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Prólogo

***** Antes de começar a ler gostariamos de avisar que esse livro é cheio de gatilhos, uma leitura Dark, com violencia, sexo explicito, abuso infantil, abusos psicologicos e fisicos****

O inferno tem muitas facetas mas nenhuma é tão sombria como a de XAVIER.

Prólogo.

O clima de malícia misturada a luxúria, com risos de comemorações ofuscava o macabro espetáculo que tomava proporções irrevogáveis para a visão da pequena Serena de 5 anos.

Sua pele castigada por escoriações das surras de arrame farpado envolvido em um taco de sinuca, ardiam e sangravam como um presságio para o fim.

O sangue inocente imaculado seria derramado naquela noite.

Maria Marta, gargalhava ouvindo os sons sôfregos de Serena.

Serena com apenas 5 anos, descobriu naquele dia a maldade da mãe que a gerou.

Quando o seu corpo era violado! O nome do seu pai era gritado com fervo!

— Papai....Papai.... então a compreensão de que estava sozinha naquele inferno veio, XAVIER seu pai não viria.

A câmera que gravava a alma de Serena ser despedaçada, após cada sessão de torturas e estrupos coletivos, era a representação do começo do inferno na terra para XAVIER

Xavier Narrando:

Tava tudo certo na contenção. A responsa correndo redonda, vapores no ponto, movimento fluindo... até aquele pacote chegar. Estranho. Fechado demais, embrulhado como quem esconde coisa suja. Um dos moleques chamou no rádio com a voz tremida:

— Chefe... é pra tu... a entrega é tua…

Na hora que ouvi aquilo, um calafrio subiu pelas minhas costas. Senti um troço ruim batendo no peito, pesado, abafado. O ar ficou denso, e parecia que tudo em volta silenciou. Não sei explicar... só sei que o pressentimento veio do nada, forte.

Montei na Medusa na hora. Minha moto. Aquela preta, feroz, que anda comigo desde os tempos da guerra com os alemão do lado de lá. Cada vez que dou partida nela, sinto que tô vestindo armadura. Só que hoje... hoje eu tremi.

Girei a chave, puxei o acelerador, mas antes da moto cantar, a imagem dela veio. Serena. Minha princesa. Minha filhinha. O sorrisinho dela, a voz me chamando de "papai", o jeitinho de dormir abraçada na minha perna... Veio tudo de uma vez, tipo avalanche na mente. E o peito apertou mais. Acelerei. A Medusa rugiu. Desci rasgando o morro, feito um animal no cio da morte.

O vento batia na cara, mas não refrescava. A cada curva, o mal-estar só aumentava. Tinha algo errado. Muito errado. Senti como se meu coração já soubesse o que meu olho ainda não tinha visto. E isso é o tipo de dor que nenhum homem devia sentir.

Cheguei na contenção e já vi que o clima tava diferente. Os vapores, tudo em silêncio. Gente parada, cabeça baixa, alguns de olho arregalado, outros com a mão na boca. No meio da confusão, Natália — minha irmã — tava ali, na frente da caixa. Tentando fazer barreira. Os olhos dela cheios d’água, o corpo tremendo.

— Perigo... não chega perto, por favor... não faz isso com você mesmo..., ela disse, quase chorando.

Mas eu já tava com sangue fervendo. E falei do meu jeito. Firme. Cortante.

— Me deixa passar, cacete... ou eu esqueço que tu é família e meto uma cobrança, tu tá ligada.

Ela travou. Me soltou. Sabia que não tinha como segurar. Tava no olhar dela que o que tinha ali era grande. Era fundo. E era pra mim.

A reação de Natália não mexeu muito comigo, afinal ela era mulher se assustava fácil, o que me pegou mesmo foi a visão de Bruno e Felipe, me olhando com olhos cheios de água, eles eram tão machos quanto eu porra, o que será que estava acontecendo ali?

Para aqueles dois estar me olhando como se o mundo tivesse acabado, até parecia que iam me abraçar, e isso sim fez meu coração apertar, ver meus chegados mais próximos, homens acostumados a matar sem dó com aquele olhar.

Cheguei na caixa. Papelão grosso, escorrendo sangue. O chão já manchado, os vapores de canto, sem coragem de olhar. Um deles, branco igual parede de hospital, gaguejou:

— Ch-chefe... eu... eu não ia abrir... juro... m-mas quando eu vi o sangue... ela caiu... a tampa abriu sozinha...

Mas eu não ouvia mais nada.

O mundo em volta sumiu.

O barulho da rua, o ronco da Medusa ligada, a respiração dos outros... tudo apagado. Só tinha uma coisa na minha frente: a caixa.

E dentro dela…

A cabeça.

A cabeça da Serena.

Minha filha.

Meu amor.

Meu mundo.

O cabelo preso com aquela presilhinha rosa que eu comprei na feira do lado da igreja. Os olhinhos fechados. A pele branquinha. Aquela boquinha que sempre dizia "papai, eu te amo do tamanho do céu".

Ao lado... o coração.

Sim. O coraçãozinho dela. Arrancado. Cortado. Colocado ali dentro como recado. Como aviso.

Eu caí.

Não por fraqueza. Mas porque o corpo não aguentou.

Ajoelhei ali mesmo, na frente daquela caixa maldita. O chão duro, frio, mas nada mais gelado que o que tava dentro de mim. A garganta fechou. Um som saiu de mim, estranho, entre grito e soluço, mas sem voz.

As lágrimas desceram como chuva de verão. Forte, quente, rápida. Não tinha como segurar. Aquilo não era choro. Era desespero. Era revolta. Era o tipo de dor que arranca pedaço. Sinto as mãos de Bruno e Felipe cada um de um lado apertando meu ombro, tentando compartilhar de uma dor que não podia ser dividida.

— Minha filha, mano..., eu sussurrei. —Minha filhinha... minha Serena…

Os moleques ao redor não sabiam o que fazer. Ninguém ousava se mexer. A dor virou presença, virou peso, virou bicho. Eu tremia. Meus punhos cerrados. O rosto colado no chão sujo de sangue. O sangue dela. Meu Deus... o sangue da minha menina.

Olhei pro céu. Aquele céu azul, limpo, que parecia debochar de mim.

E ali, ajoelhado, na frente da cabeça da minha filha, eu fiz um juramento.

Com a alma dilacerada, falei baixinho, só pra mim e pra Deus:

— Quem fez isso... vai sangrar. Vai implorar. Vai desejar a morte... e eu não vou dar. Eu vou cobrar, um por um...

A Medusa ainda tava ligada, ronronando como fera esperando a ordem.

E eu?

Eu não era mais o Xavier de sempre.

O Xavier morreu ali, do lado da caixa.

O que nasceu... é outra coisa.

É um homem sem nada a perder.

E isso... é o tipo mais perigoso que existe.

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