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Capítulo 5

- Não... é sorvete - tentei explicar, enquanto Ian observava tudo.

- Sim... sorvete de cocô - o garoto acusou, rindo em seguida. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Carlos apareceu do nada e o agarrou pela camisa, pedindo que ele pensasse novamente no que ia me dizer. - Calma, cara! Não foi isso que eu quis dizer. Achei legal", disse ele, logo depois de ser puxado pela camisa mais uma vez, "calma, cara! Sério, a marca ficou muito boa! Não estou brincando, eu realmente gostei!

Ian olhou para tudo sem entender, mas eu o puxei para fora da cafeteria e implorei para que saísse dali. Levei dias para voltar a entrar em contato com Carlos e superar aquele momento de total constrangimento. Carlos, sendo quem era, nunca mais tocou no assunto.

Eu era uma garota Jellyta esburacada na frente de Carlos, enquanto ele sempre foi um homem maduro e compreensivo. Por esse motivo, era estranho acreditar que havíamos nos aproximado tanto na noite anterior.

Carlos sabia que isso era proibido e eu também. No entanto, isso não nos impediu. Enquanto Anastasia cantava no bar, ele e eu trocamos olhares. Carlos nunca havia olhado para mim daquela maneira e nunca teria tido coragem de olhar para trás se não estivesse bebendo. Sem dizer uma palavra, CarlosJelly pousou seu copo e caminhou pelo corredor próximo à saída de emergência. Anastasia cantava, divertida com a situação, e eu o segui.

Encontrei Carlos andando de um lado para o outro no corredor, como se estivesse pensando. Vê-lo sozinho ali, tão bonito, tão bêbado, me fez encostar na parede e estender a mão para puxá-lo para perto de mim.

Carlos não resistiu e se aproximou facilmente. Toquei seu rosto, passando o polegar sobre os lábios de CarlosJelly e imaginando como seria beijá-lo.

-Não posso", disse ele, movendo os lábios sob meu polegar. - Sherly, não posso", ele repetiu, sendo responsável mesmo quando estava bêbado.

- Nem eu", respondi, um pouco irritada, "beijá-lo seria um grande erro", disse, ainda passando o polegar sobre a boca dele, "é proibido, Carlos", lembrei-o, enquanto meu corpo se aquecia ao sentir os lábios dele no meu dedo, "mas... não sei, posso sentir seu perfume?

- Claro - ele garantiu, aproximando-se ainda mais de mim e colocando seu corpo completamente sobre o meu.

Fechei os olhos, engolindo a saliva ao senti-lo tão perto. O que foi isso? O que estávamos fazendo? Eu ia me tornar um monte de merda.

Encostei meu nariz no pescoço de Carlos e respirei fundo, deixando seu cheiro me envenenar ainda mais.

Cedi ao meu impulso e beijei seu pescoço, ouvindo-o murmurar algo. Carlos não se afastou, no entanto. Eu o beijei mais uma vez, acreditando em minha cabeça bêbada que beijos no pescoço eram bons. Os beijos nos lábios eram o verdadeiro problema.

Beijei o pescoço de Carlos e senti suas mãos percorrerem meu corpo, fazendo-me perder a força nas pernas.

- Me segure - sussurrei em seu ouvido, sentindo-o me levantar da parede - me segure ou eu vou cair.

Em segundos, eu estava agarrada a ele, com meus braços envolvendo o pescoço de Carlos e nossos corpos completamente unidos. Engoli ao senti-lo mover seu corpo lentamente, mantendo sua boca perto da minha enquanto movia seu corpo contra o meu. Puxa vida. Agarrei seu cabelo, tirando-o do coque em que estava amarrado.

- Porra... - Carlos murmurou, aproximando seu rosto do meu pescoço.

Antes que ele pudesse me beijar ali, porém, ouvimos Anastasia gritar meu nome. Isso me acordou de meu estado insano e rapidamente soltei minhas pernas, saindo do colo de Carlos e voltando para o bar. Anastácia estava chorando, triste porque achava que tinha sido abandonada por todos. Então Miguel e Ella apareceram, aconselhando-nos a ir embora antes que Anastácia piorasse.

Vi Carlos se aproximar alguns minutos depois, provavelmente porque precisava de um tempo para se acalmar, e decidi ir embora para não ter que confrontá-lo. Aquilo tinha sido um absurdo! Como eu poderia olhar na cara dele sem me lembrar que tinha esfregado e beijado seu pescoço?

Meu Deus. Surreal. Eu precisava esquecer isso.

Decidi bloquear as lembranças da noite anterior e me olhei no espelho, respirando fundo enquanto aceitava que tudo havia acontecido. Não havia como mudar o passado. Minha única chance era que Carlos não se lembrasse de nada. Ou não mencionasse nada.

Ouvi alguém batendo na porta do quarto e entrei em pânico, pulando sozinha para o banheiro.

Ah, que merda! Só podia ser o CarlosJelly .

Corri para a minha mala e peguei a camisola sexy que havia preparado. Eu não esperava transar, mas tinha levado a camisola para o caso de ter a sorte de encontrar alguém legal no casamento do meu irmão.

Na verdade, eu não sabia explicar por que estava escolhendo aquele moletom. Eu só não queria que CarlosJelly me visse feia logo depois de trocarmos carícias. Eu tinha gostado da maneira madura e sensual com que ele me olhava. Isso me fez sentir mais velha e... não sei, excitada.

Abri a porta imediatamente, decidida a pedir a ele que me desse um tempo antes de conversarmos sobre o que havia acontecido.

-Olá", disse Anastasia, aparecendo na porta, "precisamos conversar.

Seus olhos se arregalaram, aterrorizados com a ideia de "conversar".

- Precisamos conversar? - perguntei, apavorada.

- Sim, Sherly", ele respondeu, entrando às quatro horas, "eu vou surtar. Casey me mandou uma mensagem hoje e eu não sei o que fazer.

- Como o quê? - questionei, fechando a porta.

- Roberto. Eu terminei o namoro porque percebi que queria ficar com ele. Eu não amo o Casey. Mas... Roberto não quer ficar comigo. Quero dizer, ele não pode ficar comigo.

- Por causa da Brittany... .

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