6 Sou Eu Quem Mando Aqui
Maria a sala da presidência da empresa, deixando o seu tio para trás. Assim que a sobrinha saiu, Roberto teve um verdadeiro ataque de fúria, o que chamou a atenção de sua secretária e amante. A mulher entrou e viu o executivo atirando vasos de flores nas paredes e jogando peças ada decoração, chão.
— Mas o que houve, meu querido? Por que está tão nervoso desse jeito? — ela falou, amedrontada pela agressividade do homem à sua frente.
— Maria! — vociferou, furioso. — Quem aquela desqualificada pensa que é para chegar aqui me dando ordens?
— Mas o que ela fez? — perguntou.
— O que ela fez? O que ela fez? — ele berrou, fazendo a Clarice, sua secretária e amante, dar dois passos para trás. — Ela veio para tomar o meu lugar. Justamente eu, que trabalhei todos esses anos enquanto ela se divertia em Londres, para manter a empresa do pai dela, pé. Mas isso não vai ficar só assim, não. Maria não sabe com quem está lidando!
***
Inspirada, Maria passava os olhos por onde passava, nada lhe escapava a visão. Das cerca de cinquenta pessoas que trabalhavam naquele prédio, pelo menos trinta ela conseguiu guardar os rostos. Era muito esperta e sabia o que queria, além de possuir uma percepção invejável e isso foi o que a fez ficar no topo durante a faculdade. Tais qualidades a tornavam um prodígio, uma promessa para o ramo empresarial, chegando a receber propostas milionárias no Reino Unido, mas ela tinha a sua própria arena para lutar. Entrou no elevador e o mesmo ascensorista da primeira, operou o condutor até o térreo. Ela agradeceu e caminhou novamente até o balcão.
— Vem cá?! — ela chamando a recepcionista. — Poderia por favor, dizer ao técnico responsável pelos computadores da empresa, para ir até a minha casa e instalar o meu?
— Posso, sim, senhorita Galantis. — respondeu a jovem. Dessa vez ela estava mais alerta, já que estava diante da dona de tudo aquilo. — É o Januário. Eu vou avisar a ele. Mas a senhora está residindo onde, mesmo? — perguntou. — É para o rapaz não errar.
— Fica no Jardim Boulevard, é a área das mansões da cidade, ele deve saber. O número é 325 e a Rua é a Ernesto Couto. — respondeu sem pausa.
Enquanto a recepcionista anotava o endereço, um homem jovem aproximou-se do balcão e pediu uma informação, enquanto Maria procurava algo em sua bolsa.
— Por o favor, Priscila. Poderia informar ao Dr. Galantis que eu já cheguei? Fiquei de trazer uns papéis que ele me pediu ontem.
O rapaz falou. Então ele olhou para a mulher de cabelos negros ao seu lado e a reconheceu.
— Maria?
— O que? O senhor me conhece? — perguntou, arqueando a sobrancelha.
— Maria, não lembra de mim? Você cresceu, mas não mudou nada. — respondeu dando um sorriso.
Maria ficou sem saber quem era aquele homem com quase dois metros de altura na sua frente. Nem de longe ela conseguia recordar aquele rapaz de cabelos louro natural, encaracolados que lhe encobria a nuca. Mas algo naquele sorriso lhe pareceu familiar.
— Maria, sou, o Santiago filho da Ana, lembra?
A morena deu um sorriso, ela sequer podia acreditar que estava diante de seu melhor amigo na infância, não resistiu e o abraçou.
— Santiago, meu Deus, eu não acredito. — falou depois de se afastar. — Nunca que eu iria imaginar que você tivesse ficado tão... enorme. — concluiu estendendo os braços para o rapaz.
— É, é muito bom te rever. Quando foi que chegou?
— Cheguei ontem à noite — ela respondeu com um sorriso de orelha a orelha.
— Nossa, que bom. Não vejo a hora da gente poder conversar e colocar o papo em dia. — Santiago falou sentindo uma euforia dentro de si, ele e Maria eram muito ligados quando criança.
Quando a conversa estava no seu auge, Priscila informou que Roberto aguardava por Santiago na sala do vice-presidente. Maria não entendeu. Mas ela também não sabia que seu tio havia feito um verdadeiro estrago na sala principal por sua causa.
— Foi bom te ver, Maria!
Ele falou, dando um beijo em sua bochecha.
— Igualmente, Santiago. Espero que a gente possa conversa em breve.
Maria terminou de combinar tudo com Priscila e seguiu para o carro onde o motorista a aguardava. A recepcionista ficou desconfiada de que algo poderia existir entre a executiva e o rapaz da recepção, ela sorriu enquanto a morena se afastava.
***
Assim que cegou em casa, Roberto foi direto para a adega, abriu uma garrafa de uísque e começou a beber um copo atrás do outro. Ele não conseguia tirar as apalavras de Maria da cabeça e cada vez que pensava, sua ira só aumentava. Até que foi surpreendido pela Companhia de Sabrina.
— Posso saber por que está bebendo descontrolado desse jeito? Eu não te vejo nervoso assim há muito tempo. — comentou a mulher, sentando-se no sofá.
Metade das luzes da sala estavam desligadas, proporcionando um clima meio sombrio como uma penumbra.
— É por que você não sabe o que aconteceu hoje. — respondeu, irritado. — Nossa sobrinha Maria voltou.
— Mas isso é lá motivo para você estar assim? — perguntou sem entender.
— Acontece é que ela não só voltou, Sabrina. Ela voltou para reclamar a herança do pai!
Sabrina levantou-se depressa:
— O que?
— Sim! — confirmou. — E ainda me desafiou, dizendo estar mais do preparada para assumir todo o grupo Galantis. Mas ela não perde por esperar. — falou olhando a esmo. — Se Maria não desistir dessa ideia maluca, ela vai aprender da ir forma que o mundo dos negócios é como uma selva. Só os fortes sobrevivem!
