu M, mordendo os lábios.
—É bonita sim, mas eu preciso saber se realmente é algo que valha a pena investir. A última que você me apresentou também é muito linda, mas fria quando se trata de sexo. —falou referindo-se a Tasha. Coincidentemente a loira observava os dois, do lado oposto. Ela atendia um de seus clientes que a queria com exclusividade, era um homem já velho, porém, muito rico.
—Eu garanto que você vai gostar. Eu mesmo duvidei quando a vi pela primeira vez, mas depois que experimentei, posso garantir que ela é viciante. —o dono do bar respondeu, já sentindo seu coração disparar.
—Está bem, chame-a aqui.
M mandou que chamassem Dayse e a levasse até ele, fazendo de contas que não sabia de nada, a garota conversava com o barman, com quem estabeleceu uma forte amizade. Ele era casado e trabalhava ali para sustentar a família, sempre que tinha um tempinho ele conversava com ela a respeito de si mesmo, Dayse adorava ouvir suas histórias. Ela deixou a bandeja sobre o balcão e foi de encontro ao patrão e também amante. Simon a olhou da cabeça aos pés e ficou fascinado com a beleza exótica da jovem. Ele suspirou profundamente e ergueu a cabeça em sinal de superioridade.
—Realmente, olhando de perto ela é ainda mais bela do que parece. Mas eu preciso saber se realmente não passa de mais um rostinho bonito...
Ariadne olhou para Simon e não escondeu que ficou um pouco nervosa, ele era um homem muito bonito, careca, cerca de 1.80 metros e com um porte físico atlético, além de ser bastante elegante. M o presentou a ela e falou que o codinome dela era Dayse, pois era delicada como uma flor. Em seguida M a chamou reservadamente e contou quem realmente era aquele homem.
—Ouça, Dayse, o homem a quem lhe apresentei agora se Chama Simon Rulle. Ele é uma pessoa muito influente e comanda toda a rede do comércio de sexo de Nova York.
—Uau! —expressou-se admirada.
—Então. Sempre que eu tenho uma garota nova ele vem inspecionar, pois todo o trabalho com sexo na cidade deve passar por ele. Só que o cara possui a agência mais procurada pelos bilionários e não só daqui, como de vários outros países. Ele veio saber se você tem potencial para ser uma de suas vips.
Ariadne mal acreditou no que ouviu, era a sua chance de mudar de vida de uma vez por todas. Ela abriu um sorriso e disse a M que estava disposta a aceitar, mas o homem tatuado esclareceu que não seria ela a aceitá-lo e sim, ele aceitá-la.
—E como consiste, o veredito dele? —perguntou ansiosa.
—Do mesmo modo em que consiste o meu. Ele vai querer transar como você para saber se realmente é boa na cama. —M foi objetivo.
—Por mim, tudo bem...
M assentiu, em seguida ele foi até Simon e pediu que aguardasse apenas o quarto ser devidamente preparado para ele. Simon avisou que não queria nenhum tipo de fantasia em Dayse, ela a queria completamente nua, pois seria apenas para experimentar, não seria algo que duraria toda a noite. M repassou o recado e assim que o quarto ficou pronto, Dayse tirou a roupa e aguardou a chegada daquele que poderia mudar sua vida e ela queria muito o seu futuro patrão.
— Coragem, Ariadne, é só mais um belo homem que vai foder você.
