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Capítulo 3 - Quem é essa garota?

ALEC.

— Cara, isso aqui tá bombando. — eu disse ao Marcus, depois que outra pessoa esbarrou em mim.

Nós costumávamos dar grandes festas na casa Delta, mas aquilo estava tão fora de controle, que de uma forma bizarra, estava me deixando bem irritado.

Eu adorava uma boa festa tanto quanto o resto dos caras, mas tudo o que desejava agora, era só desfrutar da minha cerveja tranquilamente. Esse era um dos inconvenientes de não se viver nesta casa de fraternidade, eu não podia fugir para um dos quartos quando tivesse afim de ficar tranquilo ou quando quissesse passar algum tempo com a sortuda que eu escolhesse naquela noite.

Mas as coisas estavam prestes a mudar, já que eu estava concorrendo a presidência da Delta esse ano. Com minha popularidade no campus e influência no esporte, eu era o candidato mais forte no momento, e o babaca do Landon , o atual presidente, não teria chance nenhuma de se reeleger. Eu tive que fazer algumas merdas como parte da iniciação, mas não tinha nada no mundo que eu desejasse mais do que colocar aquele cuzão no lugar dele. O cara era um escroto e a nossa fraternidade estava ruindo por conta de alguns comentários envolvendo ele e algumas garotas. Ao que parece, o imbecil não lidava muito bem com rejeição e isso me dava nojo. Mas como presidente da fraternidade, ele tinha certo prestígio com o reitor, além de um pai que limpava todas as suas cagadas.

Cansado de me esgueirar entre as pessoas que se espremiam lá dentro, decidi subir para o terraço, onde só os membros da fraternidade iam. 

— Ei, cara, eu vou tomar um pouco de ar. Essa multidão está demais pra mim hoje.

— É, vai lá. Com essa cara emburrada vai acabar assustando todas as garotas da festa. — ele cuspiu e eu sorri, apontando para o meu queixo esculpido.

— As garotas amam esse rosto não importa qual seja sua expressão.

Ele riu e balançou a cabeça. — Eu não sei por que todas elas te amam tanto quando você é tão idiota. Mas funciona para você, então...—ele deu de ombros, tomando um gole da sua bebida.

— As garotas não gostam de caras bonzinhos. Os gentis devem ser mal de cama, só pode. Todas elas querem um idiota, um bad boy e eu estou mais do que feliz em proporcionar isso a elas, eu tenho uma garota sempre que preciso e não me preocupo com os corações e a porra das flores que elas não querem. E todo mundo ganha.

— Cara, você não sabe nada sobre as garotas. Algum dia vai conhecer uma que irá chutar sua bunda e nem vai saber de onde o chute veio.

— Vai se foder com as tuas merdas. Isso nunca vai acontecer. Eu nunca vou ter uma algema presa no meu tornozelo. Prefiro lábios molhados dentro das minhas calças. — eu pisquei para ele que balançou a cabeça.

Depois de reabastecer minha bebida, caminhei até a porta da frente que dava acesso a lateral da casa onde a escada para o terraço ficava, esperando ansioso para relaxar em uma das poltronas e tomar minha bebida sossegado enquanto  respondia as mensagens no meu telefone.

Haviam dezenas de garotas perguntando onde eu estava e se gostaria de companhia, algumas delas inclusive estavam na festa.

Enquanto caminhava olhando fixamwnte para a tela do celular, alguém tropeçou em mim, derramando bebida e encharcando minha camisa. O tecido se agarrou instantaneamente no meu corpo agora ensopado, e o cheiro pungente de cerveja foi tudo o que consegui sentir.

Eu vociferei algumas palavras irritadas e ouvi uma voz suave com uma tonalidade rouca que eu achei extremamente sexy e assim que desviei os olhos da minha camisa e olhei para a garota a minha frente, percebi que seu rosto combinava bem com o tom quente da sua voz.

Ela era incrivelmente bonita e... minúscula.

O topo de sua cabeça só alcançava o meu peito. Seus olhos escuros como um céu tempestuoso estavam arregalados enquanto olhava para mim. Ondas de cabelos grossos caiam ao redor de seu pequeno corpo em longos cachos. Quando ela colocou um lado para trás de sua orelha, alguns dos fios ficaram sobre o topo de seus seios. Fiquei tentado a enrolar as longas mechas ao redor dos meus dedos e a puxá-la para um beijo.

Seus olhos arregalados encontraram os meus enquanto ela mordia nervosamente o lábio inferior, me chamando a atenção para eles. Ela ainda segurava o copo com o resto da cerveja na mão e mesmo sabendo o gosto, me peguei pensando que adoraria sentir o gosto daqueles lábios rosados contra os meus. O que ela sentiria se deixasse minha língua entrar para prová-la?

Mais que merda estou fazendo?

Eu não faço poesia sobre o olhar das garotas ou seu beijo. Se ela tem um belo corpo, então eu pego e fim da história. Nunca vai além disso. Eu nunca presto atenção na cor dos olhos, ou percebo que sua pele é lisa e uniforme. Não me pergunto se o rosto dela estaria corado quando eu a fizesse gozar pela primeira vez.

Porque raios estou tendo estes pensamentos sobre uma garota aleatória?

— Qual é o seu nome? — perguntei depois de observá-la em silêncio por alguns momentos.

— Nicole. — ela respondeu. É apenas um nome, mas a forma como a língua tocava o céu da boca quando ela fala, faz alguma coisa com meu corpo. Eu me aproximei dela, me inclinando por causa da diferença de altura.

— Bem, Nicole, agora que você molhou minha camisa, o que você acha de eu retribuir o favor e deixar você molhada. E eu não estou falando da sua roupa. — eu  pisquei para ela esperando que o sorriso aparecesse em seu rosto. Aquele sorriso de: "eu sei o que você realmente quer, e é o que eu também quero."

Mas não foi essa a reação que eu tive dela.

Suas sobrancelhas se levantaram, quase alcançando o couro cabeludo e como uma gatinha arisca, ela arqueou o tronco o mais longe possível de mim sem realmente dar um passo. Sua habilidade de equilibrar-se ao se afastar foi impressionante. E bonito. Uma gatinha fofa e zangada.

— Eu conheço o seu tipo... — ela respondeu me olhando dos pés a cabeça com desaprovação e se não fosse a confiança que eu tenho, me sentiria ofendido.

— Bem... tenho certeza que se vier comigo podemos mudar isso rapidinho. — respondi, dando à ela meu sorriso mais charmoso. Ele sempre funcionava.

Ela balançou a cabeça e franziu o cenho. — Eu nem te conheço.

— Você tem certeza disso, gatinha? Todo mundo me conhece. Eu sou o quarterback dos Lobos. — respondi, duvidando que ela não me conhecia ou talvez fosse alguma garota nova, já que nunca a tinha visto no campus.

— Pare de me chamar de gatinha. Eu não acompanho futebol e não durmo com atletas. — ela disse contrariada.

— Você não dorme com atletas? — eu ri da sua forma de desaprovação e seu jeito petulante. Parece que a garota irritadinha tinha uma língua bem afiada, mas eu também tinha. Eu me inclinei para bem perto do seu rosto, invadindo todo seu espaço pessoal e forçando-a a olhar em meus olhos.— Você não dorme com ninguém, docinho. — disparei, sentindo uma fúria queimando dentro dela.

Então, sem que pudesse prever, ela levantou o copo e derramou o resto de cerveja que havia lá dentro, na minha cabeça. Eu congelei quando senti a bebida gelada escorrendo pelo meu cabelo e caindo na minha camisa, que já estava encharcada da primeira vez.

— Nem se você fosse o último homem da terra eu dormiria com você. — ela rosnou, jogando o copo no chão com raiva e se virando rápido.

— Você vai se arrepender disso. — Eu berrei em suas costas, sentindo uma explosão de gargalhadas dos caras do time atrás de mim.

Mas quem afinal é essa garota?

E que porra acabou de acontecer aqui?

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