Capítulo 16 Beijo Indireto
Freya teve um sonho estranho. Ela estava entrelaçada por duas grandes cobras, lutando para respirar. Justamente quando ela pensou que estava prestes a sufocar, uma luz apareceu e ela a segurou desesperadamente...
Quando ela pensou que estava prestes a ser salva, ela acordou de repente. Abrindo os olhos, ela viu um homem alto e desgrenhado parado ameaçadoramente na sua frente, como se estivesse pronto para devorá-la.
Ela logo ficou alerta, levantando-se e aconchegando-se no canto do sofá. Gaguejando, ela perguntou:
- O que... O que você está fazendo?
Sua voz estava rouca, tingida de um leve tremor, como se acabasse de acordar.
Elijah zombou com desdém. Não foi ela quem intencionalmente afrouxou o manto dele? E agora ela agia como se estivesse apavorada?
- Não é que você queria um homem e tentou se aproveitar de mim enquanto fingia dormir? - Elijah zombou.
A respiração de Freya ficou presa, seus dedos se curvaram lentamente. Desafiadoramente, ela olhou para ele:
- Eu não fiz isso!
- É sério? - Elijah claramente não acreditou nela.
Sem aviso, ele a pressionou. Sua proximidade carregava uma aura refrescante, porém opressiva, cheia de agressividade. Instintivamente, ela estendeu a mão para bloquear. Suas mãos suaves tocaram o peito de Elijah. O contato repentino o deixou tenso. Baixando lentamente o olhar, ele viu as mãos dela.
As mãos dela eram bonitas, especialmente os dedos, eram delgados e adornados com um anel de osso. Sua pele clara era delicada. Elijah sentiu uma inquietação inexplicável, atribuindo o desconforto ao fato de ela o ter provocado intencionalmente. Diminuindo ainda mais a distância, ele disse:
- Não consegue viver sem um homem? Tentando ser lascivo comigo?
- Você é sem vergonha! - Freya mordeu o lábio.
- Eu? Sem vergonha? - Elijah riu levemente, sua voz baixa e ressonante, como se emanasse de seu peito. - Não foi você quem me tocou de propósito?
Só então Freya percebeu que tinha medo de que ele se aproximasse demais. As mãos dela ainda estavam em seu peito, tocando seu peito. Ela os retirou abruptamente, sentindo o calor persistente.
Ela estava perdida, sem saber onde colocar os olhos.
Limpando a garganta, ela explicou:
- Eu não tive a intenção.
Seu hálito era doce, tentador. Elijah também sentiu uma onda de impulso.
No entanto, ele se conteve, parecendo calmo, como se não fosse afetado por quaisquer desejos mundanos. Endireitando-se, ele amarrou vagarosamente o manto e disse:
- Estou com fome.
Freya entendeu imediatamente.
Elijah olhou para ela e, vendo-a imóvel, pensou que ela não estava disposta a preparar comida para ele. Ele zombou:
- Mesmo que você não queira, você é minha esposa agora. Tudo o que eu pedir para você fazer, você tem que fazer!
Freya franziu com força os lábios, as palavras dele apunhalando dolorosamente seu coração. No entanto, ela não podia argumentar. Ela se levantou do sofá e foi até a cozinha.
Não tendo jantado, ela estava com um pouco de fome. Havia sobras de comida de Linda, que ela esquentou e trouxe rapidamente para a mesa.
- A comida tá pronta. - Ela gritou para a sala de estar.
Elijah se aproximou e olhou para a mesa de jantar, inexpressivo. Freya permaneceu o mais discreta possível, tentando minimizar sua presença. Felizmente, Elijah não encontrou defeitos, mas Freya, por ser fraca, quase vomitou depois de algumas mordidas.
Ela suportou a náusea na mesa de jantar e depois se levantou para ir ao banheiro.
Dessa vez, ela vomitou. De repente, ela percebeu que não havia menstruado esse mês. Seu ciclo menstrual era bastante regular.
Uma sensação desconfortável tomou conta dela.
Ela poderia estar grávida? Não era impossível. Ela havia tomado pílulas anticoncepcionais. Ela devia estar pensando demais; estava tudo bem, ela se tranquilizou.
Ela voltou para a mesa de jantar, mas sua mente permaneceu inquieta. Distraidamente, ela pegou uma colher e tomou um gole de sopa. Quando ela engoliu em seco, encontrou o olhar estranho de Elijah.
O coração dela apertou. Ela o ofendeu novamente?
Pensando nisso, ela não conseguia se lembrar de ter feito nada de errado.
- Hum, a comida não é do seu agrado? - Ela forçou um sorriso enquanto desejava internamente poder esfaqueá-lo com uma faca.
Ele estava determinado a atormentá-la a cada passo?
Elijah pegou um pedaço de brócolis, colocou na boca e mastigou lentamente, com uma expressão intrigante.
Freya não se incomodava com ele. Quando ela abaixou a cabeça para continuar comendo, percebeu que a colher ainda estava ao lado da tigela. Aquele que estava na mão dela...
Ela olhou para cima. A colher de Elijah havia sumido.
A mente dela de repente pareceu explodir.
Ela tinha acabado de usar a colher dele?
- Freya, você gosta de mim? - Elijah perguntou casualmente, sua expressão contendo uma pitada de diversão. E ele mesmo não entendia por que estava com vontade.
- Eu… - Freya queria explicar, mas não sabia como falar. O fato é que ela usou a colher que ele usou, e quando ela tomou a sopa agora há pouco, ela até lambeu o local onde ele tocou a boca.
Isso foi beijo indireto?
- Eu não queria... - Disse Freya.
- Se você quiser me beijar, é só dizer. Não há necessidade de rodeios. - Elijah limpou a boca com um guardanapo de papel, levantou-se lentamente e olhou para ela. Ele continuou com um sorriso superficial e irônico, seu tom zombeteiro. - Para uma mulher como você, que parece pronta para querer qualquer homem, é normal que você pensa em mim.
Freya ficou sem palavras.
Esse homem era narcisista?
Ele pensou que ela tinha uma queda por ele? A menos que todos os homens do mundo estivessem mortos!
- Isso é um acidente. Não se preocupe. Não tenho absolutamente nenhum pensamento sobre você. Se fizesse isso, seria atingido por um trovão e morreria gravemente! - Freya jurou e fez o possível para negar.
Elias estreitou os olhos.
Como essa mulher ousava fazer um juramento tão cruel? Ela não queria mais viver?
Ele não ficou com raiva, mas olhou para ela com um sorriso e perguntou:
- Ouvi dizer que você nunca mais será médica?
Freya ergueu os olhos de repente, sem esconder seu ódio por ele!
Elias riu. Ele se sentiu feliz ao ver seu rosto zangado.
- Como posso fazer com que você me poupe? - Freya perguntou, sua voz baixa.
Embora Jack tivesse pago as contas médicas de sua mãe, Freya e sua mãe teriam que sobreviver no futuro. Sem trabalho, sem renda, como ela poderia dar uma boa vida à mãe? Além disso, a profissão de médica era o seu ideal apaixonado.
Elijah estava de bom humor, provavelmente porque ficou encantado ao ver que ela estava reprimida e não tinha nenhum traço de arrogância.
- Comporte-se bem e eu posso mostrar misericórdia. - Disse Elijah. Ele deu um passo e fez uma pausa, dando uma chance a ela ou talvez dificultando deliberadamente as coisas. - Tenho um compromisso social esta noite na Ponte Azul. Se você ainda quer seu emprego, pode vir me encontrar.
Freya, cerrando os punhos, sabia que não seria tão fácil lidar com ele e apenas disse:
- Eu entendo.
Elijah subiu as escadas e ela arrumou a mesa de jantar, mas não conseguia mais dormir. Freya finalmente adormeceu quando o céu começou a clarear. Quando ela acordou, era quase meio-dia. Não tendo tomado banho a noite toda, ela aproveitou a ausência de Elijah para tomar banho.
Abrindo a porta do quarto, ela então descobriu...
