Capítulo 3
Capítulo 3: Legado de Sangue
O PONTO DE VISTA DA ESPERANÇA
A sala fedia a medo e suor frio. A pálida luz neon tremeluziu, tornando a atmosfera ainda mais pesada. Fiquei de pé, com os punhos doloridos pelos golpes que acabara de desferir. Na minha frente, o homem estava de joelhos, o rosto uma massa de carne ensanguentada.
Tossiu violentamente, cuspindo um jato de sangue que caiu no chão, misturado com alguns dentes. Sua respiração era irregular, quase inexistente.
— “Vou te perguntar uma última vez,” rosnei, minha voz soando como um trovão. “Quem mandou você bisbilhotar minhas coisas?”
Ele levantou a cabeça com dificuldade, os olhos semicerrados por causa dos hematomas. Apesar da dor óbvia, ele pronunciou apenas uma palavra, um sussurro quase inaudível:
— “Vá… para o inferno…”
Cerrei os punhos, sentindo minha raiva ferver. Esse tipo de lealdade era admirável em outras circunstâncias, mas aqui era uma provocação que não podia tolerar.
— “É muito bom jogar duro”, eu disse, aproximando-me dele. Eu me agacho para que nossos olhos fiquem no mesmo nível. “Mas vou te dizer uma coisa: o diabo sou eu e você acabou de comprar uma passagem só de ida para o inferno.”
Levanto-me e sinalizo para um dos meus homens.
- “Leve-o. Deixe-o pensar sobre suas escolhas.”
Dois deles avançaram para arrastar o homem para fora da sala. Ele gemeu fracamente, incapaz de lutar.
Respirei fundo para acalmar minha mente. A violência foi a nossa linguagem, o nosso método, mas nunca foi um fim em si mesma. Esse cara iria falar, mais cedo ou mais tarde. Eles ainda estavam conversando.
Uma batida suave na porta me tirou dos meus pensamentos. Marco entrou, parecendo sério.
— “Chefe, o advogado do seu pai está aqui. Ele diz que é urgente.”
Eu levantei uma sobrancelha. O advogado do meu pai? O que esse homem ainda estava fazendo aqui? Desde a morte do meu pai, ele nunca passou de uma sombra irritante, sempre presente para me lembrar dos assuntos inacabados do passado.
- “Traga-o para o meu escritório”, ordenei.
Marco assentiu e saiu. Tirei um momento para ajustar minha jaqueta de couro, passando a mão pelo cabelo para me dar alguma aparência de ordem. Não havia como esse homem me ver nesse estado de raiva.
Antes de sair da sala, dei uma última olhada no chão manchado de sangue.
- “Outro dia, outra batalha.”
Entrei no meu escritório, uma sala tão escura quanto o resto do meu mundo. As paredes eram decoradas com madeira escura e a única janela estava coberta com cortinas pesadas que impediam qualquer pessoa de ver o interior.
O advogado já estava lá, ao lado da minha sólida mesa de carvalho. Ele usava seu terno cinza de sempre, feito com perfeição, mas seu rosto tinha aquela seriedade irritante que eu odiava nele.
- “Senhor”, disse ele, inclinando ligeiramente a cabeça.
- “Corte as formalidades, Sr. Martin”, retruquei, sentando-me na minha cadeira. “Por que você está aqui?”
Ele ajustou os óculos antes de colocar uma pasta sobre a mesa.
— "Vim informar que o testamento de seu pai finalmente está pronto para ser lido. Finalizamos todos os detalhes legais. Vou agora informar seu irmão e sua irmã para que a leitura possa ocorrer oficialmente."
Eu enrijeci um pouco. Apenas mencionar meu irmão e minha irmã foi suficiente para trazer de volta lembranças e ressentimentos que eu teria preferido enterrar.
- "Quando ?" Eu perguntei em um tom direto.
- “Segunda-feira”, ele respondeu sem hesitação. “É imprescindível a presença de todos para que o documento seja aberto e interpretado como deve ser.”
Eu balancei a cabeça, meu rosto impassível.
- “Ok. Certifique-se de que tudo está em ordem. Não quero nenhum problema desnecessário.”
Ele assentiu, fechou a pasta e se preparou para sair. Mas antes que ele passasse pela porta, eu o impedi:
— "Uma última coisa. Se algum deles não aparecer, não perca tempo implorando. Quero que esse assunto seja resolvido na segunda-feira, estejam eles aqui ou não."
Ele hesitou por um momento, depois assentiu.
- “Eu entendo, senhor.
Ele saiu do escritório, deixando-me sozinho para enfrentar o silêncio opressivo.
Recostei-me na cadeira, meus dedos batendo distraidamente no apoio de braço. O testamento do meu pai... Eu sabia há anos que um dia essa herança seria discutida. Mas o que eu não sabia era o que meu pai poderia ter planejado para nós.
Meu irmão, minha irmã e eu. Três filhos de um homem que não deixou nada além do caos e da guerra.
Deixei escapar um suspiro. Segunda-feira prometia ser um dia interessante.
A solidão nunca foi um problema para mim, mas algumas noites eram mais difíceis que outras. Após a reunião com o advogado, minha mente fervilhava de pensamentos, expectativas e sombras do passado. Eu precisava de uma distração, uma saída.
Sentado em meu escritório, tirei meu telefone do bolso e disquei um número sem pensar. Ela atendeu depois de apenas um toque, como sempre.
- “Hope”, ela disse, sua voz suave e familiar.
— “Venha”, ordenei simplesmente.
- “Estarei aí imediatamente.”
Isso é tudo que adorei em Karine: sem perguntas, sem conversas desnecessárias. Ela sabia o que eu queria e sabia como entregá-lo.
Em menos de vinte minutos, ela entrou pela porta do meu escritório, vestida com um vestido justo de cetim vermelho que deixava pouco para a imaginação. Seu cabelo escuro caía sobre os ombros e seus saltos batiam com confiança no chão.
— “Boa noite, chefe”, disse ela, fechando a porta atrás de si.
— “Karine”, respondi, olhando para ela. “Você sabe por que está aqui.”
Ela sorri, um sorriso calculado e sedutor. Ela caminhou lentamente em minha direção, colocando a mão levemente nas costas da minha cadeira.
- “Você parece tenso esta noite”, ela sussurrou.
— “E você parece falador”, respondi, levantando-me para encará-lo.
Ela riu baixinho, uma risada que parecia vibrar no ar pesado. Suas mãos deslizaram pelo meu peito, explorando os contornos da minha camisa.
— “Como quiser”, ela respirou, seus lábios roçando meu pescoço.
Karine se aproximou de mim, seus saltos batendo suavemente no chão. O vestido vermelho que ela usava parecia ter sido costurado à pele, abraçando cada curva com uma precisão quase insolente. Seus olhos, escuros e misteriosos, brilhavam com um brilho de desafio, um jogo que ela adorava jogar comigo desde o início.
Ela colocou as mãos no meu peito, seu toque gentil, mas seguro, e olhou para mim.
– “Você parece tenso esta noite,” ela sussurrou, sua voz baixa, quase um ronronar.
Eu não respondi. Em vez disso, minhas mãos deslizaram para seus quadris, agarrando o tecido sedoso do seu vestido. Puxei levemente, trazendo-a para mais perto de mim. Ela soltou um suspiro suave, um som sutil, mas carregado de antecipação elétrica.
— “Fale menos”, rosnei, e antes que ela pudesse responder, meus lábios capturaram os dela.
O beijo foi cru, possessivo. Ela respondeu com a mesma intensidade, suas mãos subindo para minha nuca, suas unhas roçando minha pele. A tensão na sala atingiu o auge em segundos.
Eu gentilmente a empurrei contra a parede, seus calcanhares batendo levemente antes que ela se apoiasse na madeira. Minhas mãos percorreram seu corpo, encontrando o caminho sob o vestido. O calor de sua pele contra minhas palmas era um lembrete vivo da fragilidade deste momento, uma ruptura com meu mundo sangrento.
Karine soltou um primeiro gemido quando meus lábios foram em direção ao seu pescoço. Suas mãos agarraram meus ombros e ela inclinou a cabeça para trás, oferecendo sua garganta para mim em submissão controlada.
— “Hope…” ela murmurou, sua voz tremendo com uma mistura de inveja e provocação.
Eu não respondi, focada em cada tremor do seu corpo sob meus gestos. O cetim do vestido deslizou lentamente pelos quadris, expondo mais de sua pele nua à luz fraca.
Abaixei minhas calças imediatamente para trazer meu membro tenso para INFILTRAR dentro dela.
Ela exalava um calor intenso dentro dela, o que eu gostei.
Acabamos caindo no sofá, nossos corpos entrelaçados em uma dança furiosa e confusa. Karine era tudo que eu esperava dela: animada, ousada, mas sempre disposta a ceder ao meu domínio.
Cada movimento era calculado, cada gesto carregava consigo uma paixão crua. Minhas mãos percorreram suas costas, quadris, coxas, enquanto ela respondia com gemidos abafados, amplificando a intensidade do momento.
A sala se enche com nossa respiração pesada e o som de nossos corpos colidindo.
Ela coçou minhas costas, deixando marcas de queimação em minha pele. Peguei seu rosto em minhas mãos, capturando seu olhar, e um sorriso cruzou seus lábios.
— “Você é um animal”, ela sussurrou, sua voz quebrada por suspiros.
— “E você, você não parece querer escapar dessa jaula”, respondi antes de empurrá-la ao limite mais uma vez.
Quando tudo acabou, Karine permaneceu ali deitada, a respiração ainda acelerada, os cabelos desgrenhados. Levantei-me, peguei minhas calças e fui até a mesinha de centro onde uma garrafa de uísque me esperava.
Ela me observou em silêncio, um sorriso satisfeito aparecendo nos cantos dos lábios.
— “Hope, um dia você terá que me dizer por que você é sempre tão intenso. Quem te assombra tanto?”
Eu não respondi. Tomei um gole, olhando para o espaço.
Ela se levantou, amarrando o vestido na cintura antes de caminhar em minha direção. Ela deu um beijo na minha bochecha, seus lábios ainda quentes.
- “Talvez da próxima vez”, disse ela ao sair.
Fiquei sozinho, o eco de seus passos ecoando no corredor. Paixão, distração, isso era tudo que eu queria dela esta noite. Mas os demônios que ela evocou eram meus e não iriam embora tão facilmente.
O resto da noite foi uma dança de pele contra pele, de sussurros e suspiros abafados. Suas mãos experientes despertavam todos os nervos do meu corpo, enquanto meus movimentos ditavam o ritmo, brutal e intransigente.
Ela soube atender aos meus desejos, como me fazer esquecer, mesmo que por um momento, o peso das responsabilidades, das perdas e das traições.
Na escuridão do quarto, as sombras dos nossos corpos entrelaçados pareciam lutar, assim como eu lutava todos os dias para permanecer no topo desta cadeia alimentar infernal.
Levantei-me sem dizer uma palavra, vestindo as calças antes de retornar ao meu escritório. Karine levantou-se lentamente, amarrando o vestido na cintura.
— “Tem certeza que não quer conversar um pouco?” ela perguntou, se espreguiçando.
Olhei para ela, impassível.
- “Você sabe onde fica a saída.”
Ela encolheu os ombros e se dirigiu para a porta, mas antes de sair, ela se virou e me lançou um olhar meio divertido e meio provocativo.
- “Quando você quiser, Hope.”
Quando ela desapareceu, caí de volta na cadeira, o gosto amargo da realidade tomando conta. Uma distração, isso é tudo que ela tinha sido. Mas neste mundo, às vezes isso era tudo que eu precisava.
