Encurralada
Danilo era um homem de temperamento difícil, o único que sabia lidar com ele era seu avô. Camilo sabia que o jeito explosivo e compulsivo de seu neto se dava em razão da morte de seu pai ainda quando era criança e a partida de sua mãe para a França o deixando aos cuidados do avô.
Camilo que acabou pedindo a sua nora para que o deixasse com ele na fazenda, pois já era difícil o vazio de ter sepultado seu único filho.
A mãe de Danilo não se importou em deixar o menino, e prometeu que viria visitá-lo.
Os problemas começaram a surgir, Danilo havia se tornado um homem sem responsabilidade para nada e deixava deu avô em maus lençóis com muita preocupação.
Por isso Camilo tinha paciência, ia levando o mau comportamento de seu neto herdeiro, tentando mostrar a ele que suas ações impensadas tinham consequências. E ele não admitiria de modo algum que Danilo faltasse com o respeito a Ana. Ele poderia usar seu poder de conquista a qualquer mulher mas não aceitaria que brincasse com os sentimentos de Ana. A garota já tinha uma vida sofrida ao ser abandonada pelos pais e não a submeteria a mais sofrimento.
Mas Danilo não estava a fim de ficar em silêncio depois de ser ameaçado por seu avô a perder seu direito a herança por causa de Ana a neta bastarda. Ele a odiava, desde que chegou né fazenda, tinha ciúme da forma amorosa com que seu avô a tratava.
Estava determinado a vingar aquela humilhação que passou com a brinca que levou de seu avô e seria ainda aquele dia.
Antes de ir trabalhar na sede da administração da fazenda resolveu antes ir fazer Ana reconhecer seu lugar ali na sua casa.
Perguntou as empregadas por onde andava a pupila de seu avô e elas o informaram que Ana estava no rio tomando seu banho matinal.
Ana surpreendia a todos com sua rotina, ela não era uma garota comum que apreciava as coisas da sua idade, não tinha luxo nem vaidade, mas apreciava o contato direto com a natureza.
Mesmo tendo uma vida difícil e sendo escravizada pelas "sargentas" as empregadas que lhes ditava as ordens pela casa ela ainda conseguia encontrar o lado bom da vida. Gostava de ter um tempo sozinha para buscar renovar suas forças.
Aquela manhã ensolarada de calor intenso calor de início de verão.
Danilo não sabia que Ana tinha o costume de tomar banho no rio, era uma novidade. Quando a encontrou mergulhando nas águas claras do rio que cortava a fazenda ficou surpreso. Ana usava apenas suas peças íntimas para aproveitar a água refrescante. Danilo admirou cada parte de seu corpo jovem, ela era uma escultura delicada, extremamente atraente e o deixou impactado. Não imaginava que aquela moça que vivia sob o mesmo teto que ele era uma mulher linda. As roupas que ela usava não deixavam evidenciar as belas curvas de seu corpo jovem.
Ele caminhou em direção ao rio de revelando diante dos olhos assustados de Ana:
___ Que vida boa em? (Disse Danilo se agachando ali na pedra e pegando as roupas de Ana)
Ele avaliou atentamente cada peça de roupa, eram uma saia longa de retalhos com flores e uma camisa do mesmo tecido. As poucas roupas que Ana possuía eram ganhadas de sua amiga Bianca e outras ela mesma confeccionava pois tinha a habilidade para costurar.
A presença de Danilo a deixou em desespero, conhecia muito bem a malícia nos olhos escuros dele. Seu coração batia na garganta, sua respiração estava descompassada:
___ Danilo deixe minhas roupas onde estão! (Disse Ana com raiva)
___ São suas roupas?Jurava que eram roupas da nossa cozinheira Antônia! (Disse Danilo rindo)
___ Sim são minhas!
___ Agora entendo... Você se esconde dentro desses trapos... (Disse ele rindo)
___ Deixe minhas roupas onde estavam Danilo! (Ela disse com voz embargada pelo choro)
Porém não chorou, resistiu as lágrimas que teimava descer para expressar sua raiva:
Danilo riu mais ainda e jogou as roupas na água o que enfureceu Ana. Se ela tivesse coragem suficiente com certeza sairia da água e lhe daria um tapa no rosto merecido, mas se conteve.
___ Preste atenção no que vou te dizer Ana! Não tente colocar meu avô contra mim! Você não passa de uma empregada que por acaso tem a simpatia dele!
Danilo saiu e a deixou ali em total desespero. Sabia que o único neto de Camilo a odiava, desde que chegou há oito anos atrás ali na fazenda pode perceber a raiva que ele sentia por ela.
E cada vez mais esse ciúme o cegava. Ana não tinha coragem para contar todas as maldades que Danilo fazia a ela. Tinha medo de suas ameaças, de seus amigos pervertidos.
Muitas foram as vezes que encontrou Danilo com outros amigos no estábulo com outras mulheres. Eles não eram adolescentes, mas homens sem responsabilidade, sem um pingo de vergonha na cara e respeito pelo seu avô que estava doente.
Ela guardava todas as humilhações, porque certamente Camilo ficaria muito magoado. Ele conhecia o neto que tinha. Aquela ameaça de perder a herança o deixou louco de ódio e não mediria esforços para punir Ana que para ele era a única culpada.
Ana resolveu voltar para casa, com certeza as "sargentas" já estariam questionando sua demora. O que era para ser um momento de paz a deixou ainda mais nervosa com a presença de Danilo aquela manhã. Teve de nadar até suas roupas para evitar que a correnteza as levassem. Não teria tempo nem de ficar ao sol para se secar, seu tempo era curto e não queria mais problemas.
Se trocou com dificuldade, pois era muito incômodo vestir uma roupa completamente molhada e tratou de correr para chegar a tempo de ajudar preparar o almoço.
Quando chegou no pátio da fazenda mais uma vez sentiu seu coração disparar, Danilo estava encostado em sua camionete falando ao seu celular. Ana cruzou os braços e passou por ele, não havia outro caminho até a entrada da casa. Os olhos de Danilo devoraram as curvas de seu corpo que estavam evidentes no sua roupa molhada pregada em seu corpo.
Precisava tomar um banho para não se resfriar e sentia seu rosto queimar de raiva e vergonha com o olhar cheio de malícia de Danilo.
Após o banho quente ela procurou se trocar rápido, estava atrasada para ajudar na cozinha. Escolheu um vestido longo e depois de vestida ficou por alguns instantes se olhando no espelho. Pensando aquele momento nas palavras de Danilo que lhe disse que ela se escondia por baixo daqueles trapos. Realmente Ana era uma moça linda, preferia a simplicidade, não ligava para se arrumar, afinal de contas quem ela queria chamar a atenção? Estava vivendo de favor na fazenda, não recebia um salário para comprar suas coisas pessoais, não podia ter o luxo de passar nem um batom.
Depois voltou em si, não podia levar as palavras de humilhação de Danilo para dentro de sua alma, ele era um homem que jamais merecia sua atenção.
Penteou os cabelos e o prendeu em um coque. Na cozinha não podia exibir seus cabelos longos e sedosos. Sabia que as empregadas não gostavam de indisciplina, exigiam o uso de touca e total higiene para manipular os alimentos.
Ana ficou aflita quando percebeu o quão estava atrasada, calçou seus sapatos e desceu às pressas as escadas em direção a cozinha.
Os olhares de desprezo de Marta e Tereza pousaram sobre Ana quando ela chegou procurando seu avental. As duas mulheres morriam de inveja da pupila do patrão. Sabiam que mesmo trabalhando na casa da fazenda Ana tinha o respeito e a proteção de Camilo, enquanto elas só cabiam executar o trabalho e receber o salário.
Por isso buscavam puni-la lhes passando os trabalhos mais penosos de limpeza.
Ana não se importava realmente com a forma fria que era tratada por elas, sabia que despertavam a inveja por ter sido resgatada por Camilo. Ela preferia ser constantemente humilhada do que viver sozinha sem ajuda desde a infância.
Quando serviu a mesa Camilo já estava ali sentado lendo seu jornal. Sorriu satisfeito quando viu Ana chegar, a moça enchia sua vida de alegria:
___ Danilo está em casa? (Perguntou Camilo)
___ Sim senhor! (Ela respondeu com medo de expressar a raiva que tinha pelo neto de seu tutor)
___ Vá chamá-lo para almoçar conosco! (Disse Camilo)
Ana terminou de ajeitar os talheres sobre a mesa e saiu em direção a escada. Com seu coração na boca, com raiva de mais uma vez ser obrigada a encarar os olhos maliciosos de Danilo.
Quando chegou no quarto dele a porta estava entre aberta e pode ver a movimentação lá dentro. Danilo não estava sozinho, havia uma mulher em sua cama. Ana suspirou, era a tarefa mais difícil que poderia executar, preferia lavar dois chiqueiros do que ter que olhar para a cara de Danilo.
Distraída ela esbarrou na porta e a fez se abrir totalmente. Os olhos escuros de Danilo queimaram em sua direção, ela saiu às pressas dali e retornou para a sala de jantar.
