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Capítulo 5 Sequestrada

Rebeca pensou em perguntar a Alicia sobre a conversa que ouviu, mas sabia que isso a comprometeria e sabia que ela não merecia isso.

O melhor era esperar mais dois meses, quando ela deveria atingir a maioridade, e fugir dali. Ela não o fazia naquele momento porque, se a encontrassem, as consequências destruiriam sua vida. Ela conhecia perfeitamente a frieza de Adolfo e Rita, seus pais adotivos, e essa frieza se transformava em um bloco de gelo quando se tratava de Aldana.

- Não se preocupe, Ali, eles não descobriram, agora vou dormir... Amo muito você... irmãzinha.

Ela disse com um pouco de ressentimento, porque Alicia, embora fosse adolescente no momento em que a sequestraram e possivelmente não pudesse decidir nada, foi quem a pegou pela mão e a afastou de sua vida, que certamente teria sido muito melhor do que a que ela viveu até aquele momento.

Desde que ouviu aquela conversa, ela tentava se lembrar do que tinha acontecido e não conseguia afirmar nada, não conseguia se lembrar e a única coisa que sua mente traiçoeira via era muita fumaça e uma escada rolante.

Ela sempre chegava ao mesmo ponto...

O que a desconcertava era que, desde pequena, muitas vezes sonhava com uma escada rolante e estar de mãos dadas com Alicia, sempre relacionava isso a alguma saída que poderia ter tido com sua irmã.

Rebeca removeu até a última gota daquela maquiagem preta, tão sombria quanto a banda que ela tinha ido ver...

Ela se cobriu e, ao fechar os olhos, lembrou-se dos beijos que recebeu naquela noite...

Ela até tinha se esquecido da banda que foi ver, sua favorita, e pela qual se atreveu a fugir de casa.

Parecia que os beijos daquele soldado continuavam queimando sua pele, porque sim, ele a queimou, a fez arder de paixão, como nunca havia acontecido em sua vida, nem mesmo com Alberto, seu ex-namorado, ela havia sentido.

Com uma mão, ela acariciou a boca, lembrando-se do sabor daquela boca louca e impetuosa.

Foi uma situação quase hilária.

Seu peito estava agitado e seus mamilos estavam tão duros quanto quando sentiu aquelas mãos apertando-os. Sem pensar duas vezes e com a escuridão da noite como sua parceira silenciosa, ela levou a mão para sua intimidade, acariciando sua pélvis e deslizando os dedos em direção ao clitóris, começou a esfregá-lo com força, sentindo um prazer absoluto, enquanto continuava a lembrar-se daquele hálito que a excitava até ao âmago.

Por um momento, ela abandonou sua intimidade e, com as mãos, apertou seus mamilos com força, esticando-os, enquanto mordia os lábios para não gritar.

Sentindo que ardia de desejo por aquele soldado desconhecido, ela voltou a levar uma das mãos ao clitóris, mas isso já não era suficiente, ela precisava de mais, queria sentir algo dentro dela e introduziu dois dedos, e os moveu cada vez mais rápido e com mais força, envolvida por uma luxúria quase impossível de descrever, começou a sentir um orgasmo selvagem e potente invadir seu corpo, amaldiçoando por estar sozinha e querendo sentir bem dentro dela o membro quente daquele soldado, aquele membro que sentiu em seu estômago quando ele a tinha em seus braços e apertava seu corpo.

-Sim, sim, sim...

Ela sussurrou enquanto um líquido escorria de sua vagina, revelando o quanto ela estava excitada.

Merda, não me acalmei, ficaria assim a noite toda, ansiando estar nos braços poderosos daquele espécime masculino.

É o homem que eu adoraria ter para sempre.

Pensou enquanto decidia se continuava a masturbar-se ou se ia dormir.

Morfio ganhou.

Rebeca acordou pensando que o sonho que teve, embora repetitivo, era mais estranho do que aqueles que guardava na memória.

Àquela escada com fumaça se somavam aviões pintados de cinza e amarelo, que pareciam navios de guerra, uma mulher que ria e nem sabia por quê, em seu sonho havia um shopping center, muitas pessoas e parecia que aquela mulher era extremamente elegante, usava um casaco de pele longo e era muito magra.

A tudo isso se somava o rosto do soldado que a beijou como se sua vida dependesse disso.

Mais uma vez, ela levou a mão aos lábios e voltou a sentir o calor daquela boca que a deixava completamente louca.

- Você está se atrasando!

Disse sua “mãe”, abrindo a porta.

- Você é a mesma preguiçosa de sempre, vai nos deixar mal no trabalho, essas pessoas nos conhecem.

- Ainda é cedo, não se preocupe.

- Você diz isso? Você não sabe fazer nada direito!

Disse Rita, levantando a voz.

- O que está acontecendo aqui?

Rebeca ouviu a voz de Adolfo, seu pai, que empurrava a porta, furioso com aquele ódio que sempre demonstrava por ela.

- Nada...

Ela ousou dizer.

- Nada? Essa preguiçosa não quer ir trabalhar.

Rita a acusou.

- Vou te disciplinar!

Adolfo se adiantou e, no belo rosto de Rebeca, deu um tapa, partindo sua boca e fazendo-a cair no chão, enquanto o sangue jorrava.

Sem dizer mais nada, o homem saiu, batendo a porta, e Rita foi atrás dele.

- Por que você a machucou? Agora ela está sangrando e esse sangue pode nos contaminar, não é puro.

A adolescente ouviu tudo perfeitamente.

- Agora você diz isso? Por que você faz tanto barulho então? Você sabe que eu vou me aproximar e sabe como eu reajo, você sempre causa tudo.

- Não é assim.

- É sempre assim, você arruinou minha vida, trouxe essa estranha e tenho certeza de que pegou a primeira que apareceu, tudo para fazer o que Arsenio te diz.

- Arsenio é seu amigo.

- Arsenio é seu amante!

Rebeca, do banheiro onde estava se higienizando e limpando o ferimento, continuava ouvindo a conversa, que, por outro lado, era só gritos.

Ela ouviu golpes e mais gritos, tinha certeza de que eles estavam se jogando com o que encontravam, Adolfo era um homem fisicamente grande e Rita, embora fosse alta, e o tempo lhe trouxesse alguns quilos a mais, não muitos, continuava sendo um alvo fácil para o homem.

Rebeca pensou em ajudar Rita, mas tinha certeza de que, se fosse, seria ela quem ocuparia o lugar de Rita para receber os golpes e até a mulher se juntaria a eles, certamente acabaria, com sorte, no hospital.

Como pôde, vestiu-se e saiu, sem que a vissem, pela porta que dava para um longo corredor, que desembocava na rua ao lado.

- De novo?

Perguntou Margarita, a dona da oficina onde ela trabalhava.

- Eu me machuquei, sou desastrada...

Respondeu, sem se importar que ela não acreditasse.

- Menina...

A mulher a abraçou e ela começou a chorar.

- Querida, você não pode continuar assim.

- São meus pais.

Disse ela, acreditando na sua própria mentira.

- Isso não lhes dá o direito de te magoar assim.

- Não te preocupes e, acima de tudo, não contes a ninguém, não te metas, não digas nada.

- Não gosto nada disto.

- Margarita, é perigoso para ti, não quero que te magoe.

- Comigo, nada vai acontecer.

Rebeca achou que Margarita estava errada. Muito errada.

Sem saber que caminho tomar, nem o que dizer para convencer aquela mulher a não dizer nem fazer nada.

Ela estava com medo...

- Se meu pai descobrir que falei com você, ele me mata.

Ela confessou.

- Ele tem armas, você sabe que ele é militar.

- Fique tranquila.

-Obrigada.

Ao chegar em casa, ela ficou com medo, pensando que iria levar uma surra de Rita, já que Adolfo, a essa hora, estava perdido nos bares, bebendo e apostando, até bem tarde da noite, quando mal conseguia andar, de tão bêbado que estava, chegava em casa, se pudesse, comia, se não, como podia, ia para o quarto.

Ela ouviu a voz de Aldana e Rebeca pensou que naquele dia os problemas não iriam acabar.

-Olá, Rebeca.

A jovem ficou sem palavras, pois sua irmã mais velha foi quase gentil ao cumprimentá-la.

-B... Boa noite.

-Tente não criar mais essas situações.

A adolescente estava prestes a explodir.

Situações? Ela criava situações?

— Juro que não era tarde.

Ela tinha certeza de que sua irmã sabia disso, e Rita também.

— Já falei com o papai, para que ele não te machuque, você não pode sair na rua assim, os vizinhos vão comentar.

Era por isso!

- Mamãe acabou levando uma surra, vim ajudá-la, agora faça a comida, depois lave a louça, arrume e limpe a casa.

Essa era ela...

Sem voltar a falar, começou a fazer o que sua irmã mais velha lhe ordenou.

Os dias se passaram, com muitos maus-tratos.

Seu trabalho e as tarefas domésticas tomavam todo o seu tempo, ela continuava contando os dias para desaparecer daquela casa.

Chegou à maioridade, mas sem um centavo, já que contribuía com quase tudo o que ganhava para a casa e, sem ter para onde ir, decidiu aguentar um pouco mais, se organizar, procurar um lugar, ficar segura, porque tinha certeza de que, se desse um passo em falso, Hugo iria acionar algum contato e ela seria presa ou morta...

Ela aprendeu a desconfiar de todos, havia apenas duas pessoas em quem confiava, uma era Margarita e a outra era Viviana Deloz, embora não tivesse contado a ninguém que era “adotada”.

Às suas tarefas diárias, somou-se o curso na faculdade, Rebeca sonhava em ser uma grande estilista.

Ela tinha projetos para sua vida, queria endireitar seu destino.

Para todos, ela era uma garota sem complicações na vida, se todos soubessem o que ela guardava e sentia...

Tantas madrugadas, com seus sonhos repetitivos, era como caminhar em um deserto profundo, sem saber para onde ir.

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