Capítulo um
A noite estava densa e silenciosa, como se o mundo inteiro contivesse a respiração à espera de algo sombrio e inevitável. As ruas desertas da cidade estavam molhadas pela chuva que caía há horas, refletindo as luzes distantes de postes solitários. Em um beco escuro, abafado entre prédios velhos e desgastados, um som cortava o silêncio da madrugada: o choro desesperado de um recém-nascido.
Ninguém sabia de onde o bebê havia vindo, nem quem o deixara ali. O pequeno corpo, enrolado em panos sujos, tremia no frio da noite. Seus gritos ecoavam no beco vazio, tão fracos e vulneráveis, como se lutasse contra o próprio destino. Aquela criança não era comum. Seu nascimento não fora celebrado com amor, mas marcado por um segredo obscuro que ninguém ousava revelar. O menino carregava em seu sangue uma maldição antiga, uma herança esquecida por gerações — a linhagem dos lobisomens.
Abandonado no mundo como se não tivesse lugar entre os vivos, a criança estava fadada a um futuro sombrio, onde o destino e o sobrenatural se cruzariam.
Foi então que Evy uma mulher bondosa que vivia nas redondezas, ouviu o choro vindo das profundezas daquele beco. Saindo de sua pequena casa, ela seguiu o som até o local, movida por um instinto que nem ela mesma compreendia. Ao encontrar o bebê, frágil e sozinho, seu coração se apertou de compaixão.
— Quem te deixaria aqui, pequenino? — murmurou Evy, ajoelhando-se olhando para o pequeno que chorava a todos pulmões.
_Minha nossa você está todo molhado, cadê sua mãe?
O bebê chorava e tremia de frio. Quando Evy colocou o dedo indicador sobre os lábios do pequeno e chupava com fome.
_Pobrezinho está com fome né. Como a vida foi cruel conosco né meu anjinho. Você um recém nascido e eu uma pobre velha que não tem mais leite para amamentar, a vida foi egoísta com nós dois. Venha meu menino, vou cuidar de você.
Evy pegou o menino e o aninhou sobre seu peito fazendo ele parar de chorar.
9 anos depois.
Castiel não se lembrava do dia em que fora deixado naquele beco frio. As lembranças de sua infância começavam com o calor da voz de Evy, a bondosa mulher que o resgatara e lhe dera tudo o que tinha: um lar, comida e, acima de tudo, amor. Para ele, ela era sua mãe, mesmo que jamais tivessem compartilhado o mesmo sangue.
Evy era uma mulher de idade avançada, de mãos calejadas pelo trabalho na cozinha, mas sempre com um sorriso no rosto. Ela passava os dias assando pães e bolos em sua pequena casa modesta, sustentando ambos com sua habilidade na culinária. Quando Castiel completou 10 anos, ela começou a lhe confiar a responsabilidade de vender seus pães pela cidade. Ele ia de porta em porta, levando uma cesta cheia de delícias que as pessoas amavam. Embora fosse tímido no início, logo descobriu que sua voz e seu carisma natural encantavam os clientes.
Ele tinha um dom especial. A música fluía naturalmente por ele como uma segunda natureza. Não havia instrumento que ele não pudesse tocar depois de ouvir apenas uma vez, e sua voz era doce e poderosa, como se carregasse algo divino. Evy sempre dizia que ele tinha o dom dos anjos.
Naquele dia específico, Castiel voltava para casa depois de vender todos os pães e bolos. Suas roupas estavam levemente sujas da poeira da rua, mas ele sorria. Muito feliz pois ele havia vendido todos os pães aquela tarde.
Ele chegou gritando de alegria para sua mãe e com alguns dólares na mão, guardando como fosse sua vida .
