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Capítulo 7

Em meio ao caos que estava acontecendo, era necessário que a equipe médica e de enfermagem, se reunissem para uma reunião, e assim fizeram.

Estavam todos reunidos na sala de descanso dentro da UTI, uma pequena e discreta sala onde os momentos de tranquilidade eram raros, o silêncio era quebrado apenas pelo sutil zumbido dos aparelhos, e única iluminação que tinha, vinha da lâmpada fraca sobre a mesa, que lançava sombras discretas nos rostos cansados.

Dr. James, diretor do hospital, ajeitou o jaleco, abaixou os óculos sobre o nariz, tomou seu lugar na mesa, olhou para todos presentes e começou a falar.

– Prezados, – começou James, com uma voz firme. – Vamos dar início à reunião. Como vocês sabem, a situação de segurança do nosso hospital está se deteriorando e precisamos encontrar uma solução imediatamente.

– Deteriorando? Isso é um eufemismo! – interrompeu Dr. John, com um tom ácido. – Já tivemos dois grandes incidentes graves. E quem vocês acham que ficará lidando com essas crises? Nós?!

– Calma, Dr. John, – disse Marcos, o chefe da segurança, tentando intervir. – Estamos cientes dos problemas, mas precisamos de uma abordagem mais racional. A forma como você está abordando isso não ajuda em nada.

– Racional? – Ana exclamou, se levantando da cadeira com um movimento brusco. – Vocês querem racionalidade? Então por que não fazem o básico? As portas de emergência estão quebradas, os sistemas de alarme falham e o treinamento dos funcionários… bom, é uma porcaria!

– E o que você sugere que façamos, Dra. Ana? – Marcos perguntou, com a voz subindo de tom. – Por acaso você acha que somos todos incompetentes?

– Não estou dizendo isso, Marcos, – respondeu Ana, com a raiva quase visível. – Mas talvez se você saísse do escritório e visse como as coisas realmente estão, poderia entender por que estamos tão irritados.

– Vamos manter a calma, – disse Dr. James, tentando restaurar a ordem. – Precisamos de soluções, não de acusações.

– E as soluções estão sendo ignoradas! – gritou Márcia. – Já pedi para consertarem as câmeras de segurança há duas semanas, e nada foi feito. Em vez disso, ficamos aqui discutindo o óbvio enquanto os problemas só se acumulam!

– Ah, claro, Márcia, – ironizou Marcos. – Como se não tivesse acontecido um tiroteio dias atrás, não é apenas por falta de manutenção.

– Isso é absurdo! – Márcia respondeu, com o rosto vermelho de raiva. – Não se trata de quem tem razão ou não. É sobre o fato de que estamos todos no mesmo barco, e o barco está afundando. Se vocês não conseguem ver isso, não sei mais o que fazer.

A discussão ficou ainda mais intensa, com vozes se sobrepondo e acusações sendo lançadas de um lado para o outro. A frustração acumulada ao longo dos meses finalmente explodiu, e a reunião virou um campo de batalha verbal.

Dr. James, tentou acalmar os ânimos novamente, batendo na mesa com uma força que fez os outros recuarem em silêncio. – [BAMM] – BASTA! Isso não está ajudando. Precisamos de um plano, e precisamos dele agora. Cada um aqui é essencial para encontrar uma solução. Vamos tentar focar nas ações que podemos tomar imediatamente e parar de culpar uns aos outros.

A sala ficou em silêncio por um momento, enquanto todos respiravam fundo e tentavam recuperar a compostura.

Dr. James levantou-se e pegou um quadro branco. – Vamos listar os problemas principais, e, em seguida, discutir soluções específicas para cada um. Ana, você começa com os problemas que você vê na área médica e de enfermagem.

Ana, visivelmente irritada, deu um passo à frente e começou a escrever no quadro. – Primeiro, as falhas nos sistemas de alarme. Precisamos de um sistema confiável que não falhe em momentos críticos.

– Vou lidar com isso, – disse Marcos, acenando com a cabeça. – Vamos fazer uma auditoria completa dos sistemas de segurança.

Márcia se aproximou. – Além disso, precisamos de manutenção regular e preventiva, não apenas corretiva. Vamos elaborar um cronograma fixo.

– Concordo, – disse Dr. James, anotando as sugestões.

– Concordo, disse a Dra. Ana. – E quanto ao invasor? Ele estava totalmente fora de si, não podemos deixar ele acordar e simplesmente ir embora, sem ao menos uma avaliação psicológica. – preocupada e também muito curiosa.

– Uau! - Dr. John, aplaudiu o que Ana tinha acabado de dizer. – Ótimo ponto! Vamos prestar um atendimento terapêutico para este homem assim que ele acordar.

A conversa continuou, e enquanto a equipe discutia os detalhes dos novos protocolos, o homem sedado continuava a dormir tranquilamente.

De repente, Márcia, que estava relativamente calma até então, virou-se para Ana com um olhar frio e calculista.

— E por falar em comprometimento, Dra. Ana — disse Márcia, com um tom de voz que fez todos na sala pararem e olharem em sua direção — acho que seria bom lembrar que não é só a segurança física que está em jogo aqui, mas também a segurança profissional. Não é mesmo?

Ana sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas tentou manter a compostura.

— O que você quer dizer com isso, Márcia? — perguntou Ana, tentando esconder a apreensão em sua voz.

Márcia deu um sorriso sarcástico, inclinando-se levemente para frente. — Quero dizer que algumas pessoas deveriam ter cuidado com as alianças que fazem... ou com as conversas que têm pelos corredores, especialmente quando certos segredos podem colocar em risco não apenas a segurança, mas também a carreira de alguém.

Os olhares na sala ficaram confusos, e um murmúrio de desconforto se espalhou, o Dr. James franziu a testa, claramente incomodado.

— Márcia, isso não é o momento para... — ele começou a dizer, mas foi interrompido por Márcia, que ergueu a mão, ainda olhando fixamente para Ana.

— Não se preocupe, Dr. James, é apenas um lembrete amigável para todos nós aqui, — continuou ela, sem tirar os olhos de Ana. — Toda escolha na vida, têm consequências, e seria uma pena se alguém tivesse que arcar com elas sozinha.

Ana sentiu o estômago revirar, mas manteve a postura.

— Estou aqui para cuidar dos pacientes e garantir a segurança de todos, como qualquer um de nós — respondeu Ana, firme, mas internamente sentindo a pressão do que Márcia estava insinuando.

Márcia soltou um suspiro e se recostou na cadeira, aparentemente satisfeita com a reação de Ana.

— Isso é tudo o que espero, Dra. Ana — disse ela, com um sorriso que não alcançava seus olhos.

O clima na sala ficou tenso, e todos se entreolharam, sem entender completamente o que acabava de acontecer, mas sentindo que algo mais profundo estava em jogo.

O Dr. James, percebendo o desconforto, decidiu retomar o foco.

— Certo, vamos continuar. Temos muito trabalho pela frente — disse ele, tentando dissipar a tensão.

Enquanto a reunião prosseguia, Ana não podia deixar de sentir o peso das palavras de Márcia, sabendo que essa situação estava longe de ser resolvida.

“Márcia, Márcia… Quem diria que esse seu rostinho humilde poderia ter tanta maldade…” — Ana pensava, com seu coração parecendo que sairia pela boca.

O que Márcia seria capaz de fazer? Mas… porque?

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