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Capítulo 7: Uma boa surpresa

Os olhos de Sel se arregalaram quando ela o viu, afinal, Anthony não havia sido sequestrado? Não encontravam sinais dele há dias e ela já havia se convencido de que, provavelmente o haviam matado.

Mas agora ele estava bem ali, na sua frente, com o peitoral a mostra e uma grande faixa cobrindo algum tipo de ferimento que estava em sua barriga.

Aquela situação não poderia ser mais aleatória e surpreendente.

Voltando a si, Sel piscou os olhos e o viu dar espaço para que ela entrasse, o que o fez sem pestanejar, afinal, ele tinha muito a explicar. Claro, além de desejar explicações, ela não podia negar, nem por um momento, a vista estonteante que tinha dele enquanto caminhava em direção ao pequeno sofá.

A pele negra parecia reluzir, num tom de marrom que se assemelhava ao chocolate. Sua barba estava um pouco maior, certamente, seja la o que estivesse acontecendo, ele não teve muito tempo para cuidar dela, o que o deixava ainda mais charmoso aos olhos da ruiva. Anthony exibia um sorriso arteiro que ela já havia visto outras vezes, mas nunca direcionado a si, e aqueles lábios curvados num sorriso que mostrava levemente os dentes fazia suas pernas tremerem.

Mas claro, jamais admitiria qualquer uma daquelas sensações, ao menos não pretendia admitir.

— Estão todos procurando você! Seu avô está em pânico com seu sumiço! — o tom da ruiva era acusatório, afinal, se ele estava vivo e bem, porque não havia voltado? — E o que significa aquelas mensagens?

Anthony a encarou por alguns instantes, seus olhos castanhos a analisaram com atenção e, logo depois, ele ergueu uma das sobrancelhas.

— Não me lembrava que você era tão falante — retrucou o moreno, com um ar divertido que só se tornou maior ao notar as bochechas dela se avermelharem de vergonha. — Vou explicar tudo, não precisa ter tanta pressa. Temos tempo, ou não temos?

Sel pensou um pouco, mordendo o lábio inferior por um momento e baixando os olhos. Anthony parecia tão bem, tão leve, se não soubesse que ele havia sido sequestrado e nem estivesse vendo o tom levemente avermelhado da gaze sobre o ferimento, diria que ele estava completamente bem.

Mas não podia se deixar enganar pela personalidade dele, Anthony nunca gostou de preocupar as pessoas, aquilo refletia em seu humor ponderado, mesmo em péssimas situações.

— Só estava preocupada com você — ela resmungou, ainda envergonhada.

— Mandei as mensagens pelo mesmo motivo que ainda não apareci, Sel — começou ele, se sentando no sofá e apoiando o cotovelo em sua perna direita —, alguém mandou que me sequestrassem, não queriam resgate, planejavam me matar… Foi um atentado e eu acho que sei quem fez isso — enquanto falava, tom dele era grave, intenso e sério, muito sério.

Sel o encarou por um instante, confusa, mas logo sua mente se clareou e um nome surgiu em sua mente.

— Roman?— ela perguntou, incrédula.

Claro, a suspeita de Anthony fazia sentido, mas mesmo com todo o gênio péssimo de Roman e tudo o que ela passou nas mãos dele antes de sua "morte", não conseguia imaginar ou acreditar que Roman ordenaria a morte de seu próprio irmão.

"Ele tem ao menos um pouco de escrúpulos, não tem? Roman faria mesmo isso?", as perguntas retumbavam e ecoavam em sua mente, deixando-a ofegante.

— Não acredita que ele possa fazer algo assim? — a voz de Anthony demonstrava uma, e quase imperceptível, nota de decepção.

Ele não sabia porque, mas o fato de Selena se chocar tanto com suas suspeitas o deixava descontente.

Ela confiava em Roman tanto assim?

Ele não sabia, é claro, que Sel conhecia bem Roman Campbell , mesmo ainda surpresa por imaginar que ele pudesse estar envolvido, não duvidaria se Anthony tivesse provas coerentes.

— Quem mais, além dele, teria benefícios com minha morte? — Anthony perguntou, suspirando. — Roman sempre quis o controle de tudo… Não seria ele o principal suspeito?

Sel não disse nada por um momento, apenas suspirou, mordendo seu lábio inferior e olhando para o lado, tentando pensar. Nesse momento, ela se lembrou da primeira vez que falou sobre Anthony com Roman em sua primeira vida.

*LEMBRANÇA*

"Roman parecia inquieto enquanto Sel o encarava com curiosidade. Haviam se casado há somente duas semanas, voltaram de viagem há pouco mais de dois dias e Roman tentava voltar a sua rotina normal, mas Selena gostava de tentar se inteirar sobre a vida dele e essa constante invasão o irritava, mesmo que ele tentasse não demonstrar.

— Vocês nunca se encontram, ou falam direito um com o outro… Seu irmão desapareceu e você não parece se importar… — Selena começou, mordendo o lábio avermelhado, tentando conter sua curiosidade. — Só queria saber o que está acontecendo, Ro.

Seus olhos esverdeados se fixaram nele e, por um momento, ela viu a sombra da irritação tomar o mar negro que eram os olhos de Roman, tamanha irá a assustou, mas ele pareceu conter-se no último instante.

Roman era um mistério, um mistério que Sel queria desvendar. Aos olhos dela, ele se abriria um dia, ela tinha certeza e esperava ansiosamente por este momento, o momento em que finalmente o homem que amava a deixaria entrar em seu misterioso e fechado coração.

Então, Roman suspirou e disse:

— Sele, não o chame assim, Anthony e eu compartilhamos da mesma mãe, apenas isso, eu não o reconheço como meu irmão! — seu tom, apesar de brando, deixava bem claro, de forma ameaçadora, que aquele seria o único aviso que ela teria.

Sel jamais imaginou que proferir a ´ppalavra irmão poderia o deixar tão irado a ponto de demonstrar isso em seu olhar, afinal, os olhos negros de Roman eram sempre tão serenos e inexpressivos.

— Desculpe… — Sel falou, abaixando o rosto, Roman nunca havia sido tão rude com ela. — Só estava preocupada…

— Não se preocupe com coisas que não lhe diz respeito — ele a cortou, suspirando —, se era só isso, estou indo para a empresa.

Roman não esperou que ela falasse qualquer outra coisa, apenas pegou seu paletó, arrumou a gravata e passou por ela rapidamente, sem sequer olhar para trás, a deixando sozinha na sala, culpada e cheia de dúvidas."

***

Naquela época, Sel achava que era normal o fato de Roman ficar tão estressado perante a menção sobre seu irmão, já que ambos não tinham uma relação boa, sequer tinham uma relação. Mas, agora,ela tinha dúvidas se o nervosismo de Roman era apenas por isso ou se era por ele ter alguma ligação com o desaparecimento de seu irmão. Apesar de não saber, naquele dia o inferno em seu casamento começaria e seu sonho de princesa se tornaria um grande pesadelo que a levaria à morte.

Ela esperava não passar por isso naquela vida.

Assim como na sua primeira vida, Sel sabia que Anthony havia sobrevivido agora, mas o que cerceava aquela tentativa de sequestro? Os Campbell seriam realmente os mandantes? Ou melhor, Roman estaria de fato por trás disso?

Ali, olhando para Anthony, ela começava a pensar que ele tinha mais a ver com sua morte do que havia imaginado.

— Eu… Eu nem sei o que pensar — ela começou a falar, ainda um pouco inerte com a lembrança. — Não seria melhor resolver isso com a polícia.

— Polícia nenhuma para um Campbell , Sel, acredite em mim — Anthony falou, então,ele ergueu a mão e tocou a dela, acariciando levemente os dedos de Selena. — Te trouxe aqui porque você é uma pessoa em quem confio, eu gosto de você, Sel…

Aquelas palavras ecoaram na cabeça dela e a ruiva piscou os olhos algumas vezes, inspirando profundamente, tentando não deixar sua garota apaixonada interior fantasiar com aquelas palavrinhas que, se ditas em outra situação, a faria ver estrelas.

Mas concentração alguma impediria as borboletas de levantarem revoada em seu estomago.

— Você é a única pessoa na qual eu confio realmente, só posso pedir ajuda a você — Anthony se aproximou mais, inclinando o corpo em direção a ela e fixando seus olhos nas orbes verdes da ruiva.

Era como um encontro de opostos, o castanho e o verde se encaravam de forma intensa, pareciam querer dizer muito um para o outro, mas nada foi realmente dito, ao menos não naquele momento.

Sel sabia que seria perigoso se envolver em mais problemas, já tinha tantos para resolver, precisava voltar para a mansão e continuar a procurar, a sua vida dependia da resolução daquele mistério.

Mas como poderia não o ajudar enquanto ele a olhava daquele jeito? Enquanto seu cheiro, intenso e com notas cítricas a inebriava totalmente? Anthony não sabia, mas poderia tirar qualquer coisa dela, bastava que a olhasse daquele jeito, que a tocasse com suas mãos quentes.

— Eu… Vou ajudar você! O que quer que eu faça? — ela finalmente respondeu, olhando para ele com um pequeno sorriso.

***

Enquanto Selena estava na parte pobre da cidade às escondidas, Carina estava em seu quarto olhando para Norma com uma expressão de pura raiva. Dias haviam se passado desde que fora enxotada da mansão Campbell e Roman sequer lhe mandou um torpedo.

— Isso é tudo culpa daquela vadia ruiva! — ela gritou, pegando um vaso de flores e o arremessando no chão com toda raiva que tinha. — Roman está enfeitiçado por ela!

O vaso se quebrou em milhares de pedacinhos e Norma se assustou, afinal, jamais havia visto a amiga assim.

— Carina … Mas se ele está ignorando você, ele não te merece! Você tinha que partir para outra — Norma sussurrou, um pouco receosa.

Ambas sempre foram amigas, melhores amigas na verdade, e Norma sempre apoiou Carina em tudo desde o ensino fundamental.

Quando eram crianças, Carina era a garotinha popular dos corredores enquanto Norma era a nerd rejeitada, isso as aproximou de uma forma surpreendente e, com o tempo, se tornaram amigas. A aproximação de Carina mostrou a Norma um novo mundo, um mundo onde as pessoas a aceitavam muito mais e pareciam de fato enxergá-la, o mundo dos populares.

Desse modo, conforme foram crescendo, tornaram-se inseparáveis, Norma por gostar de sua vida pós-Carina , com mais glamour e amizades importantes, e Carina por saber que poderia confiar em Norma além de se sentir ainda melhor e maior ao lado dela sempre. Apesar dos interesses mútuos que as uniram, com o passar dos anos, de fato criaram laços mais fortes que qualquer outra coisa, eram de fato amigas e, se dependesse de Norma, seriam até mais que isso.

Diferente de Carina , que tinha uma beleza padrão americana, Norma tinha traços asiáticos, cabelos lisos e negros, olhos escuros e redondos. Seus lábios eram bem desenhados e cheios, em formato de coração, ela era pequena, gordinha e tinha bochechas fofas e que a tornavam ainda mais simpática.

— Partir para outra? — perguntou Carina , completamente descrente do conselho da amiga. — Eu não quero outra pessoa, Norma, você sabe bem!

Norma apenas suspirou, baixando o rosto, resignada, sabia que nada tiraria Roman da cabeça de Carina se ela não quisesse esquecê-lo.

— Está bem, está bem — ela falou, desistindo de convencer a amiga e olhando para a loira curiosamente. — Mas, se não vai desistir, o que pretende fazer?

Carina deu um sorriso ladino e caminhou até a cômoda, abrindo a última gaveta e tirando de lá uma caixinha com um teste de gravidez. A caixinha já estava aberta e, quando Carina o tirou da caixinha, viu que o teste também já havia sido usado, nele, haviam os traços de um claro positivo que, por um momento, fez o coração de Norma gelar.

“Ela não seria louca de engravidar apenas para segurar um homem, seria?”, Norma se perguntou, nervosa com o rumo daquela conversa.

— Pedi para Prynna fazer o teste por mim, ela já está grávida, então, seria mais fácil — Carina começou a explicar, vendo os olhos de Norma se arregalaram. — Roman jamais deixaria um filho dele sozinho e nem a mãe da criança solteira, ele se casaria comigo assim que soubesse… Por isso, vou contar a ele!

— Mas, Carina , você não está grávida! — Norma falou, completamente chocada com o plano da amiga. — O que pretende fazer depois? E se descobrirem sua farsa? Acha que Roman é idiota? Isso pode acabar muito mal para você!

— Quando eu estiver com Roman, vou ter muitas oportunidades de engravidar e, se não conseguir… Muitas mulheres tem abortos espontâneos, não é? Ele com certeza acreditaria — Carina deu de ombros, guardando a caixinha e o teste.

— Você é impossível, Carina ! — Norma falou, suspirando, decepcionada. — Espero que saiba o que está fazendo…

— Claro que sou! Bem, pretendo falar para ele hoje, inclusive, vou agora mesmo para a mansão, me deseje sorte, Norma!

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