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"Srta. Antonelli, dezoito anos de idade, trabalha no café da cidade, rostinho de anjo e filha de um filho da puta miserável que sofrerá em minhas mãos. Muito bem, querida." Murmuro friamente enquanto delicio-me com seu choque de reconhecimento.
"Você é... Eu conheço você! Aí meu Deus!" Ela exclama atônita em confusão.
Após isso um momento de silêncio se segue e eu observo ela me encarar intensamente, em seguida ficar inquieta na cama. Após alguns segundos senti ela respirar fundo tentando se recompor.
"Você é o Joseph? A Lenda Joseph?" Ela pergunta-me baixinho com a voz entrecortada.
"Ainda não sei por que você entrou na minha casa." Fito seu semblante perturbado e ela não me parece ser como o pai, sinto nela o que há muito não sinto em alguém, a bondade e pureza.
"Isso tudo é culpa dos meus pais. Nem eu sei exatamente o que está acontecendo." Ela fala baixinho e começa a chorar, sentando-se na cama ela dobra seus joelhos e os abraça. "Você vai me matar? Pode ir em frente..." Ela sussurra e chora. "Ou não, por favor não me mate, eu preciso cuidar dos meus irmãos, quando meus pais forem para a cadeia."
"Surpreende-me que você pense que sou um assassino." Resolvo brincar com ela.
"Não é o que dizem sobre a pessoa que mora aqui?" Ela indaga com o rosto baixo.
"Não acredite em tudo que você ouve, querida." Digo e ela me olha com brilho nos olhos, talvez um rastro breve de esperança.
"Então você não é um assassino?" Ela pergunta e eu finjo ponderar por um segundo.
"Nesse caso, o que dizem é extremamente verdade." Falo e vejo seu rosto perder a cor.
"Por favor, eu posso explicar!" Ela exclama assustada com lágrimas nos olhos. Sinto-me inquieto e estranho, suas lágrimas moveram algo dentro de mim, pude sentir uma dor agora como se um membro meu saísse do lugar e voltasse.
"Então comece. Estou disposto a ouvi-la." Falo afim de brincar mais um pouco.
"Eu vou resumir. Meus amigos fizeram um festa, na festa teve uma brincadeira, nessa brincadeira, verdade ou consequência, eu escolho verdade, escolhendo isso uma garota me disse alguns segredos sujos do meus pais, isso iria destruir nosso nome, não que eu me importe com eles se eles forem mesmo culpados, o que me dói são meus irmãos, somos em seis, eu sou a mais velha e sinto-me na obrigação de protege-los, até mesmo dos próprios pais. Portanto eu não queria que isso fosse revelado e então fui desafiada a entrar aqui e ficar por duas horas, levando em consideração tudo que falam sobre você, era mesmo um desafio, e eu aceitei, aceitei pelos meus irmãos inocentes que não tem culpa de nada." Ela explica e depois explica novamente, a meu pedido, com mais detalhes desta vez. Incluindo a informação que eles pretendiam vender a própria filha.
Enquanto me contava, Emília, ela me contou seu nome mesmo eu já sabendo sobre ele, disse-me tudo em lágrimas, pude ver através de seus olhos e senti que ela realmente era diferente dos pais. Agora sinto que minha raiva por Emílio tornou-se em satisfação, eu já sabia sobre tudo que ela contou-me agora, e sei muito mais, coisas que não convém a ela saber. Posso usar sua filha para brincar com ele, como forma de vingança, e assim depois, posso matá-lo quando souber o que fiz com sua menina. Se é que ele se importe com alguém.
"Eu quero te contar um segredo, Emília." Sussurro e me aproximo dela na cama. "Eu não vou matar você, pelo menos não agora. Mas o seu querido papai, e sua querida mamãe, já não posso dizer o mesmo." Falo e ela fecha seus olhos com uma expressão de dor.
"Por favor, eu imploro que não os mate, tudo bem eles erraram, mas vão pagar na cadeia, apesar de tudo eu os amo e não posso conviver sabendo que estão mortos, por favor senhor." Ela implora e em um momento ergue as mãos para tocar em mim, rapidamente me afasto.
"Sou eu quem não posso conviver em uma cidade onde eu sei que existem pessoas que matam e vendem crianças sem piedade. Uma coisa que você não deveria ter por eles também." Falo friamente andando de um lado para o outro observando uma pequena faca em minhas mãos.
"O que você é? Uma espécie de justiceiro?" Ela indaga com os olhos tristes.
"Chame como quiser, querida. Ao contrário de seus pais, eu mato apenas criminosos e assassinos, não busco a compreensão de ninguém, faço porque gosto. Quem lucram são as pessoas de bem que se livram do mau. Graças a mim." Falo e me aproximo novamente de seu pequeno corpo.
"Será que não existe nada que eu possa fazer para você não matá-los? Eu pesquiso sobre alguém, eu sou muito boa em computação, eu conheço muitas pessoas no café, você quer dinheiro? Eu tenho dinheiro guardado, é para minha faculdade mas eu te dou tudo se você quiser, só imploro que não me mate nem mate os meus pais, por favor, por favor!" Ela me olha com súplica e em suas palavras há dor, percebo que sua garganta dá um nó e seus músculos estão tensos.
"Sinto em dizer-lhe Srta, mas eu tenho mais dinheiro do que toda essa cidade junta, ou seja, dinheiro não enche meus olhos." Seus olhos perdem a cor e ela morde os lábios em frustração.
"Então o que irá acontecer agora? O que irá fazer comigo? Se meus pais morrerem, eu saberei que foi você." Ela fala e eu sinto ao longe uma gota de desafio e raiva em sua voz.
"Qual é o seu objetivo? Liberar seus pais da morte e colocá-los na cadeia?" Pergunto encarando-a.
"Sim." Ela murmura.
"Isso não irá acontecer, você não sabe nada sobre justiça, geralmente só os pobres perdem, os ricos compram a liberdade. Digo-lhe isso porque sou um homem experiente, querida. Poupe-se do trabalho inútil." Vejo em seus olhos o rastro de esperança morrer.
"Meus irmãos são crianças inocentes, você não se importa com isso?"
"Meu coração raramente sangra por algo, Srta." Vejo ela afastar uma mecha castanha de seu lindo rosto. Ela é maravilhosa, deleitável e está tremendo de leve, gosto de ser o responsável pelo efeito. Sinto que a cada segundo a minha vontade de tocar essa pele alva e macia cresce e eu não consigo controlar.
"Será que não existe nada que possa tentá-lo?" Ela pergunta e eu gosto de sua insistência. Observo seus lábios com calma e tenho a ligeira vontade que se torna permanente de me deliciar com esses lábios bonitos e desenhados.
"Na verdade, Srta Antonelli, existe algo, para ser mais exato esse algo começou a existir a poucas horas." Seus olhos saltaram em atividade e ela deu um leve sorriso.
"Sério? E o que seria? Se eu puder fazer, eu farei. Tudo o que for preciso." Ela fala eufórica.
"Você." Falo em tom suave e ela pisca várias vezes na minha frente.
