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2

Continuei olhando por quase dez minutos quando vi o prato de uma mulher, cheio de macarrão ao que me parecia ao molho branco e queijo derretido por cima. Não podia comer isso, engordaria kilos se o fizesse. Só de olhar parecia ter ganhado algumas gramas.

Mas eu estava com tanta fome...

Com certeza eu fiquei encarando o prato da mulher sem nenhum disfarce.

— Essa é uma boa pedida. — uma voz profunda e rouca disse atrás de mim — E espero que peça logo. Não sei se você sabe, mas tem outras pessoas que querem escolher o que comer também.

Com o susto, meu corpo acabou esbarrando instintivamente no de uma moça que passava ao meu lado, derrubando todo o suco dela no chão, consequentemente sujando a calça que ela vestia.

— Que merda! Está cega? Vai ter que pagar outro suco para mim! — ela gritou.

Abri minha bolsa e retirei dez dólares para ela.

— Se tivesse escolhido logo, nada disso teria acontecido. — ouvi novamente a voz atrás de mim juntamente com uma risada.

O sotaque parecendo ser australiano, só que muito mais forte que o normal.

— Está rindo do que, idiota? Isso é culpa sua e eu nem te conhe... — exclamei antes de me virar furiosa e olhar pela primeira vez o dono da voz, fazendo-me perder o restante da frase.

Congelei.

Aí meu Deus!

— Não precisa surtar, princesa. E respondendo a sua pergunta, eu achei engraçado, por isso a risada. — os lábios se curvaram num sorriso malicioso.

Engoli em seco perdendo toda a pose de antes assim que vi uma escultura em forma de homem à minha frente. Os lábios abertos formando um sorriso arrogante estampado no rosto lindo e másculo, os cabelos e a barba loiros dando ainda mais destaque a beleza. Parecia muito aquele ator famoso, Charlie Hunnam. Não imaginava encontrar um tipo desses naquele fim de mundo. Pelo amor de Deus, o lugar era no meio do nada!

Limpei a garganta decidida a não deixar que ele zombasse de mim.

— Não estou conseguindo achar a graça. Ah, já sei. É porque não há nada engraçado aqui. — tentei o olhar firmemente.

— Você é sempre azeda assim? Parece derrotada, princesa. Se for pelo dinheiro do suco da moça, eu pago essa porcaria. — estendeu a mão me entregando algumas notas de dinheiro e eu me amaldiçoei por sentir um arrepio na espinha quando a ponta do seu dedo tocou minha mão.

Além de bonito, ele cheirava bem. Era algo incrível como uma mistura de homem rústico e perfumado. Parecia um homem das cavernas, só que bonito demais. As roupas eram um tanto diferentes das que era acostumada a ver pelos lugares que passei, na verdade todos dali se vestiam diferente. Nada feio, só que rústico e um tanto século vinte entrando no vinte e um.

Meus lábios se abriram para xingá-lo. Eu não precisava do dinheiro dele, isso eu tinha de sobra. Mas me perdi diante da visão dele saindo do restaurante. Que homem! Podia vê-lo por completo agora caminhando para fora, o corpo tão grande e atlético... Esse homem parecia ser bonito, todo grande, todo forte e deleitável.

Tive que piscar incontáveis vezes em busca do meu bom senso e minha dignidade quando me vi excitada com um pequeno toque e meias palavras de um homem que nunca vi da vida.

O que estava havendo comigo? Que merda. Eu precisava realmente transar de novo, acho que fazia muito tempo desde a última vez, porque eu não me importei se o homem zombou da minha cara segundos atrás e estava praticamente com a calcinha molhada só de olhar para ele.

Não deveria estar acontecendo, eu deveria ficar brava com ele por se intrometer onde não foi chamado e ainda ser rude comigo, no entanto poderia culpar minha carência e os costumes estranhos da família louca de Jeremy que não permitiam sexo antes do casamento.

Depois de escolher apenas uma vitamina de banana para encher minha barriga, pedi também dois pacotes de pipoca doce para comer a noite. Sentindo o cansaço bater, peguei minhas malas no avião e sai arrastando-as por toda a pequena vila com dificuldade parando mil vezes para descansar e pedindo informações para chegar até o endereço que foi me dado. A todo momento tentando esquecer meu estresse com aquele homem lindo.

No caminho, recebi alguns olhares diferentes em minha direção, alguns de curiosidade e outros de... Reprovação? Talvez olhassem assim para todos os turistas. Tentei ignorar e me concentrar apenas em chegar lá. Desejava muito tirar meu salto e tomar um banho relaxante, no dia seguinte tinha certeza que não haveria mais perigo algum de tempestade e iria voltar para minha casa.

Por fim, com a ajuda de alguns habitantes, cheguei a uma casinha pequena mas muito bem cuidada – por fora ao menos – um pouco distante das outras, um cercado separava-a das demais, ela era toda de pedra cinza com telhados coloniais, muito bonita para apreciadores de coisas rústicas como eu. Essa casinha parecia ser a mais bonita até agora aos meus olhos.

Abri o cercado com dificuldade machucando minha mão no processo. Porcaria! Andei até a porta de madeira pura e bati três vezes. Nada demorou até que a porta foi aberta, a visão faz-me engolir em seco. Ali estava ele, o idiota do restaurante.

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