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Capitulo 9: Conversa

— Isso foi culpa do meu pai, ele sabia que ela não poderia ter outro filho, mas não se cuidou o suficiente para evitar ou eu nem sequer posso garantir que ele não fez isso de propósito. Mesmo que eu tenha razão, ele ainda me culpa com afinco.

Eu entendi finalmente o porquê dele estar me evitando desde que tudo isso aconteceu, ele tinha medo do que acontecesse comigo? Ele tinha medo que eu engravidasse dele, que eu passasse o que sua mãe passou?

— Eu tinha a esperança de não ser um monstro, porém, mais ou menos 5 anos atrás, foi quando eu comecei a mudar, geralmente quando se nasce um puro-sangue, você sente a mudança entre 16 e 17, por isso eu imaginei que estivesse livre da maldição, porque ao chegar aos 18 não havia sentido nenhuma mudança em mim, mas foi aos 19 que tudo mudou.

Ele bebeu outro copo de uma só vez, ele iria se embebedar antes de conseguir me contar tudo, eu, por outro lado, havia parado com o saque, se não, logo estaria totalmente bêbada ali, eu não queria adormecer, antes de mesmo de saber o final.

— Nós estávamos fazendo dois anos juntos?

Nós namoramos desde o ensino médio, uma relação como a nossa era duradoura, nós éramos tudo um para o outro, enquanto nossos amigos iam e vinham com outras pessoas, nós estávamos nos preparando para um futuro juntos.

— Sim, no primeiro ano eu conseguia esconder, até porque para conseguir se transformar leva tempo, mas meu pai não demorou a notar, meu corpo havia mudado.

Ele deu uma pausa, olhando para mim, os olhos tão calmos como uma noite silenciosa, as coisas eram tão diferentes para nós dois, brigas e discussões que tínhamos iam muito além do que eu poderia imaginar.

— Meu tamanho, meu comportamento, principalmente perto de você. Ele notou que eu havia ficado mais enciumado e possessivo.

Os olhos dele se encontraram com os meus, Logan sempre fora um homem ciumento, ele gostava de mostrar que era apaixonado por mim, mas ele nunca havia sido rude ou passado dos limites comigo, mesmo que tenhamos brigado algumas vezes, eu também não era a pessoa menos ciumenta ali.

— Eu não queria abrir mão de você, eu podia me controlar, pelo menos eu achei que conseguiria, mas cada vez que eu a gente transa ou apenas dormia juntos, eu sentia uma vontade insana de ter você, eu não conseguia mais saciar essa vontade na minha forma humana. Até que um dia aconteceu enquanto você estava de costas para mim, rebolando de maneira que não queria que parasse, meu corpo esquentou demais, minha pulsação saiu do controle.

Ele parou de repente, tomou um gole da bebida, eu sabia que ele queria esclarecer as coisas para mim, me deixar a par daquela época em que tudo ficou tão confuso para mim, havia coisas que eu não podia entender, principalmente os banhos gelados no frio das madrugadas de janeiro.

— Eu consegui conter a transformação, mas não consegui conter aquele estranho e primitivo instinto de entrar em você com força.

Eu arregalei os olhos deixando minha boca se abrir levemente, o Deus eu lembrava desse dia, foi o nosso de comemorar minha admissão na minha tão sonhada faculdade de moda, depois de dois anos lutando para deixar medicina, já que meus pais fizeram questão de arruinar qualquer tentativa de entrar em qualquer faculdade de moda, a melhor mais prestigiada da cidade me aceitou com uma bolsa de 70% já que eu não tinha feito a inscrição antes das aulas começarem.

— Eu não sei se fiz de propósito, na verdade, isso é apenas uma desculpa, claro que fiz, eu não pude conter aquilo, porque eu queria foder até te quebrar, foi por isso que eu quis me afastar de você, mas ainda tentei continuar nosso relacionamento.

— Foi no dia em que fui aprovada em moda, em que você me segurou e socou com força, me fazendo quase chorar?

Ele levantou o rosto, olhando para o teto, seu suspiro me chamou a atenção, seus lábios entreabertos me fez querer beijá-lo, mas eu não poderia, não depois do que ele fez.

— Quando você começou a se afastar e agir estranho, achei que era porque estava com outra, mas não sabia como me dar o fora.

Olhei para ele, pude ver seu rosto tombar para o lado, ele me olhou fitou intensamente, os olhos dele deslizou para minha boca, eu pude ver ele sorrir, eu sabia que iria achar graça, mas o que eu poderia pensar? Eu definitivamente não poderia imaginar que ele era um lobo.

— Quer saber a primeira vez que me transformei?

Eu balancei a cabeça em positivo, parecia que havia lido minha mente curiosa, ele tomou outro copo de saque, antes de começar a falar de novo, eu estava começando a me perguntar se ele não ia ficar bêbado.

— No mesmo dia em que eu havia machucado você, eu consegui evitar a transformação por um tempo, mas quando eu saí, eu não posso evitar, em pensar que quase fui atrás de você.

O que teria acontecido se ele tivesse ido atrás de mim? Ele teria me machucado? Não, mas eu não sei se teria reagido tão bem como na primeira vez que eu o vi, eu suspirei, eu realmente não sei o que faria.

— Você deve ter ouvido em livros e filmes que lobos se transformam apenas na noite de lua cheia? Isso não é mito, essa regra se aplica a todos, menos a mim.

Logan girou a cadeira, ficando de frente para mim, ele se ajeitou sobre a cadeira, os cotovelos se apoiaram sobre a mesa, ele olhava fixamente para mim, eu não havia reparado nisso, até aquele momento, aquele dia um mês atrás não era lua cheia, ela já havia passado alguns dias.

— Eu posso me transformar quando eu quiser, isso tem seus prós e contras, os prós e que eu não preciso da lua cheia para me transformar, tem um certo controle sobre meu lado monstro, ainda possuo consciência, posso discernir o que é certo e errado.

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