Capítulo Quatro
Melody permaneceu imóvel observando o homem à sua frente. Eu não tinha ideia de que tais espécimes existiam na vida real. Ela estava acostumada a vê-los em revistas de vaidade, aquelas revistas que só mostravam os homens ricos e bonitos. Folhas e mais folhas de pura masculinidade, riqueza e luxos. Homens de mãos dadas com mulheres que usavam roupas mais caras que um carro.
-Olá? Você pode falar? O homem a atacou com seu alto nível de sarcasmo. Você pode me dar o café agora? Ou ele vai me encarar por mais dez minutos? Se for o último, ele me informa para que eu possa sentar.
Ele era irritante.
Nada foi perfeito na vida? Melody piscou algumas vezes e viu como ele sorria com dentes brancos e perfeitos, típico de alguém que exalava tanto poder e dinheiro.
"Seu café vai sair quando você terminar com os outros." — Melody voltou-se para a máquina e esperou o pequeno jato de café.
Ele teve que ligar de volta para Doyle para chamar um técnico, ou eles perderiam clientes.
A lanchonete tinha muitos clientes regulares, do tipo que podiam ser vistos a quilômetros de distância. Eles eram clientes antigos frequentes que visitavam o negócio do velho Doyle.
"Ela é sempre tão irritante?"
— Sempre que um homem, porque tem dinheiro, quer passar na frente dos que já estão de plantão.
Os clientes que ainda estavam no bar olhavam de um para o outro, como se fosse uma briga, embora Melody estivesse muito perto de desferir um golpe devastador naquele gigante.
Ele sorriu com seu próprio pensamento maluco.
"Ótimo, agora ela está rindo sozinha", ela falou novamente.
Melody não podia ignorá-lo.
Era automático nela, ela sempre tinha uma resposta para tudo. É por isso que ele teve muitos problemas com seus pais. Ela era uma adolescente receptiva.
"Eu rio da sua arrogância. Não era verdade, mas pelo menos ele poderia continuar a encorajar o homem a se incomodar.
O presente em dinheiro, por algum motivo, irritou muito o filho. Se o provérbio "quem quer que você odeie durante a gravidez, como será seu filho" fosse verdadeiro, Melody adoraria que seu filho tivesse olhos tão bonitos.
Ela entregou o último dos cafés, empacotou o pedido de biscoitos amanteigados e pãezinhos e despachou dois dos clientes no balcão.
"Não entrei com arrogância. Você, mocinha na metade da puberdade, me deixou com esse humor. Ele estreitou os olhos.
Melody viu como algumas pequenas rugas foram colocadas nos cantos dos olhos.
A vida de Melody se baseava em ir e vir do trabalho para casa, talvez indo ao supermercado ou à farmácia comprar um remédio para vômito, algo que nunca havia funcionado para ela, e mesmo assim ela continuou comprando com a esperança de parar de expulsar tudo o que tocou seu estômago. Houve momentos em que a comida nem chegava ao estômago, só voltava da garganta. Por esse motivo, quando aquele presente em dinheiro entrou no refeitório, Melody inconscientemente decidiu se divertir às custas dele e refrescar os olhos no processo.
"Eu não sou uma jovem na metade da puberdade", ela rebateu e serviu o café.
O motorista, guarda-costas ou babaca, o que quer que fosse, ainda estava de pé atrás do homem rico; ele estava olhando para a porta como se uma guerra fosse estourar a qualquer momento. Seria engraçado ver uma Melody grávida batendo no cara rico com um pãozinho de manteiga.
-É o que parece. Você pode me dar o café? Se você continuar olhando assim, é bem provável que ela exploda em cima de você.
Eu tenho lidado com essas coisas há muito tempo. não vou deixar...
Bem no momento em que ele terminava a frase enquanto lhe passava o café, Melody sentiu uma cólica na barriga. Ele largou o café automaticamente para pegar onde doía.
O copo de café quente caiu no balcão, espalhando tudo ao seu redor, inclusive a camisa imaculadamente passada que ele usava.
"Mas o que diabos há de errado com você, maluco bastardo?" Você estragou minha camisa! Tenho uma reunião agora em menos de meia hora”, explodiu.
Ele tirou a camisa, aderindo à flanela que usava por baixo.
Mas Melody não pensou nisso naquele momento, a única coisa que ela podia fazer era pensar que ia morrer de dor, que poderia perder seu bebê, que doía demais e que ela não tinha ninguém para ajudá-la. .
"Senhor, você está bem?" Se queimou? Você quer que a gente vá para o hospital? — Melody ouviu como o motorista falava com o homem preocupado e chateado. Ela podia determinar aqueles timbres de voz, porque seu pai fazia o mesmo. Preocupação e raiva ao mesmo tempo.
Melody se aproximou do telefone creme pendurado na parede. Ele não ligava para fora do refeitório, e o único número que podia ligar era o de Doyle, seu apartamento. Ele apertou a discagem rápida e esperou que seu chefe atendesse. Enquanto isso, o homem xingou no que ela determinou ser italiano. Depois dos meses horríveis pelos quais passou, ela não conseguia acreditar que iria perder o filho. Ela ficou nervosa. Ele sentiu o suor frio escorrer pela testa. O italiano atrás dela não estava ajudando. O homem ficou em silêncio e ela poderia jurar que ele a amaldiçoou em sua mente.
— Sim?
Ele exalou quando ouviu a voz de Doyle.
"Doyle, sou eu", ele gaguejou.
- O que há? Muita clientela?
-Eu preciso ir. Ele não conseguia dizer mais nada, não conseguia encontrar nada que seu cérebro pudesse gerar rapidamente.
Ele mudou de pé para pé várias vezes, como se as formigas tivessem tomado conta de seus nervos.
— Ir embora? São apenas nove horas da manhã, menina, então você não pode me deixar na mão. Eu preciso de você lá embaixo. — Enquanto Doyle falava sobre compromissos e responsabilidades, Melody respirava fundo e soltava o ar com frequência.
"Doyle," ela o chamou para parar.
Naquele momento não doeu mais, não mais do que uma dor menstrual normalmente doía, mas mesmo assim ela não ia se descuidar e ficar ali sem saber se o filho estava bem.
Ela não podia ligar para a mãe, não podia porque as portas da casa de sua família estavam fechadas para ela. A única pessoa com quem manteve contato foi sua irmã mais velha. A única que, desde que ela saiu, ligou duas vezes preocupada com a situação que ela estava passando.
"Doyle!" ela gritou com ele, já irritada com sua tagarelice. Escute-me! Preciso de um taxi. Chame uma empresa de táxi ou sei lá... Tenho que ir. Eu tenho que ir para o hospital. Algo está errado com o bebê. Pronunciá-lo foi ainda mais difícil do que ela poderia imaginar e as lágrimas imediatamente encheram seus olhos.
Ele sentiu uma mão em seu ombro.
Ele olhou para trás, ainda segurando o telefone no ouvido.
— Vou levá-la.
Era o italiano.
"Não", ele balbuciou.
— Melodia? Quem está contigo? Espere, estou em baixo. Não vás.
Doyle desligou e Melody colocou o telefone na parede.
"Deixe-me levá-la", disse o homem novamente. Seus olhos eram brilhantes, mais escuros, e Melody se deu ao luxo de pensar que eram os olhos mais bonitos que já olharam para ela. Não era apenas a cor, mas a preocupação que expressavam a ele.
"Não, não posso colocá-lo nessa posição. Ela olhou para a camisa encharcada de café e corou. Ele havia arruinado seu terno, seu terno impecável. Ela tinha certeza de que devia valer uma fortuna, uma que ela não precisava pagar. Oh, Deus, mas eu estraguei a camisa dele! Realmente, sinto muito! Desta vez ela estava sendo completamente honesta.
"Tenho mais dez camisas assim, não importa." Ele tirou o peso do que tinha acontecido. Em vez disso, você parece mais chateado. Deixe-me levá-la ao hospital.
Eu não posso colocar isso nisso. Ele disse que eles têm uma reunião...
"Estou cancelando agora."
Melody o observou boquiaberta.
Ele facilmente passou de um homem desprezível para se tornar um príncipe em um corcel, ou talvez ele apenas quisesse jogá-la para fora de sua carruagem enquanto ela estava em movimento.
— Clark, ligue para o Bruce e diga que vou me atrasar, que vão trabalhar sem mim. — O motorista, ajudante, fez a ligação solicitada e acenou com a cabeça quando tudo foi afirmativo do outro lado da linha.
Eu não disse a ele que aceitei. Eu não vou com você para o hospital. Eu não o conheço. Não sei quem é. Obrigado pela oferta e pelo incômodo, posso até levar sua camisa à lavanderia, embora tenha certeza, como você mesmo disse, deva ter um milhão dessas…
"Você sempre fala sem parar?" Ele a interrompeu e sorriu divertido com a situação.
-Do que você ri? Eu tenho uma bola vermelha no nariz ou o quê?
— Manchas de café, sim, mas não vejo bola vermelha.
Melody se olhou de corpo inteiro. De fato, sua blusa branca estava manchada de gotas de café que caíram do bar.
-Legal.
"Algumas gotas de café não são nada comparadas à minha camisa." Não faça drama sobre isso.
"Eu não estou fazendo nenhum..." Ela colocou a mão na bochecha, que estava começando a umedecer.
Fantástico, ela começou a chorar com algumas gotas de café na blusa. Ela não sabia o que era pior, se chorava por causa dos hormônios da gravidez, que os traziam à testa, ou porque o italiano a via como uma madeleine.
-Então que? O que estamos esperando para partir? Olha, eu já cancelei minha reunião para você. O mínimo que você pode fazer é deixá-lo levá-lo.
— Não brinque com a minha cabeça, senhor. — Melody não conseguia se lembrar de que diabos o motorista, ajudante, havia chamado quando ele chegou. Um nome como Díaneto ou Ganetto.
A campainha da porta tocou e Doyle entrou por ela.
— Melody, o que diabos é...? Deixou a pergunta no ar quando seu olhar pousou no italiano. Melody observou como sua expressão mudou de confusão e preocupação para pânico. Mas que? Timóteo? O que aconteceu? Melody derramou café em você?
-Ouve! ela exclamou ofendida.
“Não, foi tudo uma confusão. Agora, se estiver tudo bem, você pode dizer a ela para me deixar levá-la ao hospital? Ela está aparentemente grávida.
-Estou grávida. — Melody enfatizou cada palavra. O homem falou como se estivesse questionando seu status.
"Ela está grávida", confirmou Doyle.
O homem continuou com a testa cheia de rugas. Doyle deveria chegar a sessenta agora. Sua esposa morreu há dois anos e seu único filho voltou apenas no verão. Ele estava prestes a se formar e finalmente poderia ganhar mais dinheiro para ajudar o pai no refeitório. Os scones, biscoitos e pãezinhos servidos lá eram preparados na cozinha de Doyle desde as quatro da manhã. Quando Melody chegava às sete, ela subia para procurá-los. Ambos sabiam que em alguns meses ela não conseguiria subir as escadas, mas enquanto isso faziam o melhor que podiam.
"Esse ponto foi esclarecido, Doyle, estou indo." Senti uma dor muito forte na barriga e preciso saber se o bebê está bem.
-É claro. Vá com Timóteo. Mas como você fará isso se não tiver seguro de saúde?
"Uma jovem grávida sem plano de saúde?" — Dessa vez Melody ouviu como esse Timothy perguntou surpreso.
Isso não era da sua conta, muito menos iria divulgá-lo.
Quando o pai de Melody descobriu qual era a decisão dela, ele cancelou seu seguro de saúde. Ele estava pagando por isso mesmo quando ela atingiu a maioridade. Porém, agora com a decisão dela de continuar a gravidez, seu pai fez o impensável: tirou-a do plano de saúde. Para completar, ela pediu à mãe que ligasse para ela para informá-la com a desculpa de que ela não deveria se envergonhar de ir ao exame. Melody nunca teria acreditado que seu pai pudesse ser capaz de algo assim se não fosse pelo fato de ela ter ligado para a seguradora e eles terem confirmado. Isso foi até onde seu ressentimento acabou.
Vou dar um jeito de resolver. Eu tenho algum dinheiro em casa. Nos vemos em um minuto. Não dói mais. Ela tirou o casaco do cabideiro ao lado da porta do banheiro dos funcionários e o vestiu apressadamente. Estou bem agora, só sinto um pouco de dor. Só quero confirmar...
"Que está tudo bem", completou Timothy. Nós já entendemos isso. Clark" - ele se virou para o motorista - "vá ligar o carro. Vou sair em um minuto. Jovem, acompanhe meu motorista, por favor. Ele deu um passo para o lado e acenou com o braço em direção à porta.
"Eu já te disse que posso chegar ao hospital sozinha."
"Você não tem seguro. Não há necessidade de pagar seu dinheiro para cuidar dela se eu era a causa de seu surto.
"Você não causou tal coisa!" Estava bem!
Melody cruzou os braços e lançou raios para ele com seu olhar de aço. Doyle olhou para Timothy como se não pudesse acreditar que pudesse machucar uma formiga.
"Comecei a gritar com ele porque ele estava demorando muito com o café", explicou como se fosse necessário.
"Você estava atrasado com o café?" Mas se servir um café não tem ciência, menina. — Doyle então olhou para ela como se ela fosse boba, o que não fez nada além de irritar ainda mais Melody, que quase se sentiu tentada a começar a chutar como uma garotinha.
"A máquina não ajudou!" Está danificado de novo! Ela olhou para o italiano, como se ele fosse culpado pelo aquecimento global. Ele começou a me atacar. Não era nem a vez dele. Havia outras pessoas que estavam antes dele.
-Que pessoas? Não vejo mais ninguém aqui. Doyle abriu os braços e fingiu observar todo o refeitório. Está vazio, Melody.
"Agora é." — De fato, todos os clientes já haviam ido embora e ela não percebeu. Felizmente, ele cobrou de todos no momento em que anotaram o pedido e não quando saíram. Foi uma tática que ele leu em uma revista de serviço e achou bastante produtiva e eficaz. Um tempo atrás eu estava explodindo.
-É certo. O Sr. Rich veio em sua defesa e ela olhou para ele com raiva. Não importa o quanto ele a defendeu, ele a fez parecer uma idiota na frente de Doyle.
O homem deu a ele a chance de ficar lá no refeitório, mesmo expulsando todos os outros. Ele havia confiado nela e Melody havia prometido a si mesma não decepcionar essa confiança.
— Muito bem, não há mais clientes. Vá com calma, eu fico até você voltar. Doyle suavizou imediatamente ao ouvir Timothy defendê-la.
Melody se perguntou que tipo de relacionamento esses dois tinham.
"Vamos então?" Olha, Clark está esperando por nós já faz um tempo.
— Vá com ele, Melody. Deixe Timóteo ajudá-lo. Ele é um bom homem.
-Não o conheço.
-Mas eu sim. Ele é amigo do meu filho. É confiável. Se ele disser que vai te levar, é porque ele vai.
"Tenho certeza que você só conhece clínicas caras." Não posso pagar uma consulta em uma clínica cara. Ela quase sussurrou essas palavras para Doyle.
Mas era verdade, ele só tinha um pouco de dinheiro sobrando em suas economias. Não tinha como pagar tudo numa clínica por capricho daquele italiano vaidoso.
-Eu pago por isso. Tenho contatos no Pavilhão Médico Feminino de Westside. Pare de girar isso. Me sinto culpado. Se ele soubesse que ela estava grávida, não a teria atacado tanto. Ele deixou implícito o pedido de desculpas.
Melody notou como Doyle quase gritou com ela com os olhos para aceitar a ajuda.
"Vou fazer isso só porque danifiquei a camisa dele com o café." Ela se dirigiu para a porta. Estaremos à disposição.
