Capítulo 5 Vamos ver no que vai dar
Samantha Farrow e Alice Heard. Samantha era secretária particular de Mark e Alice era encarregada de organizar a sala de David, mas naquele dia, ambas não entenderam o motivo de David ter pedido a Samantha e não a Alice que levasse o seu café, ainda mais na sala do CEO.
— Por que será que ele pediu a você e não a mim? Deve estar muito entediado e talvez olhar para essa sua cara de tonta o faça rir. — comentou Alice, demonstrando certo ciúme.
— Sinceramente, eu espero que você esteja certa, embora eu ache esse seu jeito de se referir a mim, um tanto deselegante. — comentou Samantha, olhando para Heard.
— E o que você pensa que ele vai fazer? Levantar a sua saia e te comer lá dentro do escritório? Se enxerga, Farrow, de todas as mulheres desse escritório, você e de longe a mais sem graça. — respondeu Alice, de forma agressiva.
Mas a verdade era que Samantha não costumava mostrar sua verdadeira beleza em seu local de trabalho. Ao contrário de Alice, que sempre vestia roupas que mostravam as curvas de seu corpo e o volume de seus seios. Ela também usava sempre seus longos e negros cabelos, soltos, o que chamava a atenção de todos os homens do andar e de várias outras partes do edifício.
Alice era o tipo de mulher que mexia com a imaginação dos homens e muitos faziam piadas picantes usando seu nome. Morena e de estatura mediana, ela era dona de um corpo escultural e seus lábios carnudos aguçavam a libido dos colegas de trabalho, desconfiava-se que já havia transado com vários homens no banheiro as escondidas. Já Samantha era o seu oposto.
Loira e também de estatura mediana, ela procurava sempre usar roupas que a deixavam o menos sensual possível. A cor de suas roupas era sempre a mesma, saia e casaco na cor cinza e uma camisete feminina por baixo do casaco. A saia na altura dos joelhos e seus cabelos eram sempre prendidos para trás na região da nuca, Samantha também usava óculos de fundo de garrafa, o que a proporcionava um visual ainda mais desengonçado.
Todos os homens do prédio riam dela e diziam que Mark escolheu um cérebro ambulante como secretária. Porém, Samantha escondia uma vida dupla que por acidente acabou sendo descoberta por David Logan e agora parece que ele a queria como sua secretária.
Impaciente na sala que outrora pertenceu a Mark, David ligou para Alice e a jovem atendeu imediatamente, mas ela logo mudou seu semblante e respondeu às perguntas com insatisfação.
— Está bem, senhor Logan, eu darei o seu recado. — disse a mulher morena, desligando o telefone. Em seguida, se volta para a colega. — Ele quer saber o que aconteceu com o café que pediu a você.
— Minha nossa, o café!
Samantha levantou-se rapidamente e foi até a copa preparar o café para o seu chefe. Alice fez questão de não passar instrução alguma, ela queria mesmo era que David expulsasse a rival de sua sala. Será que os dois andavam ficando?
A loira de óculos entrou sutilmente na sala daquele que parecia ser seu novo chefe, ela abriu a porta e guiou o carrinho com a bandeja, posicionando-o onde era mais fácil apanhá-la. Samantha colou a bandeja sobre a mesa e David a seguia com o olhar. Ah, como aquele homem conseguia ser tão atraente? Era o que pensava a jovem, mesmo ela fazia de contas não restar atenção no olhar safado lançado sobre ela, por David Logan. Quando a secretária foi colocar o café na xícara branca de porcelana, o novo CEO a instruiu.
— Espere, vou te ensinar como eu gosto. — falou olhando diretamente para seus seios. — Primeiro você coloca um cubinho de açúcar no fundo da xícara e depois vá depositando o café bem devagar.
Samantha balançou a cabeça fazendo menção ter entendido, ela fez exatamente conforme a instrução, mas na hora de entregar a xícara ao seu chefe, suas mãos começam a tremerem e ela quase acaba derramando café quente em seu colo.
— Preste atenção, sua estupida! — reclamou ele, afastando-se com cadeira e tudo, para trás. — Faça novamente. Eu sei que você é capaz de fazer coisas surpreendentes.
Novamente Samantha fez conforme às instruções, mas dessa vez ela cuidou em não derramar o café. David elogiou dizendo que aquela técnica deixava a bebida bem mais saborosa. A loira tenta se justificar dizendo não ter recebido essa instrução da parte de Alice, então David avisa que sua antiga secretária não tinha conhecimento daquela sua mania e que a mesma jamais o havia servido diretamente. Samantha pediu desculpas dizendo que era secretária de Mark e não dele, mas o rapaz comunicou que, a partir daquele dia, ele era o CEO da Prometeus e Samantha passaria a ser sua secretária.
A loira sentiu um frio na barriga e sugeriu que Alice estava mais qualificada para o posto, então, David revelou que depois do último encontro dos dois, ele já não conseguia olhar para ela como antes. Samantha arregalou os olhos e fixou no nada, ela sabia que aquele homem não a queria somente como secretária. Veja o buraco em que você foi se meter, Samantha?!
Após saborear o primeiro gole, David pede a Samantha que se sirva, pois não gosta de tomar café sozinho, ela aceitou. Assim que terminou, David se levantou dizendo que tinha um aviso para dar ao pessoal do andar, mas antes de sair da sala, ele apalpou o seio direito de Samantha. Ela não gostou e disse ainda que ali não era local para tal intimidade e sim onde ela trabalhava.
David entendeu que Samantha queria manter sua dupla personalidade, mas comunicou que logo queria rever a amiga dos dois, Dani Estrelinha. Ao saírem da sala de David, ele comunicou aos presentes que a partir daquele dia, ele seria o novo chefe da empresa até que Mark estivesse apto a retomar suas atividades normais. Alice ficou bastante irritada, pois sentia uma forte atração pelo antigo chefe.
***
Ainda lutando contra a depressão, Mark ia diariamente até o túmulo de Liliana para levar flores. Era um dia chuvoso e as lágrimas se misturavam às gotas da chuva que caiam sobre seu rosto.
— Por que você não me ensinou a viver sem você? — perguntava em meio às lágrimas. — Você me ensinou a te amar, mas não me ensinou a te perder, a continuar vivendo, caso você tivesse que partir, como agora.
Com a mão sobre a lápide, ele chorava copiosamente. Até que em um súbito espasmo, Mark se lembrou do filho que Liliana havia dado a ele. Então, o empresário entrou no carro e dirigiu rapidamente até o ginecologista e também obstetra que cuidava da gravidez de sua esposa. O nome do médico era, Peter Marlon, um excelente ginecologista e especialista em gravidez de risco.
— Mark. Há quanto tempo. — Cumprimentou-o o médico, com um forte aperto de mão. — Desde o acontecido que eu não consegui falar com você. Vamos, sente-se.
Mark permaneceu calado enquanto Peter perguntava como estavam as coisas e se ele estava conseguindo superar a terrível perda. O rapaz começa a chorar repentinamente, então o médico se levanta e pede à auxiliar que lhe traga uma toalha seca e um chá quentinho, pois Mark estava completamente enxarcado pela chuva. A princípio, o jovem empresário não quis tomar o chá, mas o médico insistiu, dizendo ainda que sabia o que ele fazia ali. Flanigan o encarou por alguns segundos e perguntou como ele sabia.
— Simples. Você deve estar procurando até agora um culpado para a morte prematura de Liliana, mas não vai encontrar. — respondeu o médico.
Peter se levanta e pede que Mark o aguarde, em seguida ele retorna ao consultório com um envelope contendo vários papéis. Ele também trazia alguns envelopes com laudos e resultados de exames e, os colocou diante de Mark.
— Eu irei explicar a você o que de fato aconteceu com Liliana. Mark, não havia nada que se pudesse fazer por ela. A Liliana sabia que iria morrer, mas antes ela quis que o filho nascesse.
Todas aquelas informações soavam como um bombardeio na mente de Mark, ele não estava entendendo absolutamente nada do que Peter estava falando, então o médico explicou que assim que descobriu que estava grávida, Liliana também descobriu que estava com uma doença degenerativa rara. Peter contou que chegou a pegar o telefone e falar com o próprio Mark a respeito e que aquilo poderia resultar em Liliana ter de interromper a gravidez para fazer o tratamento, caso contrário, ela poderia acabar morrendo.
— E por que você não fez isso? — perguntou o viúvo. — Por que ela não quis interromper a gestação? Ela era jovem e poderíamos ter outros filhos no futuro.
— Isso foi o que eu pensei de imediato, mas acontece é que o tratamento iria deixar a Liliana estéril. Ela não iria conseguir engravidar outra vez depois do tratamento, Mark. Por isso me pediu para que não dissesse nada a você, pois temia que a forçasse a abortar. — Concluiu Peter, baixando a cabeça.
Mark gritou batendo com a mão sobre a mesa. Ele não se conformava com que ouviu e acusou Liliana de ser covarde, também disse a Peter que ele o traiu ao não lhe contar a verdade. Em contrapartida o médico disse que havia sugerido uma cesariana assim que se concluísse o ciclo gestacional, mas que ele não contava com a queda sofrida por Liliana, o que culminou em um parto prematuro.
Só que Peter deixou claro que não havia garantias de sobrevivência da paciente e que a queda sofrida não poderia ter influenciado muito no desfecho final. Mark retrucou dizendo que se houvesse um mínimo de esperança, Liliana poderia estar viva, mas Peter novamente afirmou que a sobrevivência da senhora Flanigan era algo relativo. Mark saiu correndo da clínica e foi até o hospital pediátrico onde seu filho se recuperava, mas ao chegar lá foi informado de que já havia recebido alta e que já estava com a família.
O rapaz então rumou para a casa de seus pais e ao chegar ali, viu seu filho nos braços da avó, sua mãe. Ele caminhou devagar até ela e pediu para segurar o bebê nos braços. Mark mais uma vez desabou em lágrimas ao ver o rosto do filho pela primeira vez, em dias, mas, a paz que observou naquela criança da primeira vez, continuava. Era como se algo a mantivesse naquele estado constante de paz.
— Ele é tão lindo e inocente. Não sei o porquê, mas de repente senti uma falta tremenda dele. Foi como se algo, ou alguém, me puxasse diretamente para cá. — falou e continuou a acariciar o pequeno rosto de Kavin, com a ponta do indicador.
— Talvez essa seja a resposta para o fim da sua dor e também a mensagem que a Liliana esteja tentando te passar, mas só hoje você conseguiu ouvir. — disse a mãe do rapaz, emocionada.
— Eu acho que ouvi. Eu preciso continuar a viver por ele, a Liliana deu a própria vida para salvá-lo e agora eu vou ter que fazer o mesmo para poder honrar a memória dela. Sua mãe morreu por você, mas eu, o seu pai, irei viver por você!
