Capítulo 9 A gratidão daquela noite
- Não vejo. - Elijah abriu a porta do escritório. - Me traga uma xícara de café.
Com isso, ele se dirigiu à mesa.
- O Sr. Ronan disse que se você não o ver, ele não vai embora hoje. - Disse a secretária.
Elijah olhou brevemente para a secretária.
Ela abaixou a cabeça imediatamente.
- Traga ele aqui. - Elijah se sentou, desabotoando o paletó.
Logo a secretária trouxe o café e trouxe Ronan consigo.
Ronan estava cheio de ressentimento e começou a questionar:
- De onde você trouxe aquela mulher?
Elijah pegou o café, mandou a secretária sair, e só então olhou para Ronan.
- Olhe só o que ela fez comigo? - Ronan apontou para o pescoço, claramente havia uma marca, o pulso enfaixado. - Quase... Quase cortou o meu tendão.
Os olhos de Elijah passaram pela ferida de Ronan, sentindo uma satisfação interna. Ele perguntou:
- Como isso aconteceu?
Ronan ainda estava abalado e começou a explicar:
- Essa mulher estava armada? Habilidade incrível, quase cortou minha artéria principal. Não foi possível finalizar o serviço, quase perdi a vida. Quero saber, de onde você a tirou?
Ao ouvir que ele não conseguiu Freya, Elijah ficou de bom humor, relaxando na cadeira, com sua expressão fria de sempre.
- Por que você quer saber?
- Por vingança.
Desde quando Ronan havia sofrido um revés como esse?
Elijah não conhecia nada sobre o trabalho ou a vida de Freya, realmente não tinha ideia.
- Quer vingança, vá você mesmo procurar.
- Esqueça, eu vou dar um jeito. Quando eu a encontrar, vou incapacitar as mãos dela primeiro. Vou ver se ela ainda terá coragem de me enfrentar sem uma faca! - Ronan falou com ódio.
No hospital, depois de sair da sala de exames, Freya teve um arrepio, sentindo um frio inexplicável.
Quem poderia estar amaldiçoando ela?
- Dra. Freya, hoje à noite é a festa de despedida da Dra. Liora, às 20h no Hotel Royal Garden Plaza, B area, se lembre de vir. - Uma colega viu Freya e a lembrou.
Com as mãos no bolso do jaleco branco, Freya concordou, mas estava muito relutante em ir.
Pensou na relação entre Liora e Elijah, seu coração gelou.
Às oito da noite, Freya chegou ao local da festa de despedida. Quando estava prestes a entrar, viu um carro parar na entrada.
Liora saiu do carro, seguida por Elijah.
Ela se escondeu rapidamente atrás de uma coluna. Olhou furtivamente para fora, os dois pareciam muito compatíveis juntos. Elijah realmente gostava de Liora, vindo a tal evento.
Provavelmente todos os funcionários do hospital estariam lá naquela noite?
- Obrigada por vir hoje. - Liora estava maquiada, vestindo um elegante vestido, falando com uma leve timidez.
- Somos amigos. - Disse Elijah.
Ele estava disposto a comparecer a esse tipo de evento, apenas por causa da gratidão daquela noite.
Liora queria ficar mais íntima com ele, mas suas próprias palavras se tornaram um obstáculo, então ela teve que manter a compostura, apenas disse:
- Vamos entrar.
Depois que eles se afastaram, Freya saiu de trás da coluna.
Ela não queria enfrentar Elijah, sentindo um forte repúdio em seu coração. Depois de muito pensar, decidiu ligar para Liora e explicar, dizendo que tinha um assunto urgente e não poderia ir. Ela pegou o celular, prestes a discar o número, quando uma colega se aproximou e a chamou:
- Dra. Freya.
Liora, que estava na frente, se virou.
A mão de Freya segurando o celular ficou rígida por um momento, pressionando acidentalmente o botão de discagem. Quando ela percebeu, o celular de Liora já estava tocando.
Ela rapidamente desligou, forçando um sorriso irônico.
- Desculpe, liguei sem querer.
A voz parecia familiar, Elijah se virou e viu Freya parada não muito longe, segurando um celular de forma desajeitada. Ele arqueou as sobrancelhas ao ver isso.
Essa mulher também era médica no Hospital Grace?
- Eu não me importo. - Liora sorriu com gentileza.
Enquanto falava, ela se aproximou de Elijah.
Seguindo o pedido de Elijah para não se identificar como sua esposa em público, Freya optou por agir como se não o conhecesse.
- Este é o seu namorado? - Ela perguntou com um sorriso gracioso, seus olhos brilhando como água cristalina, límpidos e cintilantes.
Liora não explicou, deixando as pessoas pensarem que sim.
Elijah também não negou deliberadamente, adotando uma atitude que parecia querer ver a reação de Freya, com seu olhar fixo nela.
Freya elogiou com um sorriso leve:
- Vocês realmente são um par perfeito, combinam tão bem, como se fossem destinados um ao outro.
Por alguma razão, Elijah olhando para o sorriso dela, teve um forte desejo de rasgá-lo!
Freya percebeu o quão “malicioso” era o coração de Elijah, então saiu primeiro e disse:
- Não quero incomodar, vou indo.
Ela segurou o braço da colega que havia acabado de chamá-la e rapidamente seguiu para dentro.
Algum tempo depois, a colega sussurrou:
- Aquele homem é o presidente do Grupo Headence, jovem e promissor. É realmente invejável para a Dra. Liora ter a sorte de estar com um homem assim.
Freya não respondeu.
A colega continuou:
- Como pode haver um homem tão perfeito neste mundo? Rico, bonito e bem-apessoado...
- Como você sabe que ele é perfeito? Talvez seja um maníaco. - Freya não pôde deixar de dizer, pensando em como ele quase a estrangulou, chamá-lo de maníaco era uma espécie de elogio.
A colega não pôde deixar de rir.
Não se podia negar que Liora tinha uma grande reputação. Até mesmo o diretor do hospital estava presente, e todos os funcionários estavam lá. Toda a área B estava ocupada.
- Dra. Freya, se sente aqui nesta mesa.
Freya estava prestes a ir para a mesa do canto quando foi chamada pelo diretor.
Ela olhou para trás e viu Elijah olhando para ela.
- Eu... - Freya imediatamente sorriu para o diretor.
- Venha. - O diretor a puxou para sentar.
Ela teve que ficar naquela mesa, mas se sentiu como se estivesse em brasas.
Ela nem ousava levantar os olhos.
- Dra. Freya e Dra. Liora são colegas de turma e de trabalho. Dra. Liora irá para o hospital central em breve, você brindar a ela. - O diretor tocou em Freya.
- Ela não sabe beber. - Elijah de repente falou.
Todos ficaram atordoados, como ele sabia ela não sabe beber?
Freya também ficou surpresa. Quando ergueu os olhos, encontrou os olhos de Elijah com um sorriso neutro.
Ela apertou as mãos sob a mesa.
O que ele estava planejando agora!?
Liora percebeu algo estranho, mas não deu importância, pensando que tinha entendido errado.
- Nossa profissão não é adequada para beber álcool. Eu e Dra. Freya sempre nos demos bem. Mesmo que eu vá embora, ainda pensarei nela. - Liora sorriu o tempo todo, mostrando grande elegância.
O celular de Elijah tocou de repente, ele atendeu.
Não se sabia o que foi dito do outro lado, mas ele disse apenas “entendo” antes de desligar.
Mal ele colocou o celular, o celular de Freya também tocou. Ela apertou o botão para atender, e a voz do mordomo, Deck, veio do outro lado:
- Srta. Freya, o senhor precisa vê-la na antiga mansão, agora.
- Está bem. - Freya respondeu. Depois de desligar o celular, ela disse a Liora. - Eu tenho um assunto urgente e preciso sair, vou tomar chá em vez de álcool, desejo-lhe tudo de bom.
Depois de dizer isso, ela pegou a xícara de chá da mesa e a bebeu.
Ela se levantou, e naquele momento, o olhar de Elijah caiu sobre ela, com um toque de malícia nos lábios.
- Que coincidência, também tenho algo a fazer. Quer ir junto?
Freya ficou sem palavras.
Por algum motivo, ver Freya agindo como se não o conhecesse o deixou muito incomodado.
Ele queria ver até onde ela poderia fingir.
Todos os olhares se concentraram em Freya.
