Capítulo 5
Perspectiva da Melanie
Desci do carro e todos ao redor, inclusive os seguranças, estavam olhando para o carro com admiração. Quero dizer, eu tive a mesma reação quando vi o carro e me disseram que era minha carona para o trabalho.
Um maldito Rolls Royce! Eu balancei a cabeça internamente, se ao menos eles soubessem a situação em que me encontrei. Eles não iriam ficar olhando para o carro que me trouxe até aqui.
— Bom dia de trabalho, senhora. — O motorista fez uma saudação.
— Obrigada. — Eu disse, pouco acima de um sussurro. O motorista parece ser uma pessoa decente, mas como ele trabalha para uma organização mafiosa, não posso confiar nele.
As aparências enganam, certo?
A entrada familiar do hospital apareceu diante de mim, dando-me a sensação de normalidade que eu desejava desesperadamente. Meu coração estava pesado com o peso do controle de Adriano Alfonso. Eu sabia que, de agora em diante, minha vida nunca mais seria como antes. Enquanto caminhávamos pelos corredores do hospital, os colegas me cumprimentavam com sorrisos amigáveis. Alheios à minha nova prisão.
— Chloe, o Sr. Thompson quer que eu vá à sala dele agora mesmo. — Um colega me disse no vestiário enquanto eu tentava trocar meu uniforme de trabalho.
Tive um momento de déjà vu.
Fiquei paralisada, com a blusa meio coberta pela cabeça. O que foi?
Meu estômago deu um nó. Flashes da cena de apenas um dia antes, quando o Dr. Thompson pediu para me ver em seu consultório, vieram à tona em minha mente. E foi isso que levou à minha situação difícil.
— Ele disse por quê? — perguntei, tentando parecer casual.
— Não faço ideia, mas ele parecia urgente — respondeu meu colega, saindo correndo do vestiário.
Com a mente acelerada, terminei de me trocar e me dirigi ao consultório do Dr. Thompson. A familiaridade dos corredores do hospital agora parecia sufocante, sabendo que a influência de Adriano estava à espreita em cada esquina.
Quando entrei no consultório, o sorriso geralmente caloroso do Dr. Thompson foi substituído por uma expressão tensa.
Não fiquei surpreso - seria ingenuidade esperar que ele me recebesse com entusiasmo depois do incidente de ontem. Certamente o Dr. Danny já havia relatado o que acontecera durante nossa operação particular e explicado por que eu não retornei com ele.
— Senhor, o senhor me chamou. — Fui direto ao ponto, não querendo ficar aqui por muito tempo.
O Dr. Thompson estava em frente à sua mesa, de costas para mim, mas se virou para mim.
— Melanie, eu... — Ele estava prestes a responder, mas foi interrompido.
— Deixe-nos, doutor — ordenou um familiar.
Eu já tinha ouvido essa voz em algum lugar, mas não sabia onde tinha ouvido. Eu me estiquei um pouco, olhando para trás do Dr. Thompson.
E sentado na cadeira do diretor, como se fosse o dono do lugar, estava ninguém menos que Adriano Alfonso.
— Você? — Eu estremeci, seus olhos frios de quando ele matou o homem a sangue frio ressurgiram na minha cabeça.
De repente, o ar cheirava a intimidação.
O Dr. Thompson se retirou às pressas, deixando-me presa com o infame Adriano Alfonso.
— Eu perguntei por você, Melanie. — O olhar de Adriano nunca deixou o meu, seus olhos penetrantes.
— Melanie Jones, da Taxes. Roselyn e Sam Jones como pais, o irmãozinho Danny. Esqueci de algum membro da família?
Eu congelei, minha alma deixou meu corpo. Não me diga que ele fez uma pesquisa sobre meus antecedentes.
— Minha família.
— Sente-se, Melanie — ele ordenou, sua voz baixa e ameaçadora. — Eles não foram feridos... ainda. Mas serão se você for desobediente. — Ele sorriu.
Eu hesitei, minhas pernas tremiam, mas me forcei a sentar.
Adriano se recostou na cadeira do Dr. Thompson, apertando os dedos.
— Seu turno termina às 17 horas todos os dias. Um carro está de prontidão para levá-lo ao trabalho e levá-lo de volta.
Meu coração afundou.
— Como um pássaro engaiolado? — Perguntei, tentando manter minha voz firme.
O sorriso de Adriano era frio.
— Não pense em nada engraçado, preciso lembrá-lo das consequências da desobediência.
Engoli em seco.
— E quanto ao meu trabalho? — arrisquei.
— Você está no trabalho agora, eu ainda não o parei — disse ele.
Como eu poderia ter me metido nessa confusão?
Ontem mesmo, eu estava feliz com o meu dia e minha única preocupação era se eu seria ou não retido depois do meu ano de estágio. Agora eu tinha um líder mafioso maluco sentado na sala do meu chefe como se fosse o dono do lugar e dando ordens para mim. Sem mencionar as ameaças à minha família. Isso só podia ser um grande pesadelo.
— O gato pegou sua língua, enfermeira — disse Adriano, tirando-me do meu torpor.
— Meu nome é Melanie e eu imploro que você use esse nome quando quiser se dirigir a mim — deixei escapar quando meus olhos se arregalaram.
Não apenas pelas minhas palavras, mas pelo fato de eu ter tido a coragem de dizer aquilo.
Para minha surpresa, o rosto de Adriano lentamente se transformou em um sorriso.
— Mal-humorado, eu gosto disso. Mas isso não a levará muito longe comigo, pequena enfermeira.
— Você sempre pode me deixar ir em vez de me manter prisioneira em sua casa — eu disse.
Ele balançou a cabeça.
— Como eu disse. Você pertence a mim agora.
— Não pertenço a ninguém — argumentei, mas ele continuou como se não tivesse me ouvido falar.
— E eu nunca deixo de lado o que é meu — concluiu.
— Eu odeio você — sussurrei.
