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Capítulo 5 - Uma espiada na biblioteca

NICKI.

Eu nunca tive problemas em atrair qualquer tipo de atenção, inclusive a atenção indesejada. Na verdade houve um tempo que eu gostava disso.

Badalação, popularidade.

Porém, decidi há muito tempo atrás, que ter meu nariz enfiado em um livro era muito mais divertido do que lidar com o drama de outras pessoas.

No entanto, o destino tem uma forma curiosa de te colocar em situações embaraçosas. Eu sei que não deveria ter comprado uma briga com o quarterback do time, mas aqui estava eu, tentando não surtar, enquanto explicava a matéria ao meu mais novo aluno.

Alec parecia ser bem inteligente, mas quando o assunto era cálculos, sua atenção era de um invertebrado. 

O que é nenhuma.

Seu interesse pela matéria era zero e toda vez que começava a explicar algo, seus olhos entediados, divagavam pela sala e eu o peguei mais de uma vez fazendo algum tipo de truque com a caneta na mão direita, tentando passar através de todos os seus dedos.

Então de irritada eu fui para irada em apenas alguns segundos. Ter Alec como aluno era um desastre. Nenhum tutor que se preze, gosta de ter qualquer jogador em suas aulas. Isso porque os idiotas são uns insuportáveis que não levam nada a sério.

E Alec? Ele me irritava só por respirar e como se não pudesse ficar pior, eu estava a ponto de quebrar seu celular na parede, de tanta mensagem que ele respondia.

Isso sem falar no jeito despojado que estava sentado na cadeira. O cara estava literalmente largado, o que quase me fez querer endireitá-lo à força. Havia no canto dos seus lábios, um sorriso frouxo, que só me comprovava o quanto ele era  arrogante. De alguma forma, ele parecia adorar me irritar e toda vez que eu olhava pra cima, lá estava ele com suas tempestades azuis me olhando de volta.

Era quase impossível não escorregar os olhos pelos traços marcantes do seu rosto perfeito e pousá-los na boca rosada e de aparência suave. O idiota não facilitava em nada meu trabalho ali.

Em certo ponto da aula, cansada de explicar a matéria para as paredes, cerrei os dentes e me levantei para pegar alguns livros de cálculo na biblioteca. Pedi a ele que tentasse resolver uma equação, que eu já tinha explicado duas vezes e que ele sequer prestou atenção obviamente. 

Enquanto saí da sala para respirar ar fresco, um ar que não tivesse o cheiro de Alec Hart invadindo minhas entranhas, caminhei devagar até a seção de matemática e folheei alguns livros procurando por algo específico e assim que voltei para a sala, ele não estava lá. Suas coisas ainda estavam espalhadas ao lado das minhas, mas não havia nem sinal dele.

Me sentei e esperei alguns minutos e o imbecil não apareceu. Ok, talvez ele precisasse de mais tempo no banheiro, já que obviamente era onde ele estava agora. Esperei por outros dez longos minutos e nada. Nadinha. Eu não sei o que ele acha que estamos fazendo aqui, mas eu não ficaria plantada. O meu trabalho como tutora era ajudá-lo, então se Alec não estivesse a fim de aprender, o problema era todo dele.

Como já estávamos quase no final da aula, me levantei para guardar os livros que peguei à toa. Eu arrumaria minhas coisas e sairia logo em seguida, quem sabe até deixaria um bilhete sobre a mesa com uma única palavra nela: IDIOTA.

Caminhei devagar até a parte morta da biblioteca, pois a seção de matemática era sempre a menos visitada. Enquanto me aproximava, ouvi um suspiro vindo de algum lugar na parte de trás. Olhei ao redor e caminhei entre as longas fileiras, depositando os livros que havia emprestado, de volta ao seu lugar. Outro suspiro baixo encheu meus ouvidos vindo de trás das fileiras altas, então continuei andando, virando a esquina para entrar em outra fileira de livros. Um gemido seguido por um riso baixo e feminino, vinha diretamente da parte mais afastada e pouco iluminada, então sentindo um tipo de frio na barriga eu contive meus passos andando mais lentamente. Minha mente gritava para que eu desse meia volta, mas eu tonta, resolvi ignorar.

E foi aí que eu o vi.

Alec estava encostado em uma prateleira bem de frente pra mim e congelei no lugar imediatamente. Ele não me viu, pois seus olhos estavam fechados e sua cabeça inclinada para trás. Uma das suas mãos estavam apoiadas na mesa e a outra...

Estava emaranhada no cabelo escuro de uma garota, que estava de joelhos na sua frente e pelo movimento de balanço da sua cabeça e o modo como sua mão agarrou seu couro cabeludo, eu sabia exatamente o que ela estava fazendo ali.

Filho da .... 

O idiota saiu da minha aula para receber um boquete na biblioteca!

Incapaz de desviar o olhar, percebi quando sua mandíbula se apertou e seus olhos permaneceram fechados. Seus quadris se projetavam à frente, dando à garota todo o acesso que ela precisava. 

Graças aos céus, ela bloqueou a parte mais íntima dele, mas eu pude ver as extremidades do cinto e a parte aberta de seu jeans em torno dela.

Assim que me dei conta que parecia uma pervertida olhando aquilo, me empurrei para trás e fiz meu caminho de volta o mais rápido que consegui e de irritada, fui para enfurecida em apenas alguns segundos. Meu coração estava batendo furiosamente quando entrei na sala e comecei a guardar minhas coisas. Assim que fechei minha bolsa, eu me virei rapidamente e antes que pudesse sequer alcançar a porta, bati em algo duro e ao olhar para cima, duas empestades azuis me encaravam, me segurando pelos ombros.

— Ei! — Alec falou, me firmando no chão. Suas mãos eram tão grandes que quase cobriram completamente meus ombros — Onde você vai com tanta pressa?

— Estou indo embora.

— Nós já terminamos?

— Não vou ser sua tutora. Arrume outra pessoa.— eu cuspi as palavras. Sentindo a raiva fluir por cada poro.

— Como assim? Não pode fazer isso! —ele pareceu surpreso e aquilo me deixou ainda mais furiosa.

— Sim, eu posso! Porque não sou obrigada a ensinar alguém que obviamente não está nem aí, já que na primeira aula sai em busca de um pouco de diversão. — eu rosnei, me arrependendo em seguida das minhas palavras.

E se ele descobrisse que eu o espiei?

Alec estreitou os olhos e seu semblante ficou desconfiado. — Do que está falando? 

Da garota com a boca no seu pinto.

— Estou falando de você sair, sabe Deus pra onde e achar que está no direito de exigir que eu te espere. Você não passa de um irresponsável.— balancei minha cabeça em descrença.

— Cara, você nunca relaxa? Porque tem que ser uma vadia o tempo todo?

Respirei fundo, tentando muito não socar a cara dele e mandá-lo ir a merda. Me aproximei do seu rosto, encurtando o pouco espaço que já havia entre nós. Ergui meu queixo e com o tom mais desafiador que consegui eu lancei um olhar mortal.

— Não se preocupe porque não verá vadia novamente. — bati a porta furiosamente atrás de mim e saí dali o mais rápido que pude sentindo meu sangue ferver, mas nunca deixaria Alec-fodido-hart saber o quanto podia me afetar. 

Ele poderia ser o mundo para outras garotas, mas pra mim, ele não era nada.

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