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Alpha Two

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Marie Key
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Notas

Resumo

Após o final em que colocou a separação de suas almas gêmeas em risco, o Alpha retorna para fazer jus ao seu amor e o elo que os mantém preso a eternidade.

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Prólogo

Estiquei os braços para o céu, enquanto eu via com grande visibilidade um raio esticar, a noite se partiu e o manto azul claro mostrava uma fenda de estrelas e uma noite por trás. Segundos antes do meu corpo encostar nas pedras frias, eu aceitei a transição e a mudança de plano, dessa vez, totalmente consciente.

Um tremor tomou o meu corpo e meus olhos foram obrigados a fechar.

Recobrei os sentidos, ou pelo menos foi isso que pensei quando voltei a ter visão. Senti meu peito doer, minha garganta queimar e um sufocamento me tomar. Abri meus olhos com o susto da sensação e me deparei com o azul escuro da água, o frio tomando o meu corpo e o líquido penetrando os meus pulmões.

Eu caí no meio do Atlântico. O mar me mataria afogada, mas meu corpo, por alguma força maior, submergiu. E dessa vez, não era um sonho…

— Cs7 na escuta? — a voz se repetia de novo em minha cabeça.

Um vento forte e frio tomou o meu corpo, alguma coisa me puxava, mas minha vista era um fosco embaçado. Eu fechei os olhos, ouvindo o que parecia um… helicóptero? Não há helicópteros na ilha…

Por que dessa vez não é um sonho? Eu quero acordar, quero ver o rosto do meu filho, quero ver Malekith, esquecer Yôla e…

— Ela está viva! Tem pulso! Pegue a manta térmica! — alguma voz ordenou, enquanto alguém fazia alguma coisa comigo.

O barulho era ensurdecedor, meu peito ardia, o frio me matava aos poucos e eu tinha os olhos abertos, sem nem ao menos enxergar nada. Falaram muitas coisas, mas eram palavras balbuciadas, meus ouvidos estavam tampados. Eu não conseguia responder, presa e perdida em dois mundos, dentro da minha cabeça.

Eu queria ver ele, mas sabia que aqui ele não existia. O que foi mesmo que fiz? O que foi mesmo que aconteceu?

— É um milagre! — ouvi uma voz — Isso vai sair em todos os jornais!

Jornais? Não tem jornais na ilha… Tem penicos, livros de couro surrados, tem Lobos, filhotes…

— Ela está perdendo a consciência! — gritou uma voz — Não deixe ela apagar! Não deixe!

O quão podia ser fantasioso o seu final feliz? Eu fiquei me perguntando se eu estava sonhando alguma coisa. Malekith era um sonho? O Avião? Minha antiga vida era real?

“Uma espada bateu contra o duro de uma rocha, e numa coreografia perfeita, Malekith a girou recitando palavras que eu não conseguia entender e com a força de sua vontade ele a apontou para um céu raivoso, escuro e denso.

O Raio furioso se concentrou no topo de um redemoinho entre as nuvens, criou força e atingiu a ponta da espada apontada para cima. O homem lobo aceitou o baque com fúria, berrou com a intensidade do choque e olhou para o espaço do céu aberto.

Ele atravessou o plano, deixou rastros de fogo na pedra alta e me fez ouvir tua voz.

— Não haverá mundo capaz de separá-la de mim, fêmea!”

Eu abri meus olhos, respirei fundo e percebi o quanto eu estava suando frio.

— Ah, meu Deus! — olhei para o lado e via a mulher se emocionar — Alguém chame os médicos! Ela acordou!

Eu estava confusa, olhava para o “beep” dos aparelhos e vi a mulher passar a mão em minha testa. Quem é ela e aonde eu estou?

— Stella! Stella! — havia uma rapaz, um belo rapaz que, por algum motivo, me beijou, sorriu e depois chorou — Amor, você acordou!

Porque ele não se parecia com ele? Não… Tinha alguma coisa errada com a minha cabeça. Quem era esse povo? Porque eu estou procurando por algo que sei que não está aqui. Mas alguma coisa me chamou a atenção, e eu ouvi a sua voz. Sim, eu ouvi a voz, a voz dos meus sonhos… Olhei para o lado e pude jurar que ouvi.

“— Não haverá mundo capaz de separá-la de mim, fêmea!”

— Malekith! — gritei, tentei me levantar, senti a adrenalina do peito explodir e me lembrei — Zeus! Me levem de volta! Me tirem daqui!

Se assustaram, me seguraram e eu me debati. Gritei alucinadamente por nomes que ninguém ali conhecia, por uma vida que só eu presenciei. Eu berrei, senti alguns corpos me segurarem, uma luz dourada invadir os meus olhos e eu apenas gritar pelo meu retorno.

O Médico me falava alguma coisa, mas eu não conseguia ouvir e nem entender. Aos poucos senti a adrenalina do corpo sumir, a mente se desligar e alguém falar sobre confusões mentais e pós trauma.

Inferno, não havia confusões e nem pós trauma!

“— Não haverá mundo capaz de separá-la de mim, fêmea!”

Eu só pedi que sua voz fosse real. Sedada, na cama do hospital, só me restava esperar. Só esperava acreditar que nosso amor foi tão forte e ral, quanto o plano que dividia nossos mundos.

Me encontre Malekith, e me leve pra casa!