Não se iluda
Quando Danilo caminhou para seu quarto naquela noite passou pelo corredor que levava aos quartos da casa e pode ouvir o som do choro de Ana. Aquilo pela primeira vez o deixou comovido, angustiado. Não era a primeira vez que ouvia o choro de Ana, mas era a primeira que não ignorava. Ela chorava muito e Danilo sabia muito bem a causa daquele choro. Seu avô tinha tomado uma decisão por eles que acabou com suas vidas.
De repente sem que ele esperasse Ana apareceu na porta e se mostrou surpresa ao vê-lo ali parado. Seus olhos se cruzaram em um diálogo silencioso, expressando toda a indignação que ambos sentiam diante daquela realidade:
___ Consegue convencer seu avô a desistir dessa loucura? (Ela disse limpando as lágrimas que insistiam em descer por sua face)
Danilo não sabia o que dizer a ela aquele momento, estava em choque e olhar no fundo dos olhos de Ana pode ver toda sua frustração com a certeza que estariam ligados um ao outro para agradar o velho fazendeiro a quem tanto amavam e respeitavam:
___ Eu prefiro a morte que me casar com você ! (Disse Ana)
Danilo também não estava de acordo com a proposta de seu avô, mas devia muito ao homem que o criou, que dedicou sua vida a torná-lo uma pessoa de bem e mesmo sendo todo errado seu avô o amava incondicionalmente levando em consideração o amor paterno que oferecia ao neto.
Tinha a sensação que estava em um beco sem saída, pois de um lado havia a certeza que jamais poderia amar Ana como esposa e por outro havia seu avô enfermo, já caminhando para seus últimos momentos de vida.
...
O tempo passou levando a angústia que ambos sentiam pela aproximação da data do casamento que o próprio Camilo havia marcado para a próxima semana.
O médico que cuidava do fazendeiro deixou todos sem esperança quando notificou que a doença em seu fraco coração se agravou e não havia nada que a medicina podia fazer para oferecer mais vida a Camilo.
Danilo escolheu aquela manhã chuvosa de domingo para cavalgar, estava com o peito apertado, angustiado por não encontrar uma solução para seu maior problema que era se tornar marido da garota órfã que sempre detestou.
Desde que Camilo notificou a eles seu último desejo Ana vivia fugindo dos olhos de Danilo, não suportava conviver com ele sob o mesmo teto sabendo em poucos dias aquele homem que ela sempre detestou se tornaria seu marido.
As empregadas logo tiveram conhecimento sobre o futuro de Ana e não perderam a oportunidade de humilha-la ainda mais.
Ana lavava o pátio principal da casa quando notou que Danilo havia saído logo cedo para cavalgar. Ela sentiu seu coração se apertar, não suportava a tentação de sempre olhar para ele, não compreendia o porque de estar sempre atraída para Danilo se só tinha sentimentos negativos pelo neto de seu patrão.
Aquela manhã nenhum dos dois faziam ideia do que o destino lhes reservava.
Danilo cavalgava debaixo da fina chuva que deixava sua roupa úmida, não se importava em se molhar, mas se importava com seu coração estar em guerra.
Estava exausto de tanta aflição depois da proposta de seu avô, queria discordar, ignorar, negar, mas não teria coragem para magoar Camilo. Até poderia se fosse capaz, mas o remorso seria destruidor quando seu avô deixasse esse mundo.
Encontrou no final da estrada a pequena casa o de se refugiava, havia marcado um encontro com uma garota de programa, que estava ali a sua disposição para satisfaze-lo. O sexo o acalmaria por um momento, ele não sabia onde mais buscar consolo.
Amarrou o cavalo junto do tronco de uma árvore e entrou na casa. A garota era nova, indicada por um de seus amigos que por mensagem diziam " Aproveita seus últimos dias de solteiro!".
Danilo já foi tirando a camisa molhada e agarrando a garota loira de olhos azuis pela cintura. Ela sorriu, conhecia já há um tempo a fama do herdeiro daquelas terras prósperas. Qualquer mulher no mundo sonhava se tornar a dona de seu coração e de toda riqueza que ele possuía:
___ Soube que vai se casar! (Disse a garota)
___ Isso não é da sua conta! Tire essas roupas e termine logo com isso! (Disse Danilo se mostrando impaciente)
___ Vai tratar sua esposa assim também? Como mero objeto? (Disse ela tirando o vestido curto que usava)
O corpo delicado e bem torneado por salientes curvas se revelou diante de seus olhos:
___ Não te paguei para cuidar da minha vida! (Disse Danilo)
A garota sorriu com malícia e deitou na estreita cama, abriu as pernas e o convidou.
Danilo procurou ser rápido, aquela noite ainda tinha uma festa para ir e seu avô fazia questão que ele levasse Ana para apresentá-la aos seus amigos e mostrasse a todos que ela seria sua futura esposa.
Após terminar com a garota de programa lhe entregou o dinheiro e ficou ali deitado olhando para o teto do quarto.
___ Vai continuar me procurando depois de seu casamento? (Ela perguntou passando o dedo indicador por seu peito nú)
___ Não sei... Já tem seu dinheiro agora me deixe sozinho... (Pediu Danilo a ignorando)
Ela colocou o maço de dinheiro entre os seios no sutiã e saiu da casa. Ficou então Danilo ali deitado referindo sobre sua vida, pensando em tudo que já havia vivido e não conseguia relaxar quando sua mente lhe lembrava que em panelas quatro dias estaria casado.
Não saberia responder a garota de programa ou a qualquer outra pessoa se manteria se fiel a Ana. Ele era um homem jovem e insaciável em relação a sexo e tinha duas dúvidas se Ana poderia satisfaze-lo.
Tinha certeza que Ana era virgem e essa certeza só confirmava uma coisa: Ela é completamente inexperiente no sexo. Se vão se casar Danilo queria apenas se certificar que sua mulher fosse boa de cama, pois somente assim ele não a trairia e não buscaria lá fora o que não tinha em casa.
Pensar sobre aquilo o deixou agitado, pois sua mente fértil de imaginação o levou a imaginar a pureza de Ana e sua fome e desejo por possui-la como mulher. Confessava o quanto Ana havia se tornado uma bela mulher, mesmo não sabendo se vestir para deixar em evidência o belo corpo que possuía, sabia que havia desejo por ela, mesmo a odiando desde sempre.
