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Capítulo 3: Anthony

Quando Henry e Roman se foram, Selena sentiu a cabeça doer e o corpo pesar, eram tantas coisas acontecendo naquele mesmo dia que ela mal conseguia se manter focada em seus objetivos. Mas ao menos algo de bom havia acontecido, ela estaria na casa Campbell no dia seguinte, então, teria oportunidade de descobrir o que estava por trás de tudo aquilo e de sua morte.

No entanto, ela notou quando a noite chegou e se sentou a mesa para jantar com seu pai, que George estava estranho. Seu pai sempre foi muito falante, os jantares em sua casa eram sempre divertidos e regados a conversa sobre seus dias e acontecimentos que os deixaram chocados, mas, naquela noite, George estava com um olhar triste e completamente calado.

— Pai? Por que está assim? — Sel perguntou, mesmo que já suspeitasse o motivo de seu pai estar tão cabisbaixo.

— Estou preocupado, minha filha — ele começou suspirando pesadamente —, o Sr. Anthony sempre foi tão bom com a gente… Tenho medo que ele não seja encontrado, sabe? Que façam mal a ele como… Deixa pra lá.

Sel uniu as sobrancelhas, curiosa para saber o que seu pai ia falar, mas o suspiro cansado dele foi o suficiente para servir como aviso para a insistência que poderia vir. Sel se levantou de sua cadeira, a arrastando para perto de seu pai e se sentando ao lado dele, encostando a cabeça em seu ombro e fazendo carinho em suas costas.

— Oh, pai… Ele vai ficar bem, tenho certeza que vai aparecer em breve, vamos ter fé! — Sel falou aquilo com toda a certeza que conseguiu, mas, no fundo, ela também tinha esse medo por Anthony. — Agora come pelo menos um pouquinho, você não pode ficar sem se alimentar!

— Tem razão, vamos comer — George confirmou, acariciando o rosto da filha e começando a comer logo em seguida.

Eles estavam jantando sopa com torradas, Selena mesmo havia feito a sopa e seu pai havia comprado as torradas favoritas dela. Era um jantar simples, mas que para eles era o melhor de todos, pois os lembrava muito da época em que a família era composta por três pessoas, quando a mãe de Selena, Annie, estava viva.

— Você é muito gentil, sabia? — George voltou a falar depois de um tempo, sorrindo para sua filha. — É muito sensível da sua parte se dispor a ficar na mansão dos Campbell com Henry, ele está muito abalado pelo neto.

— Não vai ser incomodo nenhum, é até mais perto da faculdade — ela falou, sorrindo. — Você não vai se sentir sozinho?

— Não se preocupe comigo, além do mais, Roman parecia muito empolgado com sua ida para a mansão… Vocês dois… — ele parou a frase no meio, dando um olhar sugestivo para a filha.

Sel estava desconfortável, não pela pergunta do pai, mas por saber que Roman não era quem demonstrava ser, a irritava muito o fato de como ele enganava a todos com sua aparência de bom moço.

— Ah, pai… Eu só o vi umas três vezes na vida — ela falou, tentando soar normal. — Não acho que ele esteja interessado em mim.

— Eu acho... — George retrucou, com a boca cheia de torrada, deixando sua voz meio abafada. — Mas as coisas acontecem no seu proprio tempo.

Depois dessa estranha conversa, os dois começaram a falar sobre coisas do seu dia-a-dia, deixando de lado os tristes acontecimentos do dia para tentar amenizar o clima de desanimo que se instalou na pequena casa. Mais tarde, naquela mesma noite, Selena organizou uma pequena mala para levar para a mansão Campbell no dia seguinte, colocando apenas o essencial, já que pretendia ir em casa ao menos duas vezes por semana para ver seu pai e ficar um pouco com ele.

Durante a madrugada, ela rolou na cama diversas vezes antes de dormir, estava sem sono, ainda eufórica com o rumo que sua vida havia tomado. Naquele momento, começava a duvidar de sua sanidade, afinal, morrer e voltar da morte era algo muito novo. Mas não queria pensar muito nisso, não podia enlouquecer antes de provar sua teoria, precisava mudar seu destino, e para fazer isso ela tinha que ser racional e não se deixar levar pelas emoções.

“Isso foi o que me matou”, pensou Sel virando para o lado e fechando os olhos. “Só espero que Anthony esteja realmente bem…”

Quando seus olhos se fecharam,ela sentiu seu corpo ficar leve e, pouco a pouco, o sono a encontrou, fazendo-a adormecer pouco depois. Mas seu sono já não era tranquilo há muito tempo, então, enquanto se remexia na cama, as memórias tomaram sua mente de modo que ela não podia controlar.

*LEMBRANÇA*

“Roman estava distante desde o beijo e isso a magoava, de fato, Sel acreditou que ele se sentia atraído por ela, mas agora estava culpada, pois, aparentemente havia outro alguém em sua vida.

Ela não conseguia esquecer os olhos magoados e cheios de lágrimas da loira que os flagrou enquanto se beijavam intensamente. A primeira coisa que sentiu foi a vergonha, que a fez corar e querer se esconder eternamente. Depois disso, sentiu raiva, uma raiva que não cabia em si.

Roman estava a usando enquanto se envolvia com outra mulher? Aquele era o tipo de homem que ele era?

Talvez, por isso ele estivesse se mantendo distante, ao menos era o que Selena achava naquele momento.

Fazia uma semana desde que o beijo havia acontecido e ela mal o via, porém, naquela noite, algo mudou. Henry havia saído numa viagem de negócios e ela estava praticamente só na mansão, já que os empregados mal interagiam com ela e Roman não estava ali.

Mas se viu surpreendida quando, depois do jantar, alguém bateu à sua porta. Sel amarrou o robe marsalla que estava usando e ajeitou os cabelos avermelhados, caminhando até a porta do grande quarto e a abrindo, encontrando os olhos escuros de Roman do outro lado, encarando-a.

Quando o viu ali, seu primeiro instinto foi fechar a porta mas ele foi rápido o bastante para colocar o pé e empurrar a porta com o braço esquerdo, entrando no quarto sem pedir permissão e fechando a porta, ficando na frente desta.

Sel o encarou com irritação, cruzando os braços sobre o peito e se virando de costas, ela se recusava a olhar para ele. Sabia que não tinham um relacionamento, mas ser usada enquanto ele estava com outra era algo que não poderia perdoar.

— Sele… Eu posso explicar o que aconteceu — começou Roman, sem se aproximar demais, apenas suspirando ainda de longe. — Não tenho nada com aquela mulher… Já tivemos um envolvimento um dia, mas isso aconteceu há muito tempo, nós terminamos, mas ela não desistiu de mim e continua me perseguindo… Eu não queria que você pensasse mal de mim, mas a única coisa que pude fazer foi resolver as coisas com ela novamente antes de vir falar com você.

Enquanto ele falava, Selena sentia o coração acelerado, então ele se importava mesmo com o que ela pensava sobre ele? Se importava com a opinião dela?

Sel se virou, ainda com os braços cruzados, seus olhos claros se conectaram com a imensidão negra dos olhos dele e ela sentiu o coração errar uma batida. Jamais se imaginou apaixonada por Roman, afinal, seu crush Campbell sempre foi Anthony… Mas será que Roman estava conseguindo um espaço em seu coração depois de todas aquelas mudanças?

— Me desculpe por isso, Sele — ele falou novamente, sua voz era rouca, intensamente sentimental, ele falava baixo, como se confessasse um segredo. — Tive medo de vir antes, medo que não olhasse para mim e…

Vê-lo se declarar de forma tão sentimental, ver a fragilidade em seu olhar, aqueceu seu coração de uma forma que ela não esperava.

— Por que se importa tanto com o que eu penso de você? — Selena perguntou, descruzando os braços e se aproximando. — Achei que só se casaria comigo para me ajudar… Sente alguma coisa por mim Roman?

***

Na parte mais pobre da cidade, às 03h45min

O homem estava amarrado numa cadeira.

Sua pele negra estava suada, suas roupas estavam sujas e ele estava amordaçado. Ele tinha cabelos baixos, num corte estilo militar, seus fortes braços estavam tensos, assim como seus ombros largos, que estavam empertigados para trás, deixando o peitoral musculoso estufado para frente.

Anthony inspirava e expirava de modo ofegante, estava preso naquela cadeira há horas e sequer se lembrava direito de como havia chegado até ali. Lembrava-se vagamente que quando saiu da empresa e não encontrou George, caminhou até perto da saída leste do estacionamento, acreditando que ele estaria lá, mas não o encontrou. Estava preocupado, afinal, seu motorista e amigo nunca se atrasava, George sempre foi muito responsável e pontual. Até teve medo que algo houvesse acontecido com a filha dele, pois esse era o único motivo plausível que ele conseguia imaginar para o atraso do motorista.

Porém, quando se distraiu por um momento, pegando seu celular para tentar falar com George, cerca de quatro homens o surpreenderam, colocando um saco preto em sua cabeça, limitando sua visão. Anthony ainda conseguiu acertar um deles, mas eram muitos e, mesmo que ele fosse forte, não era o bastante para conseguir vencer quatro homens, principalmente quando sentiu o cano gelado da arma em suas costas.

Agora, preso, sem conseguir ver ou falar, ele se sentia nervoso. Tinha certeza de que conseguiria sair havia tido horas o bastante para confabular um plano de fuga. Não sabiam quem eram seus sequestradores, mas sabia que eles não eram tão experientes, afinal, apesar de suas mãos estarem bem presas, suas pernas estavam soltas e, considerando que ele era um homem de quase 1.98 de altura e tinha um corpo composto por muitos músculos,aquela não era a decisão mais inteligente a se tomar.

Ficou ali parado por horas, não gritou ou chamou por ajuda. Escutou com atenção as vozes dos sequestradores, chegando à conclusão de que eles pareciam ser jovens e que, definitivamente, não estavam agindo sozinhos, não eram os ideaSel dores daquele circo. Assim que descobriu isso, ele teve certeza de que suas suspeitas de que estava sendo seguido não eram falsas, estava certo o tempo inteiro e, mais uma vez, a vida lhe provou que ele precisava confiar mais em seus próprios instintos.

Anthony começou a tentar soltar suas mãos, mas parou de se mover no exato momento em que ouviu passos. Pouco depois, ele ouviu a porta se abrir pesadamente com um ranger de metal. Com ouvidos atentos Anthony contou a quantidade de passos que levaram até que o sequestrador chegasse até ele e calculou de forma bem básica, uma estimativa de quantos metros havia entre ele e a porta.

Quando o homem se aproximou, ele sentiu uma mão pesada agarrar a mordaça e puxá-la com brusquidão, liberando sua boca, mas ele se manteve em silêncio, calcular bem o que iria falar era importante e talvez suas palavras fossem o detalhe crucial.

— Que foi, playboyzinho? Tá com medo? Não consegue ligar para o vovô? — o homem provocou, rindo logo depois com sarcasmo. — Escuta, vamo te entregar assim que sua família de merda pagar o que a gente pedir, caso contrário, tu vai acabar numa vala, entendeu?

— Entendi… — ele respondeu, quase como um rosnado, tentando se manter passivo até o momento certo.

— Isso mesmo, é assim que tem que ser, riquinho de merda — o sequestrador acertou a nuca dele com um forte tapa, mas que não doeu tanto quanto deveria, já que Anthony estava com o sangue quente e isso o fazia mais resistente. — Seu vovô vai ar uns bons milhões por você! Oh moleque, fica aqui com quele!

Depois disso, o homem que falava com Anthony se foi e, em seguida, um outro entrou. Os passos dele eram mais curtos e mais fracos, com isso, Anthony deduziu que ele era menor. Os ouviu cochichar algo e percebeu que a voz do novo sequestrador também era mais baixa e trêmula, ele parecia estar nervoso e ser muito jovem, provavelmente ele era o elo mais fraco daquele grupo e essa seria a oportunidade dele se livrar.

O outro sequestrador saiu dali e os deixou sozinhos, mas não amordaçaram Anthony novamente e isso lhe deu uma vantagem. Nos primeiros minutos, ele ficou em silencio, ouvindo os sons do local até que concluiu que estavam de fato sozinhos.

— Garoto — ele falou, com uma voz firme e grave, claramente não estava nem um pouco intimidado. — Eu sei que você está ai, conseguiria te ouvir respirando mesmo que estivesse do outro lado da porta.

A fala dele deixou o rapaz ainda mais nervoso. De fato, era um garoto baixinho, usava uma máscara preta para ocultar o rosto e era magro, não deveria ter sequer 18 anos. Ele estava de fato nervoso tanto que quando finalmente ouviu a voz de Anthony, quase pulou do canto onde estava sentado.

— O-o que é? — gaguejou o rapaz, tentando manter a voz firme mas falhando miseravelmente. — Não fale comigo!

— Sabe que está destruindo tua vida, ne? — ele começou, tentando distrair o garoto enquanto, discretamente, começava a afrouxar as cordas de suas mãos. — Isso não vai acabar bem pra nenhum de vocês, mas tu parece muito novo pra esse tipo de coisa…

— Você não sabe de nada da minha vida! — o garoto estava começando a se agitar.

Desde o momento em que avisaram que ele tomaria conta do pacote por algumas horas sozinho, ele sabia que aquilo não daria certo. Havia tentado convencer seus companheiros a desistir daquela ideia, mas nada adiantou, eles estavam convencidos de que Anthony era apenas um riquinho e que isso não iria ser tão difícil, já que playboys como esses não costumavam dar trabalho.

Só não imaginavam que ele era um homem tão alto e forte, nem pensaram na possibilidade dele tentar fugir.

Anthony ouviu o garoto resmungar e, nesse momento, conseguiu soltar as mãos devagar.

— Se você me ajudar eu vou salvar tua pele — ele voltou a falar, inspirando profundamente. — Não precisa acabar com sua vida desse jeito.

— Cara… Eu não posso, vocês ricos não entendem o que a gente passa! — a fala dele era uma mistura de ódio e medo. — Só ligam para o próprio umbigo e…

— Acha que eu sou um riquinho de merda? Eu vim do mesmo lugar que vocês — Anthony o cortou, então, rapidamente, soltou as mãos de uma vez e se levantou, arrancando a venda e mantendo as mãos altas. — Não sei do que tu tá precisando nem por que acabou metido nessa merda mas tu é muito novo pra isso moleque, seus parceiros não estão aqui, se der merda você é o primeiro a ir preso e se entregar eles você tá morto na cadeia.

— Acha que eu não sei disso?! Por isso você vai sentar aí e ficar quieto! — gritou o menino, tirando uma arma da cintura e apontando para ele.

Mas Anthony não se assustou, ele sequer se sentiu nervoso, sabia o que estava fazendo.

— Vamo, cara… Me dá isso — ele estendeu a mão para a arma, dando alguns passos em direção ao menino. — Eu posso te ajudar, ajudar tua família, mas a gente não tem tempo não, tem que ser agora.

— Você não sabe nada sobre minha família!

— Sei que você não estaria fazendo isso se não fosse por algum motivo muito importante! Olha pra você… Tu não tem jeito de bandido. Pelo menos sabe usar essa arma? — ele tinha certeza do que estava falando, afinal, diferente do primeiro sequestrador, o garoto ali na sua frente nem segurava a pistola direito, Anthony tinha quase certeza de que ele nem sabia destravar a arma.

Ele percebeu o menino pensar um pouco e a mão dele vacilou, abaixando devagar a arma, tremendo descontroladamente.

— Eu to muito fodido! — o menino voltou a chorar e, mesmo com a máscara preta, Anthony podia ver, pelos dois buracos que deixavam os olhos à mostra, as lágrimas dele. — Cara eu não queria isso, eu juro!

— Não vou fazer nada, só preciso sair daqui, eu te levo comigo! — ele disse, tentando soar o mais convincente possível.

O garoto estava desesperado, sabia que já tinha chegado longe demais e tinha certeza de que, se Anthony decidisse partir para a briga, ele não conseguiria contê-lo e poderia acabar morrendo. Então, devagar, estendeu a arma para o homem enorme a sua frente.

Anthony pegou a arma e destravou ela, olhando para o menino e assentindo, fazendo sinal com a cabeça para a porta.

— Vem, eu tava falando sério — ele disse, então saiu andando.

Sabia que era arriscado, mas sua palavra era uma só e ele conhecia o medo e o desespero da fome e da falta de dinheiro, então, jamais poderia deixar o garoto naquela situação, principalmente por saber que os parceiros dele provavelmente o matariam caso ele estivesse ali quando chegassem.

Rapidamente e sem olhar para trás, ele seguiu por um estreito corredor e percebeu que estava em um galpão pequeno com paredes de ferro que suspeitou ser um contêiner. Não demorou para encontrar a porta e, quando a abriu, era exatamente o que achou. O pequeno galpão era organizado dentro de um contêiner que estava entre milhares de outros, era o esconderijo perfeito, quem procuraria um cativeiro ali?

Ele ouviu os passos atrás dele e saiu correndo, sabendo que o garoto estava o seguindo. No exato momento em que saíram e se distanciaram entrando no meio dos outros vários contêineres, as vozes do resto do grupo chegaram aos ouvidos de Anthony e ele acelerou a corrida. De longe, ouviu alguém xingar e assim soube que eles começariam a procurar, mas antes que ele pensasse em algum plano de fuga, o garoto passou em sua frente.

Agora ele estava sem máscara, era realmente muito jovem, tinha uma pele clara um pouco queimada pelo sol, cabelos com cachos grossos que iam até o ombro e um de seus olhos tinha uma camada leitosa sobre a íris, provavelmente ele era cego daquele olho.

— Vem, eu tenho um carro ali! — sussurrou e Anthony não hesitou em segui-lo.

Os dois correram em direção à saída leste do aglomerado de contêineres e, assim que chegou ali, ele viu uma caminhonete velha que, por um momento, acreditou que não ligaria. Porém, o menino entrou nela rapidamente e, com as mãos tremendo, encaixou a chave na ignição e girou, dando a partida no exato momento em que um dos homens gritou.

— Ali, ele tá ali! — a voz chegou aos ouvidos do menino que, em desespero, pisou no acelerador no momento exato em que ouviu um tiro.

— Tira a gente daqui! — Anthony falou, então, colocando metade do corpo para fora pela janela, ele começou a atirar de volta.

Seus tiros chegaram a acertar um dos sequestradores e, enquanto a caminhonete se distanciava, ele viu outros dois aparecendo, todos sem máscaras. Ele gravou bem o rosto deles e, quando voltou para dentro do carro, sentiu uma dor aguda em sua barriga. Seus olhos foram direto para sua camisa, agora encharcada de sangue.

Ele havia levado um tiro.

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