1 Novos Horizintes
Depois dos devaneios passados, Maria passou a se dedicar tão somente a sua empresa e nada mais. Ela sentia muita falta de Santiago, mas decidiu passar uma borracha por cima de suas dores e piores lembranças, e, mergulhar de cara no trabalho, mas precisamente 24 horas por dia. Mas como ninguém é de ferro, ela decidiu que já era hora de pensar um pouco mais em si mesma e menos no trabalho e nos erros do passado. Final de semana e tudo estava indo normal. Maria pôde acordar mais tarde naquele lindo sábado ensolarado e Santiago também fez o mesmo. Ainda que estivessem separados, os dois pareciam compartilhar dos mesmos sentimentos e desejos, por isso decidiram que dariam um pulo na praia da praia. Ele pegou sua prancha de surf e ela colocou seu melhor biquini, mas não faziam ideia de que iriam se encontrar na praia do Guarujá. Já para início de conversa eles estacionaram seus carros um do lado do outro.
— Oi! — disse ela chamando a atenção do homem que desprendia a prancha de surf do teto do carro. — Que surpresa te encontrar aqui!
Santiago olhou para trás e sentiu um frio na barriga, juntamente com o coração que ficou acelerado por estar diante da mulher de sua vida.
— Ah, oi. Nossa, eu digo o mesmo. — falou esboçando um sorriso de alegria. — Também não imaginei encontrar você aqui hoje. Resolveu sair da toca e se divertir um pouco?
— Sim. O dia estava tão convidativo para uma volta na praia que eu não resisti. — respondeu. — Vai pegar uma onda? — perguntou sinalizando para a prancha, com os olhos.
— Vou sim. Tá a fim de me ver surfar? Vamos lá!
Maria pegou a bolsa e o chapéu e seguiu Santiago até à beira da praia. Eles pareciam bons amigos, apesar do desentendimento entre os dois, isso por que prevaleceu a amizade que cultivavam desde criança. Maria usava um biquini na cor marrom e uma canga de cor cinza transparente que deixava seu corpo ainda mais sensual, chamando a atenção de todos que olhavam para ela. Santiago não pôde deixar de admirar a beldade e recordar dos momentos em que a teve em seus braços. Já o rapaz usava um short John de mangas longas na cor preta e com detalhes transversais na cor cinza escuro. Por ser uma roupa colada ao corpo, a boa forma física de Santiago ficava visível, chamando a atenção de homens e mulheres que o viam. Ele sorriu para Maria e correu em direção ao mar com sua prancha. Depois de pegar algumas ondas ele se juntou a ela.
— Nossa, não sabia como você surfava bem. — disse a jovem, sentada na areia.
— Obrigada. — respondeu ele, juntando-se a ela. — Que bom que gostou da minha performasse. Agora me diga uma coisa. Quando que aquele Xeique vai vir para fechar negócio com a Galantis? Responde se você quiser.
— Respondo sim. Está previsto para que venha na próxima semana, eu vou mandar o convite a você e ao tio Marcelo. Irei precisar dos dois para me ajudar. — respondeu fazendo uma cara engraçada. Santiago sorriu.
— Entendo, eu no seu lugar, também ficaria nervoso, mas você tem feito um excelente trabalho até aqui e com certeza irá se sair bem diante do Xeique! — falou depositando confiança e motivação.
— E tudo por que tenho pessoas incríveis ao meu lado. — disse ela fixando os olhos nos olhos azuis do rapaz, que brilhava em um tom topázio. Nesse momento os rostos se atraíram e os lábios começaram a seguir um na direção do outro. Quando o beijo iria finalmente acontecer, uma voz chamou a atenção dos pombinhos.
— Desculpa se atrapalho!
Com susto, o casal acabou se afastando, pois se tratava de Maurício, o amigo surfista de Santiago e o mesmo que os acompanhou durante a aventura na caverna. A garota ficou feliz em rever o advogado, já Santiago, nem tanto assim, mas o cumprimentou dizendo que teria algo confidencial para falar com o mesmo, mas numa outra ocasião. Certamente se tratava de uma bronca por tê-lo atrapalhado uma possível reconciliação com a ex namorada. Os três ficaram por ali, comeram frutos do mar e beberam água de coco nas barracas que ficavam no calçadão, algo que Maria adorava. Por volta das duas da tarde ela se despediu dos dois e retornou para a mansão.
NA CASA DE ROBERTO
Renan chegou em casa, mas para a sua surpresa, não havia ninguém, ou, pelo menos não parecia haver. Já passavam do meio dia, porém, parece que todos resolveram almoçar fora, ou foram para algum compromisso. O garoto ainda estava sob efeito das drogas que usara na noite anterior, mas se encontrava lúcido. Ele subiu as escadas e ouviu ao que pareciam serem gemidos vindos do quarto de Isabela. Levou a mão na maçaneta e descobriu que a porta não estava trancada, abriu a porta devagar e se deparou com seu cunhado Murad adentrando a hóspede, por trás. Renan esboçou um sorriso sacana, mas resolveu ficar escondido atrás da cortina da entre sala e esperar até que os dois terminassem. O homem segurava a mulher pela cintura e a penetrava em movimentos intensos, enquanto gemia e falava palavras de calão. Quando por fim terminaram, o garoto se revelou.
— Nossa, vocês deveriam ter vergonha de fazer essas coisas na frente de um garoto como eu.
Isabela correu para junto da cama e se enrolou com o lençol que estava sobre a mesma. Murad procurou cobrir as partes íntimas com as mãos, enquanto olhava assustado para o cunhado.
— O que faz aqui, Renan? Como entra no quarto alheio sem ser convidado, moleque? — inquiriu tentando intimidá-lo.
— Em primeiro lugar, essa é a minha casa e eu entro aonde eu quiser sem ter que dar satisfações a ninguém. Em segundo lugar, o meu pai está certo quando diz que você é imprestável, ainda mais agora, que te peguei transando com essa vagabunda! — o jovem falou encarando a ambos.
Murad tentou apaziguar dizendo que tudo não havia passado de um mal entendido e que certamente Renan estava tendo uma alucinação decorrente das drogas que usou, mas o rapaz foi firme em dizer que não iria tolerar que sua irmã fosse passada para trás daquela maneira e que contaria tudo a ela, foi então que Murad perguntou ao garoto quanto ele queria para ficar de boca calada, mas a resposta não foi lá muito agradável.
— De você eu só quero que saia da minha casa e deixe a minha irmã em paz! — respondeu dando as costas para os dois, caminhando até a porta.
— Espere, Renan! — Murad se aproximando do garoto. — Não faça isso, sua irmã ficaria arrasada. Ela me ama e você sabe disso.
— Sei. Ela vai sofrer um pouco, sim, mas vai passar e ela vai esquecer que um dia você existiu na vida dela. Agora me deixa!
O turco olhou para a mulher que se encontrava assustada, sentada sobre a cama, depois olhou para o menino que sumia de sua vista pelo corredor, entrando na direção das escadas. Ele apenas enrolou uma toalha na cintura e foi atrás de Renan.
— Espera, cunhado, vamos conversar. — falou com a mão no seu ombro, os dois se encontravam há uns três degraus da metade da escada. — Por favor, não faça isso, ou...
— Ou, o que? Vai me matar? — indagou o garoto, em tom desafiador.
— Me desculpe!
Essas foram as palavras de Murad e assim que Renan deu as costas para terminar o seu trajeto, o homem, sem a menor hesitação o empurrou, fazendo-o rolar escada abaixo. Renan chegou desacordado ao pé da escada.
Murad ficou parado por alguns segundos olhando o garoto caído no chão, em seguida ele retornou para o quarto onde Isabela ainda se encontrava em estase devido ao susto.
— Levanta essa bunda daí e faça alguma coisa de útil. — disse ele enquanto vestia a roupa depressa. — Ou tudo o que sabe fazer mesmo é abrir as pernas?
— Do que está falando? Nós estamos ferrados, o garoto vai contar tudo! — disse ela encarando o homem à sua frente.
— Não, ele não vai. — Agora Murad se coloca de cócoras diante da mulher sentada sobre a cama. — Você vai vestir a roupa e fazer tudo o que eu disser!
Rapidamente a mulher vestiu a roupa e correu para a escada, lá ela gritou e quando os empregados chegaram, viram o filho dos patrões caído no chão e desacordado. Imediatamente Murad pegou o celular e ligou para Sabrina, relatando o ocorrido. Ele disse que a encontraria no hospital, pois o estado do filho dela parecia ser grave. Ao chegarem na clínica, Roberto e Sabrina encontraram Murad e Isabela, como os dois eram as únicas mais próximos da família a estarem na casa no momento do acidente, eles foram quem chamou a ambulância os e levou o rapaz ao hospital. Sabrina perguntou o que havia acontecido e o genro respondeu que não havia visto absolutamente nada.
— Eu estava no quarto lendo um livro, quando me assustei com os gritos da senhorita Isabela. — respondeu. — Ah, foi horrível ver o meu pobre cunhado caído desacordado daquele jeito! — com falsidade, ele lamentou. Mas Roberto fixou os olhos em Murad, como era um velho lobo de guerra, ele sabia que algo estava sendo encoberto pelo genro, algo que ele iria descobrir mais cedo, ou, mais tarde.
Cerca de uma hora depois o médico veio até os pais. Sabrina foi logo perguntando como estava o estado de Renan e o médico foi bastante sincero.
— O menino sofreu algumas lesões internas durante a queda!
— Ah, meu Deus. O meu filho, Roberto! — Sabrina lamentou chorando no ombro do marido.
O médico então prosseguiu com o laudo enquanto Isabela e Murad apenas ouviam, desconfiados.
— Ele não teve fraturas externas graves, mas sofreu uma pancada na cabeça que pode vir a ter complicações. Vamos fazer exames mais detalhados. Também teremos que realizar uma cirurgia por causa de uma hemorragia interna na região hepática, aconselho que estejam preparados.
O médico os deixou, no mesmo instante em que Soraia chegou bastante nervosa. Sabrina relatou o ocorrido e a mulher foi chorar abraçada ao marido cafajeste, mas ela não sabia o que realmente havia acontecido. Isabela pediu para voltar para casa, ela tinha medo de que Renan pudesse despertar e contar a verdade do que aconteceu naquele início de tarde, então resolveu que já era hora de deixar a casa dos Galantis de uma vez por todas.
Maria foi informada do ocorrido com seu primo e foi até o hospital dar apoio aos tios. Santiago foi junto para lhe fazer Companhia e Roberto, ao conversar em particular com o advogado, falou a respeito da desconfiança que tinha, de que seu filho não havia caído acidentalmente daquela escada.
— O que senhor está querendo dizer?
— Por enquanto, nada, mas se eu descobrir que o meu filho foi vítima de alguma conspiração, eu não hesitarei em dar cabo da vida de quem o fez! — concluiu olhando na direção em que Murad se encontrava, abraçado à sua filha.
Santiago desconfiou da maneira com a qual o tio de Maria olhava para o próprio genro. Será que ele desconfiava de alguma coisa? O advogado pediu licença ao homem mais velho e foi de encontro à ex namorada, mas acabou esbarrando com alguém a quem há muito não via.
— Santiago, que bom ver você aqui de novo!
— Oi, Amanda Keller, não é? — disse ele, tentando adivinhar o nome.
— Sim, isso mesmo. Mas, aconteceu alguma coisa para você está aqui em pleno sábado? — indagou olhando o movimento em torno da família.
Santiago explicava para a loira o motivo de estar ali, enquanto Maria o encarava com cara de poucos amigos. A mulher vendo o desconforto da empresária por ela estar conversando com o advogado, decidiu se afastar dele, pois temia uma retaliação que a pudesse prejudicar.
— Bom, eu estimo melhoras para o menino, mas agora preciso ir. Podem estar precisando de mim na pediatria. — ela se despediu dando um beijo no rosto de Santiago. Maria olhou aquilo, bufando. — Nos vemos depois, algum dia talvez!
