Capítulo 12 Verdadeiro propósito
Jack já havia pensado nisso.
Naquele momento, Deck também parecia ter entendido e disse:
- Você me mandou procurar sobre o coração...
Antes que ele pudesse terminar sua frase, Freya saiu segurando a caixa de remédios.
Deck imediatamente se calou.
Jack se levantou do sofá com a ajuda da bengala e disse a Freya:
- Venha comigo.
Jack caminhou em direção ao escritório.
Freya colocou a caixa de remédios na mesa e o seguiu.
Jack se sentou na cadeira em frente à escrivaninha, com uma expressão melancólica.
- Os pais de Elijah morreram cedo, e eu cuidei dele enquanto crescia. Quando ele estava na escola, morava no internato, e depois de se formar na universidade, saiu da Antiga Mansão e assumiu a empresa, ficando ainda mais ocupado, quase nunca voltava.
A voz de Jack estava baixa. A dor de ver o filho mais velho enterrando os pais ainda persistia, não importava quantos anos se passassem.
Elijah não queria voltar, e havia razões para isso.
Jack já podia prever como Elijah lidaria com o segundo filho dele após sua morte.
Elijah conseguia suportar até agora, apenas por causa de sua reputação.
Ele precisava de uma mulher ao lado dele, alguém que o fizesse entender o que é amor, que o influenciasse. Alguém que o fizesse desistir do ódio.
Jack não queria ver parentes se machucando.
- Vovô... - Freya não sabia como consolá-lo.
Jack sempre foi gentil com ela.
Apesar de ter sido Leo quem a forçou a se casar, Jack nunca a menosprezou.
Jack levantou a mão para acalmá-la.
- Não se preocupe, está tudo bem comigo. Eu concordei com seu casamento com Elijah porque sei que você é uma boa pessoa. Seu avô era muito leal e gentil, e você é neta dele. Tenho certeza de que herdou essas qualidades, por isso quero que você fique ao lado de Elijah e o cuide.
- Vovô, eu acho que quem fica ao lado dele deve ser alguém que ele realmente goste... - Essas palavras de Freya vieram do coração.
Mas para Jack, soou como se ela estivesse hesitando e procurando uma desculpa para deixar Elijah.
Com a idade que tinha, Jack já viu de tudo na vida. Manipulá-la não seria difícil.
- Eu sei que você está passando por um momento difícil. - Jack pegou um documento na gaveta e entregou a ela. - A saúde de sua mãe não está boa, ela precisa de um transplante de coração, certo? Aqui está o que encontrei para sua mãe. Já mandei alguém levar para o hospital. Assim que você assinar este acordo, sua mãe poderá fazer a cirurgia imediatamente. Eu cobrirei os custos da cirurgia e do tratamento subsequente.
Freya ficou surpresa no começo, mas logo percebeu que isso não era simples. Seu olhar caiu sobre o documento. Era um acordo. Um acordo para não se divorciar de Elijah.
- Ouvi dizer que a saúde de sua mãe não está boa. Se não fizermos o transplante logo, mesmo que um milagre aconteça, ela não será salva. Um coração não é algo que se encontra facilmente, e não é uma questão de dinheiro. Além disso, você não tem dinheiro. - Jack sabia que para fazê-la ficar ao lado de Elijah de forma sincera, ele teria que pressionar seu ponto fraco.
Freya segurou com firmeza o papel em suas mãos, com a mente confusa, sem saber o que fazer.
Ela começou a entender. O verdadeiro propósito de Jack em chamá-la para a antiga mansão era isso.
- Por que o senhor acha que eu posso cuidar dele?
- Eu já disse, porque você é neta do seu avô, e confio em você.
Freya lutou para se manter calma, mas estava extremamente agitada.
A saúde de sua mãe não podia esperar mais.
Quanto mais cedo a cirurgia fosse feita, melhor seria a recuperação.
Agora que ela estava casada com Elijah, ela concordou:
- Eu assino.
- Ótimo, não me enganei com você. Tenho certeza de que fará Elijah feliz. - Disse Jack com um sorriso finalmente aparecendo em seu rosto sério.
Freya apertou com força os lábios, sem dizer uma palavra.
Ela pensou consigo mesma:
“Vovô, você está enganado. Eu não sou a pessoa que pode fazer Elijah feliz. Essa pessoa é Liora.”
- Agora vou ligar para o hospital e marcar a cirurgia para sua mãe. - Disse Jack, pegando o celular.
Freya ficou de pé, nervosa e ansiosa.
Quando Jack desligou o telefone, ela perguntou:
- Vovô, posso ir ao hospital também?
Ela estava pensando em ser filial, e Jack concordou:
- Claro, vá.
Depois do incidente daquele dia, Elijah provavelmente não a receberia em casa.
- Obrigada, vovô. - Agradeceu Freya sinceramente.
Jack acenou com a mão para Deck do lado de fora e disse:
- Deck, prepare o carro para ela.
- Sra. Silverton, venha comigo. - Disse Deck enquanto se aproximava.
Freya seguiu Deck para fora.
Ao entrar no carro, ela ainda se sentia como se estivesse sonhando.
Tudo aconteceu tão rápido que parecia irreal.
Mas quando chegou ao hospital e viu tudo o que Jack havia organizado, ela percebeu que não estava sonhando.
A cirurgia de sua mãe estava prestes a acontecer de verdade.
Depois de uma noite perigosa, a cirurgia foi finalmente um sucesso, mas havia um longo período de observação e cuidados pós-operatórios.
Vendo sua mãe deitada na sala de monitoramento pós-operatório, Freya sentiu um pouco de alívio. Sua mãe finalmente estava salva.
Depois de uma noite sem dormir, ela voltou para o departamento. Quando estava passando pelo corredor, alguém a chamou:
- Dra. Freya.
Ela se virou e viu Calista, uma colega de departamento.
Calista se aproximou dela e disse:
- Você saiu cedo ontem, não ouviu o discurso pretensioso da Dra. Liora. Ela realmente tem uma boa proteção para falar tão confiante.
Freya abaixou os olhos suavemente. Ela não queria comentar sobre Liora.
- Eu sinto que a Dra. Liora não é tão bonita quanto você. O que você acha que Elijah vê nela? - Continuou Calista, querendo puxar assunto.
Freya não queria fofocar sobre os outros e cortou o papo:
- A Dra. Liora é muito bonita. Sr. Elijah deve gostar dela. Certamente a Dra. Liora tem seu charme. Não é bom falar mal das pessoas pelas costas.
- De qualquer forma, ontem era uma festa de despedida, mas na verdade, era só ela querendo se exibir. Todo mundo sabe que o lugar era seu... - Calista torceu os lábios.
- Calista, tenho algo a fazer. - Freya a interrompeu.
Esse tipo de conversa não era adequado e poderia causar problemas.
Calista percebeu que ela não queria discutir e não continuou. Era a hora mais movimentada do hospital de manhã cedo, e os pacientes já estavam esperando na fila do balcão de registro.
Elas foram para seus postos.
Naquela manhã, Freya tinha uma cirurgia para fazer, então descansou por mais de duas horas e depois entrou na sala de cirurgia. Depois de duas cirurgias e uma noite sem dormir, ela estava exausta. Durante o intervalo para o almoço, ela estava prestes a tirar uma soneca quando uma enfermeira veio até ela.
- O diretor quer vê-la em seu escritório.
- Tem algo urgente? - Freya perguntou.
- Não sei, mas quando você for, saberá. - Respondeu a enfermeira com um sorriso.
Freya assentiu e disse:
- Certo, vou lá agora.
Ela se levantou e foi para o escritório do diretor. Ela bateu na porta e entrou quando ouviu a resposta.
- Diretor.
O diretor estava sentado atrás da mesa, e ao vê-la, ele deixou de lado o que estava fazendo. Ele parecia incerto sobre como começar, mas sabia que precisava falar.
- Dra. Freya, você se desentendeu com Elijah?
