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Capítulo 1

— Renata.

— Meu Deus, Renata, não acredito que o verão está quase a acabar e tu não te divertiste.

Micaela revirou os olhos e atirou o telemóvel para a cadeira com raiva.

Levantei os olhos do caderno, deixei-o de lado e observei-a do outro lado da sala. —Diverti-me imenso — disse simplesmente, antes de decidir dar mais detalhes. — Fizemos escalada e fomos ao cinema várias vezes — defendi-me.

Micaela zombou enquanto se aproximava de mim e se sentava na beira da minha cama. — Não estou a falar desse tipo de diversão, parva — disse ela, enquanto os seus olhos verdes encontravam os meus.

— Refiro-me a um momento de pele com pele, sensual e bastante divertido — sorriu, olhando para mim com malícia.

Mordi o interior dos lábios, sentindo as bochechas a corar. Desviei o olhar, mas Micaela segurou-me a mão, exigindo a minha atenção. Lambi os lábios e tentei cruzar o meu olhar com o dela.

— Micaela, sabes que não sou assim — sussurrei.

Ela suspirou, baixou os ombros e olhou para mim com preguiça. — Acha mesmo que vai sair da faculdade virgem? — perguntou, levantando uma sobrancelha.

Engoli em seco. — Não tenho pressa em conhecer pessoas aleatórias das quais talvez me venha a arrepender mais tarde.

A Micaela esfregou a testa e abanou a cabeça. — De qualquer forma, nem sequer estás disposta a ter um relacionamento a sério. É como se tivesse rejeitado completamente os homens! — exclamou, enquanto um sorriso lhe escapava dos lábios. Depois, olhou para mim com os olhos bem abertos. — Meu Deus, nem tinha pensado nisso, mas gostas de raparigas?

Era hora de revirar os olhos. — Não, não gosto, mas... Interrompi-me com um suspiro. — Não sei. Só quero terminar a faculdade sem dramas.

A Micaela suspirou profundamente. — Tudo bem, mas podes pedir duas coisas antes de voltares para o campus neste semestre?

Olhei para os seus olhos, de um verde doce. A Micaela tinha-se tornado a minha melhor amiga, mas eu não sabia se conseguiria aceitar um compromisso, sobretudo depois da conversa que tivemos. Certamente, seria algo relacionado com arranjar um namorado ou ter relações sexuais.

— O que é? — perguntei, limpando a garganta.

Ela aproximou-se um pouco e esboçou um sorriso. — Posso levar-te a comprar roupas que não sejam vestidos e saias? — disse ela, rindo.

Mordi a língua. — Na verdade, gosto das minhas roupas — respondi.

— Eu sei, mas não temos muito tempo na faculdade. Podias ser um pouco mais espontâneo por mim, por favor? — disse ela com um sorriso bobo.

Endireitei-me.

— Micaela, estou a envergonhar-te?

Os seus olhos arregalaram-se imediatamente. — O quê? — Não, nunca! Porque pensarias isso? — disse ela, claramente desconcertada. Senti-me imediatamente mal por ter pensado tal coisa. — Podes usar sacos do lixo, não me importo. Só quero que saibas que estás a perder algo e não quero que saias da faculdade a arrepender-te de não teres feito certas coisas. Quero que vejas que podes tirar boas notas e divertir-te ao mesmo tempo.

Mordi os lábios enquanto pensava. — E qual era a segunda coisa?

Os seus olhos brilharam novamente. — Este fim de semana abre um clube novo e quero que vamos juntas. És a minha melhor amiga e quero partilhar esta experiência contigo.

Teria recusado de imediato, mas as suas últimas palavras comoviram-me de alguma forma. Apreciava que a Micaela fosse a minha melhor amiga e ela sabia disso tanto quanto eu. Éramos completamente opostas, mas estávamos lá por uma razão natural. A Micaela era uma rapariga popular, eu não. Tinha mais de cinquenta mil seguidores em todas as redes sociais e era a rapariga mais popular da escola, mas não se importava que eu não fosse extravagante nem desmaiasse à sua frente. Dizia que era revigorante não ser falsa e eu estava feliz por ela também não o ser, apesar de ser uma cara conhecida.

Ela sempre foi autêntica e era por isso que eu gostava dela. — Tudo bem, claro.

Vou reorganizar o meu guarda-roupa e vou contigo à loja — disse eu.

Ela gritou e aplaudiu, olhando para mim com admiração.

— Meu Deus, como estou ansiosa para ir às compras! — exclamou ela, levantando-se para ir buscar o telemóvel que tinha deixado abandonado.

— Também poderíamos experimentar algumas lojas online. Sou embaixadora de um centro comercial que tem tido muito sucesso desde que fiz aquele vídeo no YouTube. Podíamos experimentar isso e depois ir ao centro comercial. Estás a pensar em fazer algo ao cabelo? Mechas rosa como as minhas, talvez? — disse ela, juntando as mãos e sorrindo.

Eu mal entendia tudo o que ela dizia, de tão depressa que falava, mas a última pergunta apanhou-me desprevenida. — Eh, não... Na verdade, nunca pensei nisso. Acho que vou deixar como está. Além disso, não acho que ficasse bem com o cabelo rosa", disse, rindo timidamente, enquanto estendia a mão para brincar com algumas mechas do meu longo cabelo castanho.

— Podes mudar tudo, acredita. Nem imagina o quanto é bonita — disse ela, enquanto digitava no telemóvel. "Às vezes, gostava de ter os teus olhos castanhos grandes e as tuas pernas longas", queixou-se ela.

Sorri.

— És bonita e tenho a certeza de que sabes disso, Micaela.

Ela ergueu os olhos do telemóvel para me olhar. —Eu sei, mas mesmo assim... — suspirou. — Estou ansiosa por te preparar! Vai ser épico. Olha só: nem precisas de te preocupar com dinheiro, eu pago tudo! — disse ela, sorrindo para mim.

Fiquei boquiaberta. — Micaela, não te posso pedir que faças isso.

— É bom que não me tenhas de pedir nada — disse ela, enquanto pulava na cama e colocava o telemóvel à minha frente.

E, naquele instante, tudo se complicou.
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