Capítulo 3
"Tente resolver o seguinte problema e vamos ver como você se sai", diz ele, deslizando o papel e a calculadora para dentro da gaveta. Sua paciência ainda não se esgotou, mas me sinto mal por não entender.
"Álgebra é um disparate", murmurei, digitando números na calculadora com mais força do que o necessário.
Ela riu baixinho do meu comentário antes de disfarçá-lo com uma tosse, mas mesmo assim eu entendi.
Encaro o problema novamente, pressionando o lápis com muita força. Eu sei a resposta. Ela a escreveu no rodapé da página, mas cada vez que tento, surge algo diferente. Meus olhos ardem de frustração enquanto apago o problema pela terceira vez. Isso é inútil.
Passos me distraem dos meus cálculos. Olho para cima e vejo Roman e Asher saindo do porão com sacolas nas mãos. Meu estômago revira ao ver a porta aberta atrás deles. Eles me disseram que só havia uma academia e uma quadra de tênis lá embaixo, mas eu não consigo descer. Toda vez que tento, sinto uma opressão no peito, como se as paredes estivessem se fechando sobre mim. Margot me disse que isso se chama ataque de pânico e que é completamente normal depois de tudo o que passei.
Roman olha para a mesa coberta com meus exercícios de matemática e depois para mim. Dou-lhe um sorriso pequeno e esperançoso, mas ele não retribui. Meu estômago se contrai enquanto volto a olhar para a calculadora.
"Não seja idiota", murmurou Nolan baixinho. Acho que não devia ter ouvido isso. Grant disse para eles não falarem palavrões na minha frente ou teriam que colocar dinheiro na caixa de palavrões. Eu não sabia o que era isso, mas agora que sei, é engraçado.
Olho para Nolan com um sorriso travesso. — Pote de palavrões.
Ele levanta o olhar, confuso por um instante, e depois revira os olhos. "Você não está falando sério."
—Ah, estou falando sério. Pego uma xícara na ponta da mesa e a deslizo para ela em meio a risinhos.
Easton se aproxima por trás de mim e coloca a mão no meu ombro. Eu nem tinha percebido que ele tinha entrado na sala. "Sério, cara. Vamos lá." Ele pisca para mim, e eu não consigo evitar um sorriso. Fico feliz que alguém esteja do meu lado.
Observo Roman e Asher encostados na parede perto da televisão. Roman parece entediado, e Asher os observa com um leve divertimento. Ele não fala muito, mas não é antipático. Expressa-se com gestos e o olhar.
À primeira vista, os gêmeos parecem idênticos. Mas, observando com atenção, pequenos detalhes os diferenciam. Por exemplo, Nolan tem o cabelo mais cacheado que Asher. E enquanto Asher tem olhos cinza-claros, Nolan tem um olho cinza e um castanho. Outro detalhe é a quantidade de tatuagens que Asher possui. Ele as tem por todo o corpo.
Nolan suspira dramaticamente e tira a carteira do bolso. Ele deixa cair duas notas de cinquenta dólares novinhas em folha dentro do copo.
"Você é especial, Starlight", diz ele em tom de brincadeira, retribuindo o gesto.
Espio lá dentro, com os olhos arregalados. "Não é demais para uma só palavra?" Estou prestes a devolver uma das contas, mas ele nega.
"Se vamos mesmo criar uma caixa de palavrões, tem que haver muita coisa em jogo para que funcione." Ele pega um marcador e escreve "Caixa de Palavrões" na lateral do copo antes de colocá-lo de volta na mesa.
"Não sei o que isso significa", admito, olhando para os dois meninos.
"Isso só significa que você está prestes a ficar rica", diz Easton, estendendo a mão para bagunçar meu cabelo. Eu olho para ele e afasto sua mão com um tapa.
Pelo canto do olho, vejo Roman sair da sala a passos largos. Meu sorriso se desfaz quando olho para Asher, que ainda está encostado na parede. Ele percebe minha carranca e dá de ombros.
"Ei, não se preocupe com ele", diz Easton, percebendo minha expressão de desagrado. "Ele só está de mau humor."
"Mas ele é sempre assim. Será que fiz alguma coisa errada? Se fiz, posso consertar!" exclamei. "Não quero ser um peso para ninguém."
"Roman nasceu com um temperamento difícil. Prometo que você não fez nada", ela me assegura, mas eu não estou convencido. "Vou falar com ele, está bem?"
Murmuro um agradecimento antes de sair da sala com Asher, seguindo Roman.
"Volte ao trabalho, Starlight", interrompe Nolan, e sua voz me tira dos meus pensamentos.
Solto um gemido baixo, recostando-me no sofá. "Preciso de uma pausa. Matemática é um absurdo e me faz sentir burra."
Nolan inclina-se para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, e olha para mim com uma sobrancelha arqueada. "Não é brincadeira, e você também não. Vamos lá, mais um problema."
"Acho que não sou inteligente o suficiente", sussurro, encarando o papel à minha frente. A dúvida nubla meus pensamentos, e as vozes dos meus pais invadem minha mente.
Você não é bom o suficiente para nós.
Ninguém se importa com você.
Você tem sorte de ela ter te dado à luz.
Você me dá nojo, sua garota estúpida.
Suas palavras me magoaram profundamente e, antes que eu percebesse, lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto.
"Oi", diz Nolan suavemente, sentando-se de repente ao meu lado no chão. Seu braço fica pendurado desajeitadamente antes de me envolver pelos ombros. "Não chore. Matemática é difícil para todo mundo. Leva tempo para aprender. Você com certeza é inteligente o suficiente. Por que pensaria o contrário?"