Capítulo 2 — Destinos Entrelaçados
O ambiente ao redor parecia ter se tornado uma névoa nebulosa enquanto Kayno caminhava ao lado de Alika, conduzindo-a até a área vip onde ele e seus amigos estavam antes. O som da música se afastava gradualmente à medida que avançavam, as conversas ao fundo se tornando distantes, como se o tempo estivesse desacelerando ao redor deles.
Alika manteve-se tranquila, mas sua mente estava acelerada, tentando processar o que estava acontecendo. Não era comum sentir-se atraída por alguém tão intensamente, muito menos por alguém que ela sabia ser de um mundo completamente diferente do seu. Porém, não conseguia resistir. Principalmente pela certeza de que era ele quem vira em sua visão.
Kayno era diferente de qualquer pessoa que ela já havia conhecido. Sua presença era dominante, mas havia algo nela que a desafiava, algo que a fazia questionar as sensações que sentia. Quando chegaram ao espaço onde Kayno estava, ele indicou o sofá para ela com um gesto elegante, indicando que se sentasse.
Alika o observou por um momento antes de se sentar, seus olhos ainda fixos nele. Ele, por sua vez, não afastou o olhar, estudando-a com uma intensidade que fazia o ar ao redor deles parecer mais denso.
— Aqui está mais tranquilo. — Kayno disse finalmente, quebrando o silêncio. — Acredito que temos mais privacidade para conversar.
Alika assentiu, mas ainda não sabia o que pensar sobre tudo aquilo. Ela tomou um gole do drink frutado e se permitiu relaxar um pouco mais, mas a sensação de estar tão próxima dele fazia sua pele arrepiar. Kayno observava suas reações com atenção, como se estivesse tentando ler algo mais profundo em sua expressão.
— Por que me trouxe até aqui, Kayno? — Ela perguntou, decidida a entender suas intenções. — O que deseja de mim?
A pergunta foi direta, mas não acusatória. Alika não era do tipo que se entregava facilmente, mas havia algo em Kayno que a fazia querer entender mais, saber mais. Ele não havia aparecido em sua visão a toa, e ela sentia que algo maior estava acontecendo entre eles, algo que ela ainda não conseguia compreender totalmente.
Kayno a observou por um momento, sem pressa de responder. Algo nele sentiu uma estranha satisfação ao ouvi-la dizer seu nome. Era como se já se conhecessem, e isso o deixava curioso. Quando finalmente suas palavras vieram, foram ponderadas.
— Quero entender você, Alika. — Ele disse o nome que ouvira as amigas dela chamarem, a voz grave, mas com uma suavidade que contrastava com sua postura imponente. — Há algo em você que me intriga, que me atrai de uma forma que não consigo explicar.
Alika o encarou, surpresa com a sinceridade em sua voz. Ela não esperava tal resposta, muito menos de alguém como Kayno, que exalava autoridade e controle em cada gesto.
— Eu não sou nada de especial. — Ela respondeu, embora sua voz fosse suave, havia uma firmeza em suas palavras. — Sou apenas uma humana comum.
Kayno riu baixinho, a resposta de Alika não fazendo sentido nenhum para ele. Ele não sabia exatamente o que ela era, mas tinha a certeza de que ela não era "comum". Ele se inclinou ligeiramente para frente, aproximando-se ainda mais dela.
— Se fosse comum, eu não teria ido até você. — Ele disse, seus olhos castanhos avermelhados fixos nos dela. — Você tem algo que chama a atenção, algo que vai além da aparência. Sua aura... É fraca, mas é diferente.
Alika balançou a cabeça lentamente, tentando afastar os pensamentos confusos. Ela não sabia o que ele queria dizer com "aura", mas o que mais a inquietava era o fato de que, de alguma forma, ela sabia que ele estava certo. Havia algo nela que sempre se sentiu atraído pelo que era desconhecido, pelo que estava além do mundano. Mas nunca teve coragem de explorar essas sensações.
— Eu... Não sei que aura é essa que você está falando. — Ela disse, em voz baixa, como se estivesse conversando consigo mesma. — Mas, eu sempre me senti chamada pelo sobrenatural.
Kayno a observava atentamente, sem interromper, sabendo que ela estava começando a se abrir de uma maneira que poucos fariam na sua presença.
— E como você se sente sobre isso? — Ele perguntou suavemente, sua curiosidade evidente.
Alika olhou para ele, sem saber exatamente por onde começar. Ela nunca tinha falado sobre isso com ninguém, nem mesmo com suas amigas mais próximas. Mas algo em Kayno a fazia sentir que ele entenderia, que ele não a julgaria.
— É difícil de explicar... — Ela começou, sua voz suave, mas firme. — Desde pequena, sempre senti como se houvesse algo mais, algo que me chamava, mas minha tia sempre me disse para ignorar. Ela tem um pavor de qualquer coisa relacionada ao sobrenatural. Sempre dizia que seria perigoso para mim, que eu não poderia me envolver com... Pessoas como você.
Kayno não pôde evitar um sorriso suave. Ele sabia o que ela queria dizer, e mais do que isso, ele compreendia o receio da tia dela.
— Não é fácil, eu sei. Nem todos possuem boas intenções. — Ele disse com um tom pensativo. — Mas você sente que há algo em você que a liga a esse mundo?
Alika não hesitou.
— Sim. Eu sinto. Não é uma sensação clara, mas sempre que estou perto do sobrenatural, sinto uma espécie de... Bem estar. Como se algo em mim reconhecesse algo que está além do que vejo. Mas, como eu disse, nunca pude explorar isso. Minha mãe... Também era fascinada pelo sobrenatural, e de acordo com minha tia, foi assim que a perdemos. — Alika deu mais um gole no drink, e Kayno observou aquele gesto como se fosse algo raro no mundo. — Isso deixou minha tia, temerosa, e até um tanto supersticiosa. Tudo o que ela faz é para minha proteção, para impedir... Aproximações indesejadas. Mesmo assim, há algo em mim que sempre chama mais atenção do que eu desejo.
Kayno ficou em silêncio por um momento, digerindo as palavras de Alika. A situação dela era complexa, mas também sabia que, agora que ela estava naquele lado do mundo, ela poderia descobrir muito mais do que imaginava. E por algum motivo, ele não queria ficar longe dela.
— Eu não vou te forçar a nada, Alika. — Ele disse com firmeza. — Mas se você sentir que chegou o momento de entender o que há dentro de você, eu estarei aqui.
Alika olhou para ele, seus olhos dourados agora mais focados, mais certos de que ela estava diante de algo que poderia por fim explicar o que lhe acontecia. Ela não sabia onde isso a levaria, mas queria tentar. De alguma forma, sentia que seu destino e o do Príncipe do submundo estavam entrelaçados.
— Eu não sei o que isso significa, mas... Estou disposta a descobrir. — Ela disse, sua voz carregada de determinação.
Kayno sorriu, sua expressão suave, mas cheia de um tipo de satisfação que só ele poderia entender. Eles estavam começando algo sutil, incerto, mas ele sabia que ela era mais do que capaz de lidar com tudo o que estava por vir.
— Então, Alika, vamos caminhar juntos neste caminho. Não importa onde ele nos leve.
Eles ficaram ali por um momento, em silêncio, enquanto o ambiente ao redor continuava a pulsar, a música e as conversas já não importando mais. O que estava prestes a acontecer entre eles era algo que transcenderia tudo o que ambos conheciam até então.
