Capítulo 8
Era de manhã e a sala de recuperação estava tranquila. O homem que invadiu a UTI estava sedado, imobilizado e monitorado.
Ele começava a despertar, confuso. Dra. Ana, acompanhada por Dr. John entraram na sala com uma expressão de profissionalismo e empatia, prontos para uma conversa delicada.
Nicolas Beck, irmão gêmeo de Lucas, despertou na sala de recuperação, perdido e com a voz rouca.
— Onde estou? O que aconteceu? — perguntou ele.
A Dra. Ana, com um sorriso tranquilizador, respondeu:
— Você está na sala de recuperação. Tivemos que sedá-lo após um episódio intenso para garantir sua segurança e a dos outros.
Nicolas tentou se sentar, mas sentiu a restrição das faixas e recuou, frustrado.
— Eu… Eu não lembro de nada. O que eu fiz?
Dr. John, com um tom calmo, explicou:
— Você teve um surto devido ao estresse e invadiu a UTI atrás do seu irmão Lucas. Precisamos entender o que aconteceu para ajudá-lo. Como você se chama?
— Nicolas Beck. Sim, somos irmãos gêmeos — respondeu ele, com vergonha e medo. — Eu não queria causar problemas. Não conseguia pensar direito.
A Dra. Ana disse gentilmente:
— Entendemos que você estava muito alterado. O importante é que você está seguro e podemos trabalhar para ajudá-lo a se recuperar.
— Recuperar? O que você quer dizer com isso? — perguntou Nicolas, desesperado.
Dr. John se aproximou e explicou:
— Acreditamos que você está passando por um estresse severo e precisa de acompanhamento psicológico. Será necessário um tratamento para lidar com o que está passando.
Nicolas, triste, questionou:
— Então, eu preciso ficar aqui mais tempo? Não posso simplesmente ir para casa e me recuperar sozinho?
A Dra. Ana confirmou:
— Recomendamos que você permaneça internado para monitorar seu progresso e garantir suporte necessário. O acompanhamento psicológico é essencial.
Nicolas fechou os olhos, tentando controlar as emoções, — Eu não queria que isso acontecesse. Eu estava tão… perdido.
Dr. John colocou uma mão no ombro de Nicolas e disse:
— É compreensível se sentir assim. O importante agora é buscar a ajuda que você precisa. Não há vergonha em procurar suporte profissional.
Ana completou:
— Vamos garantir que você tenha um plano de tratamento e a oportunidade de conversar com um terapeuta para lidar com suas dificuldades.
Nicolas assentiu lentamente, sua expressão vacilante entre resignação e algo mais sombrio.
— Eu vou poder ficar perto do meu irmão? — perguntou ele, mas havia um tom diferente em sua voz agora, algo quase imperceptível, mas inegavelmente presente.
Dr. John hesitou por um momento, antes de sorrir de volta:
— Sim, claro. Queremos que você fique bem e que tenha o apoio do seu irmão.
Dra. Ana finalizou suas anotações, inclinando-se ligeiramente: — Vamos fazer tudo o que pudermos para ajudar você.
Nicolas abriu um sorriso, mas havia algo de errado nele. Algo que fez o ar na sala parecer mais pesado.
— Estou pronto para começar — disse ele, com um brilho malicioso nos olhos.
O sorriso de Nicolas, cheio de intenções não reveladas, fez Ana sentir um frio na espinha. Algo estava profundamente errado, e, embora eles tivessem controlado a situação por enquanto, ela sentia que o verdadeiro perigo ainda estava por vir.
Ana e John haviam controlado a situação, por enquanto, mas a presença de Nicolas deixava claro que o verdadeiro perigo ainda estava por vir. E Lucas, o irmão gêmeo tão parecido, mas igualmente misterioso, poderia ser a chave para entender o que realmente estava acontecendo – ou o catalisador para um caos ainda maior.
Ana saiu da sala de recuperação com passos apressados, o coração batendo como um tambor descontrolado em seu peito. Desde que Lucas chegou ao hospital, nada mais parecia normal.
Primeiro, houve o tiroteio que abalou o hospital, deixando todos em pânico. Depois, a invasão ao quarto de Lucas, um incidente que ainda pairava em sua mente como uma sombra de incerteza.
E agora, um irmão… gêmeo de Lucas para ajudar, que invadiu a UTI em um surto misterioso, causando mais caos e perguntas sem resposta.
O hospital, que antes era um lugar de segurança e cura para Ana, havia se transformado em um cenário de tensão constante e medo.
O sorriso malicioso de Nicolas e o brilho enigmático em seus olhos não saíam de sua mente, misturando-se com a imagem de Lucas, que, parecia envolver-se em uma teia de segredos e perigos.
Ana apertou o tablet contra o peito, tentando acalmar a ansiedade crescente, mas as lembranças dos eventos recentes se recusavam a desaparecer.
Desde que Lucas entrou em sua vida, nada mais parecia seguro. E agora, com Nicolas mostrando sinais de instabilidade e intenções obscuras, Ana sentia que algo maior estava em jogo.
Enquanto caminhava até o elevador, a sensação de ser observada a incomodava.
Quando dobrou a esquina em direção ao elevador, um frio percorreu sua espinha. Sentiu, mais do que viu, uma presença atrás de si. Virou-se abruptamente, mas o corredor estava vazio. Apenas o som distante de máquinas hospitalares preenchia o ar, mas isso não a tranquilizou.
‘’— Calma, Ana’’ — murmurou para si mesma, tentando acalmar o pânico crescente.
No entanto, a sensação de estar sendo vigiada, de que algo ou alguém estava sempre um passo atrás, não desaparecia.
Ela apertou o botão do elevador, e quando as portas do elevador se abriram, Ana estava mais determinada do que nunca. Precisava descobrir o que estava realmente acontecendo com Lucas e Nicolas.
O tiroteio, as invasões... tudo parecia conectado, e Ana sabia que, se não descobrisse a verdade, poderia estar colocando não apenas sua carreira, mas também sua vida, em risco.
Como Ana vai lidar com a crescente tensão entre os irmãos Nicolas e Lucas, agora que percebe que ambos podem estar escondendo segredos perigosos e que sua vida pode estar em risco?
