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Capítulo 11 - Olhos Famintos

Berlim- Alemanha.

Uma das melhores sensações quando se trabalha em equipe, é que você nunca está inteiramente sozinha e isso me deu ainda mais confiança para seguir com minha missão ali.

Eu adentrei as portas da mansão dos Ritter sozinha, mas sabia que John e sua equipe estavam comigo. Me senti bem com a sensação, fazia tanto tempo que não tinha um apoio que havia me esquecido como era.

Assim que alcancei o grande salão coberto por pinturas e artefatos, meus olhos treinados pousaram no homem que me deu um aceno de cabeça discreto. Era o agente da CIA que o capitão disse que enviariam.

O lugar estava cheio de pessoas da nata alemã e de outros países conforme previmos. Procurei discretamente por Luke quando a voz do Hunter surgiu em meus ouvidos.

— Alguma ideia de onde o alvo possa estar?—ele pergunta no comunicador.

— Provavelmente em um dos quartos com alguma gostosona — respondi mecanicamente.

—É noite de sexta, pelo menos alguém tá se dando bem.

—Deixem a comunicação livre - a voz sexy e firme do capitão surge me fazendo sentir um arrepio repentino—Ele estará onde o dinheiro está, espere, ele vai aparecer.

Levantei minha cabeça e caminhei graciosamente pelo salão, reparando nos olhares masculinos sobre mim. Nesse tipo de missão eu sabia que estava no caminho certo quando causava essa reação.

Parei em frente a um quadro e fingi interesse pelo objeto quando percebi o garçom se aproximando.

— Akzeptierst du ein Getränk?

Confirmei, balançando a cabeça, enquanto aceitava a bebida — Ja, vielen Dank.

— Caralho, ela fala alemão? — Hunter berrou no microfone.

— Acalme-se, tenente — o capitão o reprimiu.

Evitei rir tomando um gole de champanhe. A bebida tinha gosto de perigo e eu adorava essa sensação.

As pessoas na sala pareciam se divertir e davam lances nas antiguidades que eram exibidas no centro da sala, enquanto eu observava atentamente cada movimento.

— Algum sinal? — a voz ansiosa de Hunter encheu meu ouvidos novamente.

—Não — murmurei contrariada —E você ficar perguntando a cada dois minutos não vai fazer ele aparecer.

— Sim, senhora.

— Hunter, fica na sua e deixe ela trabalhar — o capitão advertiu.

Outro arrepio, meu corpo está começando a me irritar.

Continuei me arrastando pelo salão quando o homem jovem de cabelos e olhos claros desceu as escadas. Era Luke Ritter, meu alvo.

— Ele está aqui — eu informei discretamente

— Ótimo, continue se movendo- o capitão ordenou-A inteligência confirmou que ele recebeu um pacote carregado de informações sigilosas. Se a idéia era de entregar a Stein durante a festa, você precisa interceptar antes.

Fixei meus olhos na obra de arte à minha frente enquanto tomava mais um gole da bebida em minhas mãos. Minha visão periférica o flagrou olhando para minha bunda, enquanto caminhava em minha direção.

— Sehen Sie etwas, das Ihnen gefällt? "Vê alguma coisa que te agrada?" — ele perguntou interessado.

— Ja, viele Dinge hier gefallen mir. "Sim, muitas coisas aqui me agradam" — respondi com um sorriso amigável.

— Americana? —ele perguntou sorrindo.

— Prefiro pensar que sou mais inglesa—respondi o deixando aparentemente confuso—Na verdade é mais simples do que parece. Meu pai é americano e minha mãe britânica, tenho mais empatia pelo segundo país.

— Bem, americana ou inglesa, você é linda de qualquer jeito — ele respondeu enquanto seus olhos fixaram em meu decote.

Homem sendo homem em qualquer parte do mundo.

—Oh, senhor Ritter — eu passei as mãos sensualmente pelos cabelos — Isso foi muito gentil.

Eu tinha que admitir que o burocrata inimigo além de sofisticado era bem bonito e sua mansão de excelente bom gosto assim como as obras que ele colecionava.

—Eu não quero ser indelicado, mas está acompanhada? Marido, namorado?

—Estou sozinha esta noite - eu sorri sensualmente — Ainda não encontrei o homem certo.

— Talvez eu possa ajudar com isso— ele respondeu ainda com os olhos fixos no decote, quase me fazendo revirar os olhos.

— Tenho certeza que você seria muito útil - eu disse me aproximando o suficiente para encontrar seus olhos.

Ele sorriu e havia malícia em seu olhar — Se vier comigo posso te mostrar minha coleção de obras de arte preferida.

Voilá!

Começamos a caminhar rumo as escadas, mas antes que pudéssemos subir, um de seus seguranças o chamou.

—Só um instante, eu já volto — ele alcançou os homens que pareciam lhe dar instruções sobre algo.

—Merda!

—Fale comigo tenente, o que houve?—o capitão perguntou.

— Alguma coisa aconteceu, os seguranças parecem bem agitados.

— Acha que fomos comprometidos?

—Eu não sei, mas não parecem se importar comigo, alguém aqui chamou a atenção deles.

Por um momento pensei que seus homens o alertavam sobre mim, mas assim que os vi olhando para o outro lado do salão tive certeza que não. Meus olhos acompanharam atentamente os movimentos de Luke e seus guarda-costas até o hall de entrada onde os perdi de vista.

— Ich hoffe du genießt die party.

"Espero que esteja aproveitando a festa"

Uma voz surgiu à minha esquerda, provavelmente outro homem tentando levar uma turista para a cama. Movi minha cabeça em sua direção e reconheci imediatamente o rosto do homem de meia idade com cabelos e olhos escuros e sombrios. Era Adler Stein o líder da Célula.

Meus olhos rapidamente percorreram todo o salão em busca do agente da CIA, sem sucesso.

Mas onde diabos ele se meteu?

—Ja, ich liebe es.

"Sim, eu estou adorando" — eu sorri gentilmente.

—Uma pena um garoto como Luke não saber apreciar uma companhia como a sua — ele disse enquanto se posicionava à minha frente me encarando. Seus olhos e semblantes eram sombrios e sua figura bem intimidadora.

—Parece que houve um pequeno problema e ele teve que resolver.

—Que garoto estúpido—ele sorriu — Ele a deixou na jaula para ser devorada pelos leões. Todos os homens nessa sala olharam famintos para a senhorita a noite toda.

— Acho que posso lidar com isso — eu retribuí o sorriso enquanto meus olhos buscavam pelo agente, que resolveu desaparecer sem concluir sua maldita missão.

— Diga-me senhorita, porque não está dando lances? — Stein perguntou olhando descaradamente para meus seios.

— Estou esperando a antiguidade certa.

—Tenente, o que está acontecendo? Estamos detectando assinaturas de calor pesado por todos os lados — a voz do capitão surgiu em meus ouvidos me causando certo desconforto já que Stein estava bem próximo de mim agora.

—Tenente, fale comigo!

Eu estava no escuro. Tinha perdido meu alvo de vista e o alvo principal, o verdadeiro motivo de toda essa armadilha estava bem aqui na minha frente e eu não podia pegá-lo.

Eu não podia sequer pensar em mover meus lábios para responder sem ser comprometida e não fazia ideia a quanto tempo Stein estava me observando. Ele era esperto e ardiloso e talvez já soubesse quem eu era desde o momento que entrei aqui. Era bem provável que estivesse no controle da situação e a maneira que ele sorria me confirmava isso.

—Já conheceu o jardim da mansão, senhorita...?

—Sarah.

— Aceite meu convite e venha dar um passeio comigo Sarah, a noite está bem agradável.

Eu não sei o que a inteligência estava tramando, talvez esperando ele sair ou ficar vulnerável. O fato é que, se eu ficasse sozinha com Adler Stein eu mesma teria a chance de pegá-lo. Por outro lado, além de desobedecer uma ordem direta já que meu alvo era outro, eu ainda poderia ser pega se o homem já soubesse quem eu era.

— Eu realmente gostaria de dar um lance em um quadro — eu respondi amigavelmente.

Ele se aproximou e sussurrou em meu ouvido — Minha querida, temo que haja uma armadilha montada aqui e eu odiaria que você fosse pego nela.

Antes que pudesse responder qualquer coisa, a mansão estremeceu seguido por estrondos altos e ensurdecedores que vinham de todos os lados.

Pedaços do teto e parede começaram a desabar. Eu tropecei e caí no chão com força, engatinhei para baixo de uma mesa enquanto procurava o maldito psicopata.

—Merda! O desgraçado explodiu o lugar —eu avisei pelo microfone.

— Tenente, você está bem? — o capitão perguntou preocupado.

—Sim, estou bem—respondi enquanto meus olhos saltaram na direção de Stein—Ele está fugindo, eu vou atrás dele!

— Não! Cancele imediatamente!

—Senhor, estamos sem nada! Eu perdi o garoto e o agente que designaram para o alvo principal não está aqui — eu disse enquanto atravessava o salão tentando alcançar Stein.

— Samantha, isso é uma ordem, você não tem permissão...

Foda-se!

Eu desliguei o comunicador. Sabia que esse ato rebelde teria consequências já que eu não segui as ordens de abortar a missão. Mas nem ferrando que eu ia desistir, não agora que eu estava tão perto.

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