Capítulo 11
Prendi o cabelo atrás das orelhas e suspirei enquanto olhava à minha volta. Sentiria muitas saudades deste quarto. Sentiria saudades da minha casa. No entanto, estava também animada por iniciar esta nova etapa da minha vida. A liberdade e o novo ambiente deixavam-me entusiasmada.
Respirei fundo, relaxando os ombros. Continuei a arrumar as minhas coisas.
O meu pai entrou no parque de estacionamento da minha residência e estacionou. Saí do carro e fui até à bagageira buscar a minha mochila.
Ao observar o ambiente, senti-me um pouco oprimida. Só um pouco. E também um pouco deslocada. Olhei para a minha camisa simples e os meus calções e comecei a questionar-me se seriam as roupas perfeitas para uma coleção tão prestigiada.
— Quer que a gente vá contigo? — perguntou a minha mãe, olhando para mim com os olhos marejados.
Suspirei e abanei a cabeça negativamente, oferecendo-lhe um sorriso gentil. — Não é necessário, mãe. Consigo orientar-me por aqui", assegurei.
— Cuida-te, está bem? — disse o meu pai.
— Sim, pai. Ligo-lhe quando estiver instalado.
Prometo", respondi.
Sorriram para mim antes de irem embora. Respirei fundo antes de me dirigir ao meu quarto, onde tive de perguntar a várias pessoas até conseguir encontrá-lo.
Abri a porta, entrei e fechei-a. Virei-me e olhei para o quarto. A pessoa que lá estava sentada fez-me soltar a mochila de susto.
— Jenny! — gritei.
Ela soltou uma gargalhada, saltou da cama e correu na minha direção. — Queria surpreender-te — gritou. — Achei que ias para aquela universidade particular — disse, enquanto a abraçava.
— Não, disse aos meus pais que preferia vir para aqui — respondeu, puxando-me para a cama dela. Sentámo-nos.
— E deixa-me adivinhar: foram os teus pais que fizeram com que ficássemos no mesmo dormitório, não é? — perguntei, com uma sobrancelha levantada e um largo sorriso no rosto.
— Sim, claro! Eu queria que fôssemos só nós as duas, sabes? — respondeu ela, encolhendo os ombros com indiferença.
Sorri para ela. — Só nós as duas. Gosto como isso soa.
O ponto de vista de Barbara
— Acorda, dorminhoca — disse eu, cansada, dando um tapinha na Jenny. Ela resmungou, virando-se na cama e enfiando o rosto na almofada. Tínhamos ficado acordadas até tarde, a ver uma série sem parar e a empanturrar-nos de comida porcaria. Agora, ela dormia até tarde e eu tinha dores de estômago.
Passei as mãos pelo cabelo, frustrada, e dei-lhe outro estalo. — Acorda, Jenny.
— O quê? Deixa-me em paz! — murmurou ela, aconchegando-se no travesseiro.
— Vai chegar atrasada à aula — disse secamente e afastei-me dela. Sentei-me na cama, a respirar fundo para me acalmar. Já tinha tomado banho, só precisava de me vestir e ir para a aula.
— É só o primeiro dia. Não é realmente necessário ires. E, de qualquer forma, não acho que vão fazer alguma coisa — resmungou ela.
— Isso não é o ensino secundário, Jenny — lembrei-lhe. Já estamos na universidade. Temos de ser mais sérias do que nunca.
— Sim, e por que razão ainda não foste? Não podes ficar à minha espera — murmurou ela, sentando-se na cama.
— Porque é que eu teria de esperar por ti? — perguntei, fazendo uma careta. — O meu estômago está a doer — expliquei.
Ela ficou tensa. — É grave? Temos de ir ao hospital?
— Não há necessidade disso — assegurei.
— Sério? — perguntou ela.
Assenti. — Sim, não é necessário. Só preciso de tomar um analgésico — assegurei.
— Ou devias simplesmente tirar o dia de folga da escola? — perguntou ela, com um sorriso malicioso no rosto.
— Cale a boca — respondi, revirando os olhos. Isso não vai resultar. Hoje vamos à escola.
— Ufa. Tanto faz — respondeu ela, levantando-se da cama. É melhor estares vestido quando eu terminar de tomar banho.
— Sim, sim, capitã — respondi, revirando os olhos, e levantei-me da cama, caminhando até ao meu armário e pegando na primeira blusa e saia que vi.
Vesti-me rapidamente, calcei sapatos pretos baixos, penteei o cabelo e soltei-o. Suspirando, coloquei-o atrás das orelhas e esperei pacientemente que a Jenny terminasse de tomar banho. Eu não estava com pressa. A minha agenda indicava que a primeira aula era à tarde e eram apenas nove da manhã.
Passados alguns minutos, Jenny saiu da casa de banho e vestiu-se às pressas. A sua primeira aula era às onze da manhã e ela precisava de chegar cedo.
Vestiu-se rapidamente e saímos juntas do dormitório.
Já era hora da minha aula e demorei alguns minutos a encontrar a sala com um grupo de raparigas.
Ao entrar no amplo e ecoante auditório, o meu coração batia forte, numa mistura de nervosismo e emoção. Olhei à minha volta: a sala estava cheia de alunos. Isso só fazia com que a experiência parecesse mais real. A minha primeira aula na universidade. Eu finalmente era uma estudante universitária. Uma adulta.
A minha primeira aula foi de História. Sempre gostei de História e estava ansiosa por mergulhar nas histórias do passado, por isso escolhi-a como uma das minhas disciplinas eletivas.
O ar vibrava com o murmúrio dos outros alunos a acomodarem-se nos seus lugares, a abrirem os seus cadernos e a escreverem nos seus computadores portáteis. Encontrei um lugar perto do centro, peguei no meu caderno novo e apertei a caneta, pronta para tomar notas.
O programa de estudos que tinha lido online algumas horas antes mencionava o professor Ian Grant. O seu nome soava distinto, como se fosse alguém que usasse jaquetas de tweed com cotoveleiras e falasse com uma voz potente e autoritária. Imaginei que seria o tipo de professor que dá vida à História, que transporta os alunos para diferentes épocas com as suas palavras.
Ou talvez fosse do tipo resistente. Nesse caso, a aula não seria tão agradável e eu seria obrigada a abandoná-la.
