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###capítulo 2

Quincy estava finalmente tendo uma noite de sono tranquila, sem interrupções, até que uma voz estridente ecoou em seus ouvidos.

— Quem é Alexandra?? — A voz estava carregada de raiva e confusão.

Quincy abriu os olhos, confuso, e se deparou com o rosto tenso de Cherry, seus olhos castanhos ardiam de fúria.

— O que? — Quincy mal conseguia entender a pergunta, ainda tentando se situar entre o sono e a realidade.

— Quem é Alexandra? Quincy, eu ouvi claramente você chamando por ela. — Cherry repetiu, sua voz agora cheia de acusação.

— Como eu vou saber, Cherry? Você deve ter escutado errado. Poderia ser qualquer coisa... um pinguim ou um pedaço de pão.— Respondeu Quincy com uma calma quase irritante.

— Isso não faz sentido, Quincy. — Cherry estava quase em prantos, sua histeria aumentando a cada palavra.

— Exatamente, não faz sentido algum. — Quincy reafirmou, tentando trazer lógica para a situação.

— Eu fiz um maravilhoso pequeno-almoço para nós conversarmos, mas vou embora com tudo, — disse Cherry, sua voz tremendo de revolta.

Quincy, sentado na cama, suspirou e esfregou os olhos. — Cherry, esta casa é minha, não se esqueça, e nós já terminamos. Não entendo esse drama todo.

Cherry cruzou os braços e desviou o olhar, sua expressão suavizando para uma mistura de tristeza e esperança. — Eu sinto que nós podemos nos acertar, pode ser como antes. Desta vez, não te pressiono como antes, prometo.

Quincy balançou a cabeça lentamente, sentindo o peso da situação. — Cherry, nós já conversamos sobre isso. O que você fez não faz sentido, invadir a minha cama desse jeito."

Cherry engoliu em seco, tentando conter as lágrimas. — Isso tudo é por causa da Alexandra, não é? Eu vou embora. — Disse ela decidida, e Quincy assistiu a mulher a ir embora.

Logo depois, o celular de Quincy tocou. Ele olhou para o ecrã e viu o nome de Diogo. Atendeu de imediato.

— Aconteceu alguma coisa? Estás atrasado para a corrida. — indagou Diogo, que já se encontrava na praia.

— Eu estou me levantando. Bebi um pouco ontem e hoje acordei com a histeria da Cherry — contou Quincy, ouvindo a risada de Diogo do outro lado da linha.

— A Cherry? Afinal não tinham terminado?— Perguntou Diogo, ainda rindo.

— É claro que terminamos, mas conversamos melhor assim que eu chegar,— disse Quincy, encerrando a chamada.

Quincy desligou o telefone e sentou-se na beira da cama, esfregando o rosto com as mãos.

[....]

A manhã de sábado na cidade de Grandes Lagos estava repleta de vida e atividade. Ciclistas e pedestres tomavam conta das vias públicas, todos determinados a aproveitar o início do fim de semana. Alguns estavam ali para exercitar seus corpos, pedalando vigorosamente ou caminhando com passos firmes, enquanto outros simplesmente queriam desfrutar do sol sorridente e da brisa matinal.

Os parques e calçadas eram um mosaico de cores e movimentos. Famílias passeavam com seus cães, crianças corriam e brincavam, enchendo o ar com risadas e gritos de alegria. Os ciclistas, com seus capacetes coloridos e bicicletas modernas, deslizavam pelas ciclovias, compartilhando a pista com corredores dedicados que não deixavam o ritmo cair.

 

Era o mesmo sol que também brilhava para Alexandra, insistindo em penetrar através do tecido fino que revestia as grandes janelas vitrais de seu quarto. Os raios solares invadiam o espaço, projetando padrões luminosos nas paredes e no chão. Alexandra, em um esforço constante para escapar da luz intensa, se movia de um lado para o outro na cama, procurando um refúgio na sombra.

A sensação de estar dentro de um forno só aumentava sua inquietação. O calor, combinado com a luz, tornava impossível encontrar conforto. Cada vez que se afastava dos raios, eles pareciam seguir, teimosos em sua busca para alcançá-la.

Em algum momento, Alexandra chegou a ter a sensação de que o mundo estava acabando. Tudo parecia desfocado, e seu corpo reclamava de maneira dolorosa. Mas ela sabia que não era nada além do efeito da bebedeira do dia anterior.

 

Repentinamente, Alexandra escutou o som da campainha. A princípio, decidiu ignorar, pois não se encontrava em condições de receber visitas. O efeito da bebedeira da noite anterior ainda pesava sobre ela, tornando qualquer interação social indesejável.

No entanto, a pessoa do outro lado da porta mostrou-se insistente e continuou a tocar a campainha de forma abusiva. Cada toque era como um martelo batendo em sua cabeça já dolorida. Alexandra apertou os olhos, tentando bloquear o som, mas sem sucesso.

 Ergeu-se com muita dificuldade, sentindo o chão revestido de mosaico a tremer sob seus pés. A tontura era intensa, mas conseguiu calçar suas pantufas azuis e, com passos vacilantes, dirigiu-se à porta. Cada movimento parecia um esforço monumental, mas o som insistente da campainha não lhe dava escolha.

Ao abrir a porta, deparou-se com uma mulher alta. O macacão longo de alça larga na cor bege que ela vestia, combinado com sapatilhas brancas, conferia-lhe uma elegância natural. Seus cabelos ruivos sedosos esvoaçavam levemente com a brisa, adicionando um toque de sensualidade à sua presença.

A mulher sorriu, um sorriso que parecia iluminar ainda mais o ambiente já banhado pelo sol.

— Alex….. Humm,  o que foi que aconteceu ?—  A mulher com o seu sotaque escoces questionou e inspecionou Alexandra de cima para baixo, o seu semblante estava horrivel, tinha até marcas no seu rosto. Depois adentrou.

— Ah  tens as chaves, Glória, podias a ter usado. Estou a surtar de dor de cabeça, bebi demais — Resmungou e fechou a porta, sua boca estava seca como se tivesse feito jejum de liquidos, e o pior era sentir o gosto da bebida, por isso mesmo

Foi de  encontro com um copo de água.

 

— Não, não, não  mesmo, Alexandra Zavala, podre de bêbada, quem diria? — Declarou a Glória com — Por favor glória,  prepara o Caldo para a ressaca já não aguento,  vou tomar um duche.—  Implorou  Alexandra, e  ignorou as insinuações de  Glória.  Foi ao balneario, retirou o roupão,  abriu a torneira, enquanto esperava a água aquecer, tentava puxar na sua memoria o rosto do homem e o que realmente tivera acontecido na noite passada, mas estava convencida que não tinha se envolvido sexualmente com ele.

 

Todavia, Glória não estava convencida de que essa história deveria terminar daquela maneira. Determinada a encontrar respostas, foi em direção ao balde de lixo e retirou o bilhetinho amassado que havia descartado. Sem perder tempo, pegou o telefone e discou os números anotados no papel.

Levou o auscultador ao ouvido, ansiosa, enquanto o som do telefone chamando ecoava em seus ouvidos. Chamou uma, duas, três vezes, e ninguém atendeu. Mas Glória, sendo uma pessoa obstinada, não se deu por vencida. Ligou novamente, os dedos trêmulos apertando os botões com determinação.

Finalmente, após algumas tentativas, a chamada foi atendida. Do outro lado da linha, uma voz rouca respondeu com um hesitante

 

— Alô,  Quincy, aqui quem fala é  a Alexandra.— Disse Glória a tentar imitar a voz da amiga.

 

— Ahm sim Alexandra, és muito presistente, se não tivesse insistido não iria ligar de volta, não tenho o hábito de atender numéros desconhecidos.—  Declarou  Quincy  com a sua voz dotada de charme, estava surpreso não esperava por aquele telefonema,  que fez a questão de fazer uma pausa, estava na companhia de seu amigo Diogo   que viu-lhe a sorrir,  cumpriam com a ginástica matinal que iniciará com uma corrida lenta.

 

— Sempre,  principalmente quando é algo que  me interessa.— Glória Afirmou presunçosa, de tal maneira que Quincy ficara espantado, no dia anterior julgou que estivesse a lidar com uma mulher tímida, e não com uma ousada como parecia no telefonema, até porque ele gostava das ousadas, e isso não tinha nada haver com ser oferecida. Ele era lego em lidar com mulheres, sabia que cada uma tem sua particularidade, não conjugava da ideia de que todas as mulheres quando tomam iniciativa  significa necessariamente que está disponível mas sim que tem garra, e sabe exactamente o que quer, e vai se expressar sem rodeios.

 

— Então está disposta a fazer um retrato meu? —  Indagou Quincy empolgado.

 

— Claro, seria muito bom que  nos encontrássemos para acertamos os detalhes. — Novamente  declarou Glória revestida de ousadia, e espreitava para ver se Alexandra não estava a escuta-la

 

— Senão for incomodo, eu podia passar de sua casa daqui a 30 minutos,  o que me diz a respeito? — Sugeriu  Quincy a verificar as horas no seu relógio de pulso.

 

— Claro,  com certeza, aguardo por si. — Glória  concordou  sorridente.

 

— Até já. — Despediu Quincy  e  terminou a  chamada.  Repentinamente foi tomado por uma felicidade inexplicavél.

 

— Posso saber quem era já agora? —  Questionou Diogo  seu companheiro, a felicidade de Quincy não passou despercebida.

 

— Uma jovem que conheci ontem no bar.— Declarou Quincy,  abriu a tampa do bebedor, deitou-se com a água para lavar o suor.

 

— Não acredito, El matador, esse não é o teu feitio, sorrir por causa de uma mulher do bar. — Afirmou Diogo admirado.

 

— Eu só quero que a jovem faça um retrato meu e mais nada. — Justificou Quincy,  e não sabia o porquê de estar a justificar afinal de contas não devia satisfação a ninguém.

 

— Tudo bem,  não está mais aqui quem falou. — disse Diogo convencido que  seu amigo estava a interessar-se por alguém.

 

Contudo, Alexandra saiu do balneário, vestiu-se com muita dificuldade, por conta da ressaca. E após dez minutos já estava pronta e foi em direção a sala,  e ficou estupefada, Glória estava a arrumar a sua sala.

 

— o que está a acontecer?  O caldo já está pronto? — Indagou Alexandra, desconfiava que algo não estava bem, Glória estava a ajudar-lhe com a limpeza não o feitio dela, a preguiça era seu nome do meio.

 

— Minha amiga, vais receber visita,  e se eu fosse você,  mudaria esses calções de Mickey mouse.— Declarou Glória  na maior tranquilidade, Alexandra entrou em ebulição com o que escutou

 

— Do que  você está a falar? —  Questionou  Alexandra de uma forma ameaçadora.

 

— Toma  o caldo  querida vai te por melhor. Ahm sim, é verdade, o Quincy está a caminho para negociar o assunto do retrato. —  Glória entregou-lhe o prato de caldo  ainda na calmaria como se não tivesse feito nada de especial.

 

—  vou te matar, se você fez o que  estou a pensar. — Ameaçou  Alexandra furiosa,   largou o prato de caldo na sua mesa de vidro e pegou na vassoura e apontou lhe.

 

— Para de drama, no final do dia você vai me agradecer, eu só quero o teu bem, quero que  enterre logo aquele filho da mãe do Hugo, já faz uma semana, até quando vai continuar a fazer papel. — disse Glória com as mãos no ar como se lhe tivessem apontado com uma arma, que na verdade era por conta da ameaça da vassoura.

 

— Não mesmo, vou te arrebentar com a vassoura……. — Dizia Alexandra,  e de rompante escutou o som  da campainha……

 

O som da campainha nunca tivera ressoado como um condutor de ansiedade como naquela manhã, seu coração estava célere de maneira que ameaçava  rasgar o seu seio esquerdo,  Alexandra, respirou fundo e disse:

 

— Você  espera ai,  vou só abrir a porta.— Declarou a apontar-lhe com o dedo de uma forma ameaçadora, Glória não deixou de gargalhar.

 

Com passos gigantescos  aproximou da porta de madeira pólida,  com sua pequena mão trêmula,  girou a maçaneta de inox.  E ao abrir, seus pequenos olhos castanhos deslumbraram  a figura de um homem de aproximadamente 1,90m, com o  tom de pele chocolate, brilhava como se tivesse bronzeado, suas  pupilas dilataram quando viu as veias pulsantes do pescoço grosso, seguia-as, até onde começava o  tecído da sua camisa que escondia aquela musculaturia brava, que fazia a questão de marcar presença dando forma as vestes do homem…

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