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Capítulo 4 Batida policial

O caminhão parou em frente a um estádio de futebol.

Naquele momento, as portas se abriram e uma multidão começou a sair.

Não havia um jogo de futebol ali, havia um show de rock e, a julgar pelas roupas, quase todas pretas, de todos os jovens que saíam empurrando uns aos outros, era um show de música do tipo hard rock.

Seus penteados eram estranhos, mas ele percebeu que a maioria era adolescente.

Seus colegas começaram a pedir identidades aos jovens que passavam ao lado deles.

De repente, tudo ficou fora de controle, houve gritos contra eles, e houve quem não aguentasse esse tipo de provocação, houve muitas corridas e os militares pareciam ter uma recompensa para quem prendesse o maior número de pessoas.

Ele perdeu Germán de vista, nenhum dos dois estava disposto a isso.

Nosso psicólogo não iria prender ninguém, muito menos por não ter documentos, porque sabia-se que em shows desse tipo, leva-se o mínimo possível de coisas, pois entre tantos pulos, danças e empurrões, tudo se perdia.

Ele caminhou alguns metros, para se afastar do centro da

A corrida continuava, havia pessoas que caíam ao correr, e Alejandro viu com horror como alguns de seus companheiros espancavam os adolescentes que estavam completamente desarmados.

“Esta não é a missão para conhecer a mulher feliz”, pensou ele, sem poder fazer nada para salvar as “vítimas” de tal abuso de autoridade militar.

Embora isso fosse visto em todos os lugares, inclusive em seu próprio mundo.

Ele já havia assumido que estava em outra dimensão?

Ele já havia assumido que estava em outra dimensão?

Foi quando uma jovem adolescente, com não mais de 17 ou 18 anos, por correr sem olhar, talvez morrendo de medo, o atropelou.

Alejandro, instintivamente, a segurou em seus braços, para que ela não caísse.

- Senhor, eu não fiz nada! Me solte, por favor!

O jovem psicólogo cheirou o cabelo da jovem, era uma mistura de aromas, cheirava a coco e baunilha, a fumaça de cigarro e maconha, possivelmente tinha ficado impregnado nela durante o show.

No entanto, ele não conseguiu evitar perguntar, mesmo sem soltá-la.

— Você usa drogas?

Seu tom era sério, mas ele não queria acusá-la.

— Eu... não... não uso.

Alejandro balançou a cabeça negativamente, porque percebeu a mentira dela.

— Você é muito jovem para usar drogas.

— Eu não uso drogas!

Ela insistiu, fazendo beicinho e com os olhos cheios de lágrimas.

Seus olhos estavam bastante vermelhos.

— Linda, a maconha acaba sendo um vício que não leva a lugar nenhum.

— Eu não fiz nada!

— Eu não te acusei de nada!

Ele disse, perdendo a paciência, o que era muito raro nele, já que, como psicólogo, ele aprendeu a se controlar para lidar com os sentimentos de seus pacientes.

Naquele instante, dois dos policiais que estavam com ele no caminhão passaram perto dele.

A intenção de Alejandro era deixá-la ir, porque ele também sabia que ela não tinha feito absolutamente nada, no máximo ela deve ter dado algumas tragadas em um daqueles “cigarros” e, se ele a detivesse, isso traria muitos problemas para essa adolescente.

— Tenho que revistá-la.

Ele disse quando seus dois colegas passaram ao lado dele.

- Senhor...

A garota continuava contendo as lágrimas.

- Contra a parede!

Ele ordenou em voz alta e firme, vendo que a maioria dos colegas estava dizendo isso.

Começou a revistá-la, com cuidado para não assediá-la, mas ao sentir o corpo estreito dela, Alejandro sentiu um forte choque e colocou as mãos na cintura fina da garota.

Um desejo incontrolável de beijá-la tomou conta dele.

Suas mãos subiram pelo lado do corpo da garota, até encontrarem seus seios.

Eu não me reconheço, essa mulher está me deixando louco e é quase uma criança... Faz bastante tempo que não faço sexo e a isso se somam todas as

É uma desculpa...

Alejandro continuava pensando.

A verdade é que ele se via descontrolado e sem vontade de afastar as mãos da adolescente que, a princípio, o olhava aterrorizada e, naquele momento, parecia desafiá-lo a beijá-la.

Alejandro estava tentando encontrar sentido para o que estava acontecendo.

Ele não pensou que isso poderia ser um sinal...

Sem vontade de usar sua força de vontade, suas mãos seguiram seu caminho e ele se viu apertando o peito daquela garota, com um desejo desconhecido.

Continuando com sua incoerência, ele atacou os lábios da desconhecida e, com fome, procurou até o último recanto de sua deliciosa boca.

Demorou alguns minutos para parar de beijá-la.

Ele estava excitado como nunca antes em sua vida.

Ele se afastou da jovem, porque percebeu que não estava ali para se divertir, não para passar um momento mais do que agradável com ela.

Ela não era uma conquista, nem mesmo uma amiga.

-Desculpe.

Ele murmurou olhando nos olhos dela, foi quando percebeu o quanto seu olhar era atraente, o paraíso que a cor dos olhos dela parecia ser.

-Desculpe?

Ela murmurou.

-Eu peço de verdade.

-Sim, claro.

Ela respondeu com sarcasmo.

-Qual é o seu nome?

Ela pensou por um momento antes de dizer seu nome, primeiro considerou a possibilidade de dar um nome falso, mas descartou a ideia, porque se descobrissem sua verdadeira identidade, seus problemas seriam maiores.

-Rebeca.

Sussurrou ela.

Ao fazê-lo, as suas respirações misturaram-se novamente e Alejandro voltou a beijá-la, saboreando a doçura daqueles lábios deliciosos.

-Miúda...

Disse ele num gemido, enquanto as suas mãos não conseguiam afastar-se do corpo de Rebeca.

A diferença é que, desta vez, ela retribuiu o beijo.

A Alejandro fervia-lhe o sangue que corria nas veias.

Ele não sabia há quanto tempo a estava beijando, mas se separou quando alguém tocou seu ombro.

-Acabou.

Um de seus companheiros indicou.

-Você a leva?

Ele perguntou, referindo-se ao que faria com Rebeca.

Ele olhou para ela, mas respondeu sem hesitar ao seu companheiro.

-Não, não, deixe-a ir.

O outro soldado deu alguns passos à frente e Alejandro aproveitou para perguntar seu sobrenome.

Ela, sem responder, saiu correndo.

Nosso psicólogo acompanhou os passos do outro soldado.

— Gosto do seu estilo, aquela garota é uma beleza.

Por um momento, ele se sentiu envergonhado por sua atitude, mas disfarçou.

— Obrigado, sim, ela era bonita.

Disse com certa indiferença.

Subiram no caminhão e, considerando cumprida aquela tarefa, que Alejandro não achava sentido, retiraram-se do local.

Mais tarde, soube que conseguiram encontrar dois traficantes de drogas bastante importantes.

Talvez essa fosse a missão, mas como ele não estava a par, tentou manter-se à margem, até que se deparou com aquela mulher linda.

Ele também não queria abusar do poder, mas não se arrependeu de ter saboreado aqueles lábios de mel.

Alguns dias se passaram e Alejandro continuava se lembrando de Rebeca, mas sem pensar que aquela atração era um choque impossível de deter, ele seguiu em frente com sua nova vida.

Adaptando-se às suas novas tarefas e compartilhando a maioria de suas atividades com Germán.

Por sua vez, Rebeca entrou em sua casa com muito sigilo.

Ela abriu cuidadosamente a porta da rua e, ao não ver ninguém, respirou aliviada.

A situação foi diferente quando ela abriu a porta do quarto.

- Eu estava esperando por você.

Disse sua irmã Alicia. Ela se assustou por um momento, mas no fundo sabia que a única pessoa com quem podia contar era justamente Alicia.

- Não vou te denunciar, mas você sabe as consequências se forem te descobrir.

- Só fui a um show de rock.

- Guarde sua rebeldia para usar em momentos mais comprometedores.

A adolescente achava que todos os seus momentos eram comprometedores.

Sempre sentiu que, exceto Alicia, os outros membros da sua família a odiavam e nunca soube por quê...

Até que, por acaso, descobriu o motivo de tanto ódio e desprezo.

Sem querer, ouviu uma conversa que esclareceu todas as suas dúvidas.

Flashback

- Dá para acreditar? Ela brigou com o namorado, que era a única coisa boa que tinha na vida.

Ela ouviu a voz da mãe e soube que ela se referia a ela.

— É verdade, pelo menos teríamos tirado algum proveito se eles tivessem se casado.

Respondeu Aldana, mas Rebeca não se surpreendeu com as palavras de nenhuma das duas.

— Juro que repasso mil vezes a situação e sinto que alguém nos traiu.

Rebeca começou a prestar atenção, porque não sabia do que sua mãe estava falando.

- Foi fácil naquele momento, porque ela pegou a mão de Alicia.

- Será que nos enganamos de menina?

Enganar-se de menina? Do que sua mãe estava falando?

Oliver desapareceu, não cobramos pelos serviços e ficamos com o problema que é Rebeca.

Um frio terrível percorreu as costas de Rebeca.

Ela havia sido sequestrada?

Elas não eram sua família?

Por isso tanto ódio?

- Você acha que mataram Oliver porque nós tiramos a criança errada?

Essa palavra chamou a atenção de Rebeca, mas ela tinha certeza de que a usaram como sinônimo de sequestro.

- Não sei o que pensar, mas nos arriscamos naquele momento, porque não sabíamos se poderíamos voltar, não cobramos nada e ficamos com o prego.

Eles se referiam a ela como um prego.

Ela compreendeu todo o desprezo e a falta de amor.

- E ainda por cima desperdiça a oportunidade de subir socialmente.

- Essa é a influência da estúpida da Alicia, que acredita na dignidade e na estupidez do amor. Como se existisse amor e dignidade sem dinheiro!

As palavras de sua “irmã mais velha” a essa altura eram esperadas.

Rebeca pensou que em algum lugar tinha uma família de verdade, que deve ter chorado por ela a vida toda, a angústia, o ressentimento e, acima de tudo, uma dor muito forte tomou conta de sua alma.

Fim do flashback.

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