Capítulo 6 Insulto à dignidade
Elijah levantou os olhos, com as sobrancelhas um pouco arqueadas, uma aura de autoridade não irritada se espalhando.
- O quê?
Orion rangeu os dentes enquanto respondeu:
- Deixe pra lá. Pelo seu bem, vou engolir esse orgulho.
- Vamos. - Elijah disse a Xander despois de lançar a Orion um olhar, seus olhos profundos e frios.
Xander ligou o carro e saiu.
Orion sentiu que precisava fazer algo por Freya, mas quando estava prestes a voltar para encontrá-la, viu que ela estava saindo.
- Freya. - Orion se aproximou.
- Eu tenho que ir para casa. - Ela sorriu para Orion.
Orion sentiu pena ao vê-la assim, então ele disse:
- Freya, sobre sua mãe encontrar um coração compatível, farei o meu melhor para te ajudar a encontrar um coração adequado o mais rápido possível.
Pensando em sua mãe, ela sentiu um aperto no coração. Freya se esforçou para esconder suas próprias emoções, mas sua voz ainda tremia um pouco quando ele perguntou:
- De verdade?
Um coração não era como outros órgãos; era difícil encontrar um doador.
Alguns esperavam a vida toda e nunca encontravam.
- Orion, obrigada. - Ela não sabia como expressar sua gratidão. Seus olhos ficaram ligeiramente úmidos.
- Nossa relação não requer formalidades. - Disse Orion, constrangido. Se não fosse Elijah quem abriu uma brecha para Liora, ela estaria mais perto de realizar seu sonho. EM seguida, ele sugeriu. - Eu te levo para casa.
- Não precisa. - Freya recusou rapidamente.
Ela não voltaria para a família Stone, então... Recusou.
Orion não insistiu.
...
Depois de se separarem, Freya pegou um táxi de volta para a mansão.
Ao pensar que Elijah provavelmente nunca pisaria ali, ela se sentiu mais relaxada.
Linda percebeu que ela não estava tão tensa quanto quando se mudou pela primeira vez e perguntou com um sorriso:
- Alguma boa notícia? Você parece feliz.
Com a cabeça baixa enquanto trocava os sapatos no corredor, Freya disse:
- Eu gosto de morar com você, apenas nós duas.
Linda ficou sem palavras.
- Então, sou dispensável?
Essa voz...
Freya levantou os olhos e viu o homem parado na sala de estar, com uma postura fria, olhando para ela com um olhar superior e um pouco de repulsa.
Se ela não o tivesse visto em revistas de negócios e na televisão, ela nem saberia que ele era seu “marido”.
Ela não esperava vê-lo ali.
- Como... Como você voltou?
Freya não conseguia entender o que ele queria fazer. Ele não odeia esse casamento? Ele provavelmente não queria vê-la.
O rosto de Elijah escureceu, perguntando com as sobrancelhas frianzidas:
- O que é isso? Eu preciso pedir sua permissão para voltar?
Freya baixou a cabeça. De fato, ela “invadiu” o território dele.
- Assine. - Elijah jogou diretamente um acordo de divórcio na mesa.
Freya olhou para a mesa por um momento, sem surpresa. Era natural que ele pedisse o divórcio, mas agora ela não podia se divorciar, precisava esperar pela cirurgia de sua mãe.
- Eli... - Ela começou, sem saber como chamá-lo.
- Não quer se divorciar? - Antes que ela pudesse terminar sua frase, Elijah a interrompeu. Parecia que não ficaria surpreso com a reação dela. Se ela quisesse se divorciar rapidamente, não teria feito aquele pedido vil para que ele a casasse.
- Tudo bem, espero que não se arrependa. - Elijah deu um passo para fora.
Estava na cara de que ele entendeu mal. Freya queria explicar, mas quando correu para alcançá-lo, seus passos desajeitados tropeçaram no batente da porta, e sua bolsa caiu no chão.
Os itens dentro se espalharam pelo chão.
Ela se abaixou para pegá-los, parecia estar faltando algo. Encontrou o que estava procurando perto dos pés de Elijah e quase instintivamente estendeu a mão para pegar, tentando esconder.
Mas quando ela tocou, a cartela de comprimidos foi pisada.
Ela olhou para cima.
Elijah estava impassível, observando-a com interesse enquanto ela parecia nervosa. Ele se abaixou para pegar.
Era duas pílulas, uma foi consumida. Restava uma.
Ele virou, e lá estava escrito “Levonorgestrel”. Ele podia não ter entendido completamente o que era essa pílula, mas a próxima linha, “Contraceptivo de Emergência 72 Horas”, era clara como água.
Se ele não conseguisse entender isso, seria um tolo.
Ele olhou para ela, com os olhos baixos, observando-a em pânico, parecendo interessado e irônico ao mesmo tempo.
- Na noite de núpcias, você foi encontrar outro homem?
Naquele momento, ele estava enojado por essa mulher.
Os dedos de Freya se encolheram lentamente, ela tentou controlar o tremor e se levantou devagar.
Não houve argumentação contra o sarcasmo dele. Porque ela não tinha como argumentar.
- Eu não queria me casar com você. - Ela disse com voz trêmula.
A expressão dela, contradizendo suas palavras, era repugnante. Elijah jogou o que estava em sua mão diretamente em seu rosto, deixando uma linha de sangue fina em seu canto dos olhos.
Por isntinto, Freya fechou os olhos. A dor em seu rosto não era tão forte quanto o insulto à sua dignidade naquele momento. Ela mordeu o lábio, pegou com força os comprimidos do chão, fazendo com que a cartela de plástico se deformasse em sua mão, machucando sua palma.
- Gosta de homens, é isso? - Ele zombou. - Vou te ajudar com isso.
Depois de dizer isso, Elijah saiu.
No entanto, apenas uma noite depois, Freya percebeu o que ele quis dizer com aquelas palavras.
Na manhã seguinte, quando estava se preparando para ir trabalhar, Xander apareceu na mansão.
