
Resumo
Alika, uma jovem misteriosamente conectada ao mundo sobrenatural por motivos que ela mesma desconhece, vive um amor proibido com Kayno, um demônio misterioso e um príncipe do submundo. Dividida entre o fascínio avassalador que sente por ele, ainda que os perigos do mundo dele a rondem, Alika embarca em uma jornada de auto descoberta e consequências que colocam sua vida em risco. À medida que sua vida se entrelaça com a de Kayno, segredos sobre seu passado vêm à tona, revelando que ela é mais do que a simples humana que acredita ser. Ambos terão de enfrentar inimigos sombrios e lealdades questionáveis, em uma jornada onde o amor pode ser tanto sua salvação quanto sua ruína.
Capítulo 1 — Fascínio Sombrio
A casa noturna pulsava com batidas profundas, ecoando no ar como um chamado primal, instigando os instintos mais profundos dos que ali estavam. As luzes coloridas piscavam, iluminando brevemente os rostos da multidão, onde humanos e seres sobrenaturais se misturavam. No limiar entre os distritos que separavam os humanos dos seres sobrenaturais, o Nebulae Lounge era uma dimensão a parte.
Nela, diferentes mundos se encontravam, os preconceitos eram esquecidos, e as máscaras não precisavam ser mantidas. Ser místico ou não, a única coisa que reinava no ambiente era a liberdade. Contudo, existiam figuras que mesmo que tentassem, não conseguiam se esconder completamente.
Ainda que se mantivessem nas sombras, em uma área reservada, era possível sentir o pulsar do poder dos príncipes do submundo. Kayno, imponente e enigmático, estava acompanhado de seus amigos Orin e Morgath. Sua expressão era tranquila, porém, ocultava uma inquietação interna. Algo na noite parecia diferente, como se uma energia invisível flutuasse no ar.
Ele não gostava de sair de sua zona de conforto, não estava acostumado a socializar, muito menos ficar naquele tipo de ambiente. Contudo, devido as constantes insistências de Orin, lá estava.
Enquanto observava a pista de dança, seu olhar foi atraído por uma jovem de pele cor de canela e olhos dourados. Havia algo nela que despertava seus sentidos, algo intrigante que o desafiava a olhar mais de perto.
— Você tá focado, Kay. — Perguntou Orin, notando a intensidade do olhar de Kayno. — O que despertou seu interesse?
— Algo curioso... Talvez. — Respondeu Kayno, sem desviar os olhos da jovem humana.
Morgath, com seu olhar analítico, observou a cena e, em tom de curiosidade, perguntou:
— Entre os humanos? Achei que tivesse aversão a eles.
Do outro lado do salão, Alika conversava com suas amigas Seraphine e Veny. Era sua primeira vez em um lugar como aquele, a energia era intensa, mas havia algo naquela noite que a havia instigado a aceitar o convite das amigas. Na noite anterior, tivera um sonho vívido, uma visão de olhos castanhos avermelhados, cintilantes e misteriosos, rodeados por uma névoa espessa que velava o rosto do rapaz.
Embora não soubesse quem ele era, sentiu uma conexão inexplicável de imediato com aqueles olhos, e lá estava ela. Se conhecia suficiente para saber que, toda vez que sonhava, seu sonho se realizava. Tinha aprendido isso da pior forma possível, mas aprendera a conviver com aquela peculiaridade.
— Ei, olha lá. — Veny disse, cutucando Alika com um sorriso animado. — Os príncipes do submundo. Da esquerda para direita. Orin, filho de Belial, o Rei da anarquia e destruição. Morgath, filho de Vine, o Rei das sombras e do oculto. E o último, Kayno, filho de Beleth, Rei da ordem e da guerra.
Alika seguiu o olhar de Veny e, ao ver Kayno, sentiu um arrepio percorrer seu corpo. A presença dele era magnética, e o olhar intenso pareceu tocá-la de uma forma íntima que a fez prender a respiração. Reconheceu a cor dos olhos dele de imediato. Era ele. O rapaz que vira em seu sonho.
— É raro ver Kayno aqui. — Seraphine sussurrou, claramente empolgada. — Ele geralmente evita os humanos.
Veny concordou, os olhos brilhando de empolgação.
— Dizem que ele é o mais reservado do grupo, e que o olhar não é a única coisa intensa nele. — Veny disse, olhando para Seraphine enquanto ria de forma travessa.
— Esta é uma chance única de vê-lo de perto. Mas nem sonhe, ele não vai se aproximar. — Seraphine concluiu. — Vem! Vamos pedir nossos drinks.
Veny puxou Alika para o bar, tirando sua atenção do príncipe misterioso, e enquanto as amigas trocavam comentários, Kayno não conseguia desviar o olhar de Alika. Algo nela o chamava. Mesmo sem ter uma aura de energia palpável, sua presença parecia irradiar uma força invisível. E atraído por ela sem compreender o motivo, Kayno ergueu a mão, chamando a atenção de um garçom que passava.
— Leve um ‘Aurora de Ether’ para a jovem de olhos dourados ali. — Kayno disse, apontando discretamente para Alika. — Diga que é um presente meu.
Orin observou a cena com um sorriso divertido.
— Ah, então era isso que estava te deixando tão focado. Há algo... Diferente nela.
Morgath, com um olhar mais cauteloso, comentou:
— Ela realmente é incomum. Será que usa algum tipo de feitiço para bloquear aura? Cuidado, Kayno, bruxas podem ser traiçoeiras.
Kayno não respondeu, apenas observou o garçom entregar a bebida para a humana, que agora se encontrava sentada em um dos sofás que isolava os clientes da pista de dança. Assim que o garçom se aproximou, a jovem trocou olhares confusos com suas amigas.
— Senhorita, um presente do príncipe Kayno. — O metamorfo de olhos verdes brilhantes, disse, se curvando enquanto oferecia o drink a ela com um sorriso educado.
Surpresa, Seraphine agarrou o braço de Alika, excitada.
— Isso é sério?! Foi o Kayno que enviou? Eu nunca vi ele fazer isso antes!
Alika olhou para a área reservada e encontrou os olhos penetrantes de Kayno. Ele ergueu a taça que bebia em um gesto de cumprimento, e ela, hesitante, aceitou o drink do garçom e fez o mesmo, agradecendo com um sorriso tímido.
Vendo a abertura dela, Kayno se levantou e caminhou em direção a ela. Cada passo seu parecia silenciar o ambiente ao redor, sua confiança imponente criando uma aura de poder a sua volta, que fazia todos se afastarem de seu caminho de forma inconsciente. Quando finalmente ele chegou até Alika, ela sentiu uma mistura de curiosidade e apreensão, mas manteve a calma.
Ele era alto, e por mais que usasse um sobretudo preto, ela conseguia notar seus músculos apertados na camisa que usava.
— Espero que tenha gostado da bebida. — A voz dele saiu suave, mas profunda, transmitindo uma calma misteriosa. — Achei que combinaria com você.
Alika sorriu levemente, com um toque de provocação em seus olhos.
— A bebida é agradável, mas... Confesso que esperava algo mais intenso.
Surpreso, Kayno sorriu, uma pequena curva nos lábios, sem saber bem como reagir a aquela interação descontraída.
— Posso providenciar algo que surpreenda mais, se desejar.
Ela ergueu uma sobrancelha, lançando a ele um olhar intrigado.
— Não sou do tipo que se impressiona facilmente.
A resposta de Alika despertou algo mais em Kayno, e ele a observou com uma intensidade crescente.
— Então parece que vou ter que me esforçar.
Nesse momento, Orin e Morgath se aproximaram. Orin lançou um sorriso educado às amigas de Alika, enquanto Morgath apenas observava a cena com uma expressão ponderada.
— Parece que nosso amigo encontrou uma companhia interessante. — Comentou Orin, divertido.
Morgath, sempre com cautela, observou Alika com atenção. Havia algo nela que o deixava curioso, mas ele sabia que nada era o que parecia.
Percebendo o olhar de Morgath para Alika, Kayno se moveu sutilmente, se colocando entre eles. Com um sorriso suave, Alika tentou aliviar a tensão.
— Acho que estamos quebrando algumas regras, não?
Kayno sorriu de volta, sua expressão suavizando um pouco.
— Esse é o segredo desse lugar... Aqui, nós fazemos as regras.
O olhar entre eles era carregado de uma intensidade magnética silenciosa, como se o tempo tivesse desacelerado. Notando o momento, as amigas de Alika decidiram se afastar, dando a eles mais espaço. Orin e Morgath conduziram as meninas para a pista de dança, enquanto Kayno e Alika permaneceram ali, em um silêncio que parecia mais eloquente que qualquer palavra.
Sozinha, Alika olhou para Kayno, sentindo a magnitude de sua presença. Ele a observava com um interesse palpável, como se estivesse tentando decifrá-la, e o brilho em seus olhos era ao mesmo tempo intimidador e fascinante.
Com um sorriso tranquilo, Alika perguntou, sua voz suave:
— E agora? O que acontece depois disso? — Ela perguntou, erguendo o drink que ele havia mandado para ela.
Kayno inclinou a cabeça levemente, um sorriso enigmático aparecendo em seus lábios.
— Não sei... Mas, se depender de mim, quero descobrir.
Ele estendeu a mão para ela, e Alika hesitou apenas por um momento antes de aceitá-la. Juntos, caminharam até a área exclusiva, onde a presença dele parecia ainda mais poderosa. Sentados ali, rodeados por uma calma estranha e única, Alika sentiu que estava prestes a adentrar em um novo mundo — um mundo que, de algum modo, sempre soubera que existia, mas ao qual nunca pertencera.
