Biblioteca
Português

Uma Escrava para os Reis

247.0K · Finalizado
LadyArawn
189
Capítulos
15.0K
Visualizações
9.0
Notas

Resumo

*Este livro é com temática adulta, com cenas pesadas, incluindo, mas não se limitando, a tortura, estupro, abandono. ---------- Ela não tem nome, não mais, depois de tanto tempo ela simplesmente esqueceu o que é um nome, o que é poder decidir, o que é poder desejar, simplesmente esqueceu o que é ser uma pessoa. Ela é apenas uma escrava em meio a uma matilha que faz questão de sempre lembrar que ela não passa de um objeto a ser usado, não importa se for para fazer os afazeres domésticos ou satisfazer os desejos sexuais de seus donos. ----------- Ele é um Rei, não apenas isso, mas o Rei dos Lobisomens, seu domínio se estende por todas as terras lupinas e ele nunca se importou com muita coisa, seu coração já está fechado, destruído por um passado que ele pretende esquecer. Com apenas uma palavra ele poderia mudar toda a sociedade, mas para que? Não vale a pena, o prazer da guerra e das lutas é uma das coisas que o mantém seguindo... Além é claro, de se satisfazer com quem ele quiser, quando ele quiser e sem nunca escutar um não. -------- Ele é não é apenas um Rei, ele é um imperador... Os domínios Vampirescos se expandem por quase toda a Europa, muitos o chamam de ditador, outros o chamam de libertador... Ele reina sobre suas terras com mãos de ferro, sua palavra é Lei. Cansado de uma longa guerra, apenas quer descansar um pouco e achar aquele ou aquela que lhe completará... Afinal de contas, depois de tanto tempo vivo, já provou de tudo, mas ainda não encontrou a pessoa que o Destino lhe entregara. ------- Três pessoas completamente diferentes... Três Destinos entrelaçados... Quem vai curar quem e quem vai sobreviver no final?

alfaassassinatofemininalobisomempossessivoromancevampireviolênciaamor verdadeirodominante

1 - Mais um dia

A coisa POV

Senti mais um corte em minha pele e a dor simplesmente se somou a todas as outras, a todos os cortes que já recebi hoje por causa dessas chicotadas… Teve uma época que eu me importava, que implorar para pararem ia me ajudar em alguma coisa, mas a única coisa que recebia eram humilhações ainda piores.

Em algum momento achei que tudo isso era injusto, mas aprendi rapidamente que isso não importa, não para mim… Se fosse uma outra pessoa, então outros tentariam defender, mas eu? Eu não tenho suporte nenhum.

Quantas vezes eu pensei que ia morrer e desejei que isso fosse verdade, mas no final eu apenas desmaiava e depois de um tempo acordava… Nem mesmo a Morte me deseja. Instintivamente meus lábios se curvaram um sorriso breve, antes que mais uma chicotada atingisse minhas costas.

Não sei quantas chicotadas mais aconteceram até que soltaram meus punhos que estavam presos em correntes envolta e presas em um gancho. Cai ajoelhada, mas apenas para escutar o riso daqueles que estavam ao meu redor e não demorou para que sentisse minhas costas arderem, um líquido frio e muito dolorido derramado em minhas costas, um líquido misturado com várias ervas de cicatrização, mas também partículas de prata, acrescentadas apenas para doer mais…

“Pronto, parou de sangrar! Agora levanta e vai terminar de limpar os banheiros dos guerreiros!” A voz de Alpha Julian ecoou.

Quando parei de gritar eles haviam ficado com raiva e suas torturas só aumentaram, mas eu me adaptei e agora não importa o que eles façam, eu simplesmente não grito mais… Eu até parei de falar.

Confirmei com a cabeça, indo até o canto, pegando a blusa velha e colocando e caminhei em direção ao lugar indicado. Ao galpão onde a maioria dos guerreiros sem companheiras ficava. Era um lugar nojento, eles sequer tinham ideia do que era higiene, mas queriam sempre tudo limpo e geralmente eu quem limpava, ou então alguma Omega que estava sendo punida também era mandada para esse lugar.

Fui até o lugar onde ficavam os baldes, água limpa e outros produtos de limpeza, arrastei meu corpo até chegar na área dos banheiros e como sempre eles estavam imundos, havia sujeira em todas as paredes, inclusive no teto.

Vai demorar algumas horas para eu terminar de limpar tudo e nesse meio tempo a dor é constante, mas pelo menos as dores nas costas se sobressaem a dor da fome, meu estômago se acostumou a receber pouca comida e eu geralmente bebo mais água. Escutei em algum lugar falando que sem comida o corpo pode viver mais tempo, mas não sem água… Claro que ninguém sabe disso, muito menos sabem que eu costumo comer os restos de comida que eles jogam, quando estou varrendo e vejo que tem algo que possa ser aproveitado eu consigo esconder para comer depois.

Nem eu sei porque faço isso, afinal de contas sem fazer essas coisas eu morreria, bom… Não é bem assim, eu falei antes, mesmo quando fiquei sem comer e sem beber nada, ainda assim acordei depois de alguns dias… O Alpha tinha ordenado que me alimenta o suficiente para que eu não morresse.

Acho que uma parte minha ainda quer um pouco de alívio da dor, porque esperanças eu não tenho mais. Eu sou apenas uma escrava, uma sem voz, eu nem lembro meu nome…

Patético, não é? Mas eles conseguiram tirar tudo de mim, a única coisa que ainda não conseguiram foi a minha vida, mas é apenas para que eles continuem me torturando.

Escutei o som da porta do banheiro ser aberta, eu já sabia quem era, Bryan, o futuro Gamma, uma das pessoas que mais adorava atormentar a minha vida, eu já estava terminando o serviço…

“Olha só… A coisa…” A voz dele fazia os cabelos da minha nuca se arrepiarem, eu nunca gostei dele, desde criança, sempre achei que tinha alguma coisa errada…

Mas quer dizer, deve ter algo errado com todo mundo, para gostarem de torturarem alguém… Ou provavelmente eu estou errada mesmo e é normal fazerem esse tipo de coisa.

Continuei passando o pano no chão, um pouco mais perto das pias, o som dos passos dele vai até um dos lugares e escuto o som de líquido batendo contra o mármore… Mas eu sei que ele não está fazendo no vaso e sim no chão.

Levei o pano a pia que ia deixar por último, liguei a água e comecei a lavar o pano, já sabendo que ia usar ele para limpar o chão sujo onde Bryan estava. Escutei o som do zíper sendo fechado e logo os passos pesados dele em minha direção, senti ele segurar meus cabelos pelas pontas, com força e no segundo seguinte estou caída no chão, com a cara no mijo dele. Meu corpo reagia automaticamente já, por isso não me dei ao trabalho de reclamar, eu já esperava por algo assim, ainda bem que estou com o pano em mãos.

“Anda logo, limpa ai! Só para isso mesmo que você serve, coisa.”

Ajustei minha posição ajoelhada, comecei a limpar o chão, passando o pano primeiro no chão, deixando apenas uma ponta sem sujar e logo escutei a risada dele e ele foi embora. Respirei fundo assim que voltei a ficar sozinha, levantei e fui até a pia, limpando o rosto e também as pontas dos cabelos que haviam sujado.

Eu não deveria me importar muito com minha aparência ou com o meu cheiro, bom a primeira eu realmente não me importo, quanto mais feia eu ficar melhor é… Mas pelo menos tento me manter limpa, da melhor forma que consigo.

Olhei no espelho e vi meu reflexo, meus cabelos pretos sem pentear, meu rosto agora um pouco mais limpo, meus olhos verdes refletem o brilho da luz e é algo que não consigo esconder, eles são lindos, mesmo por trás da minha expressão sem expressão, neutra.

Quando eu fiz 16 anos foi basicamente minha ruina, porque meus olhos ficaram ainda mais límpidos, mais belos e brilham como duas pedras… O que significa que eles me limparam, colocaram boas roupas e depois fizeram um leilão.

Minha primeira vez foi exatamente como o resto de minha vida, com muita dor e depois muita risada… Mais uma coisa para eu me acostumar, toda vez que vinham me arrumar eu já sabia que era para uma situação assim.

Toquei meu reflexo e pela primeira vez imaginei se seria melhor eu ser cega… Assim eles não poderiam mais se aproveitar disso e não teria mais nada para que eles achassem bonito em mim.

Fechei meus dedos com força e me afastei do espelho, tentando controlar essa vontade de arranhar meu rosto e desfigurar essa expressão. Terminei de limpar o banheiro, deixei brilhando e saí.

Usando as sombras eu simplesmente passei por todos sem ser notada, até chegar a cozinha, já posso sentir o cheiro da comida sendo preparada, mas fui para a parte de tras, deixei os produtos de limpeza lá, limpei meu rosto e também minhas mãos e fui em direção a parte de trás da cozinha, vendo a pilha de louça para lavar.

Essa parte ficava separada do resto do lugar e eles apenas jogavam as coisas pelos buracos e eu tinha que lavar tudo e colocar no lugar certo. Desta forma não havia muitos restos que eu pudesse salvar.

Escuto minha barriga roncar, mas ignoro e começo o meu trabalho… Afinal de contas não quero mais uma surra antes da noite terminar, afinal eu tenho que acordar muito cedo no dia seguinte.

Geralmente nesses casos eu simplesmente tento não prestar atenção à conversa na cozinha, mas o pessoal está falando alto demais.

“Será que vou encontrar meu companheiro?” Jasmine perguntou, com sua voz aguda.

“Vai sim! Você é uma das nossas Omegas mais bonitas! Mesmo um Beta ia ficar feliz em ter você como companheira!” Rebeca logo respondeu.

“Eu nem acredito que a matilha foi escolhida para sediar o Grande Baile.” Jasmine estava realmente bem alegre com essa notícia.

Eu já escutei alguma coisa sobre esse tal baile, parece que é uma festa que acontece a cada ano… Varias pessoas que não tem companheiros vão para eles para tentarem encontrarem seus destinados…

É só mais uma coisa que eu não vou participar e ainda bem, eu só quero desaparecer… Respirei fundo, um tanto cansada… Espero só que o Alpha não resolva fazer seus leilões em uma festa assim.

Estremeci, isso é uma das poucas coisas que eu ainda me importo… Odeio quando me tocam assim, odeio sentir esse tipo de sensação, é uma das piores que existem.

“Várias matilhas vão vir! Ahhhh!” Jasmine deu um gritinho bem agudo. “Fiquei sabendo que até mesmo os Lycans e alguns vampiros vão aparecer!”

Alguns outros gritinhos foram escutados, toda a cozinha ficou em alvoroço. Eles realmente estavam felizes…

Bom, eu também estou aliviada, com toda essa bagunça a quantidade de louça para lavar deu uma diminuída, mas continuei fazendo barulho como se ainda tivesse bastante coisa, afinal de contas eu não sou burra, só não me importo com muitas coisas.