Pesquisa de campo
O professor mestre orientador de Dandara lhe entregou um envelope, ele apenas lhe entregou aquele papel pardo e deu as costas para ela. Dandara não compreendeu naquele momento o que Emílio queria dizer a ela com aquilo, mas deixou para descobrir assim que pudesse se sentar na praça de alimentação da universidade. Aquela manhã de provas estava tenso cada sala da faculdade, os alunos estavam ansiosos e buscavam estudar nos últimos instantes que ainda tinham.
Dandara como esperado já havia passado com louvor em todas as disciplinas e ficou de ajudar sua melhor amiga Bruna a terminar uma dissertação que valia pontos.
Bruna ficava com muita raiva de Dandara por ela ser tão dedicada, não aceitava ir a nenhuma festa no período de provas e quando não estava se.preparando para as provas estava aterefada com outros estudos que naquela ocasião era o TCC trabalhos e conclusão de curso.
Encontrou umaesa afastada da aglomeração de alunas, logo uma das garçonetes veio atendê-la. Como sempre Dandara escolheu o suco de acerola com laranja, com gelo e sem açúcar. Fazia calor aquele final de setembro e se refrescar era tudo que necessitava para manter seus neurônios funcionando bem.
Porém ao verificar o conteúdo do envelope que seu orientador havia lhe entregado quase teve um choque, estava pasma em ler cada linha apesar do documento haver apenas dois parágrafos mas eram suficientes para deixá-la naquele estado de alerta.
Bruna chegou no exato momento em que Dandara transpirava de nervoso com aquele papel na mão:
___ Dandara por que não me ligou avisando que já está aqui? (perguntou Brinca se mostrando irritada)
Dandara estava feito uma estátua, olhando para o vazio, sem reação, o que deixou Brinca preocupada. Sua amiga outrora tão compenetrada em tudo estava ali aquele instante dispersa, como se sua alma tivesse saído de seu corpo. Bruna estalou os dedos na frente dos olhos de Dandara e a chamou:
___ Ei amiga onde você está?
___ Leia isso! (Pediu Dandara ainda em choque)
Bruna pegou o papel da mão dela e começou a ler o conteúdo que ali continha e entendeu a razão para Dandara estar tão assustada:
___ Eu te avisei Dandara! O professor Emílio só tem cara de anjo, mas é a personificação do diabo! (Disse Bruna rindo)
___ Fale baixo sua maluca! (pediu Dandara)
___ Pesquisa de campo era o que você mais temia. Mas não precisa ficar com essa cara de choque, todos sabemos que você vai se sair muito bem, afinal de contas estamos falando de Dandara a gênia do jornalismo! (disse Bruna com tom de zombaria)
Dandara respirou profundamente, estava tensa ainda com a notícia. Emílio havia lhe dado uma proposta de pesquisa para elaborar a dissertação de seu TCC, ela tinha apenas dois meses para trabalhar em cima do tema. O lugar a ser pesquisado no âmbito social de sua pesquisa jornalística era uma Ilha há oito quilômetros da cidade. Uma famosa Ilha por nome "Águas claras" um lugar privilegiado pela exuberante natureza e muito visitado por turistas que apreciavam a beleza paradisíaca daquelas terras banhadas pelo oceano.
Dandara mesmo já esteve várias vezes na ilha com sua família, a passeios e até mesmo Trabalho escolares, mas nunca se imaginou voltando aquele lugar para estudar sua origem e seus nativos como solicitava seu orientador Emílio.
Ela estava certa de que um trabalho daquela magnitude significava mais noites de insônia e como consequência sua mãe pegando em seu pé para voltar a ter momentos em família.
Ela era perfeccionistas, apreciavam as.coisas muito bem feita, nisso Dandara admitia que havia herdado de sua mãe. Mesmo dizendo que Cecília era muito mais exigente.
Teve de recusar os pedidos de Bruna para uma balada aquela noite, tinha muito o que fazer. Planejava um mapa de estudos sobre a geografia da Ilha antes de realmente espolora-la. Precisava organizar um roteiro de estudos antes de pegar a balsa e desembarcar na ilha para conhecer de perto os mistérios escondidos nos olhos dos nativos que ali viviam.
Mesmo sendo curiosa nunca se pegou querendo descobrir a história daquele lugar que praticamente era um parque de diversões. As rendeiras que vendiam suas rendas e seus trabalhos artesanais na feira da cidade jamais despertou a curiosidade de Dandara para saber mais sobre suas origens.
Os pescadores que jogavam suas redes em alto mar e levavam peixes para repor todos os estoques de peixes do mercado também não aguçaram a vontade de Dandara em saber mais sobre aquele povo simples.
Não que não os notasse por ali na cidade em que ela morava, mas noite não ter despertado o interesse.
E mesmo sendo uma proposta de seu sábio orientador ela achou tudo aquilo tão incomum e fora da realidade que não conseguiu ver fazendo uma pesquisa em um lugar nada interessante e repleto de gente pobre e humilde.
Passou a tarde toda buscando por informações na internet, depois foi explorar a imensa biblioteca de 600m quadrado de prateleiras com livros com todo o tipo de literatura. Buscou por informações que relatassem a origem da Ilha "Águas claras". Foi a prefeitura da cidade e encontrou um acervo bem mais detalhado do que os livros da faculdade.
Era muita informação, precisava mapear tudo que havia descoberto e estava tão cansada que nem sabia por onde começar.
Sua mente não tinha descanso, estava alerta, ansiosa por concluir seus estudos daquela primeira parte da pesquisa. Havia muito ainda o que descobrir, uma pesquisa de campo rendia meses de estudo e ela está a correndo contra o tempo, porque só tinha dois meses de estudo.
Quando chegou ao portão principal da universidade deparou com Danilo, seu noivo a esperando do lado de fora.
"Como pude me esquecer dele meu Deus? " Ela se perguntou em pensamento. Estava constrangida em ver seu noivo. Uma hora antes ele havia enviado uma mensagem dizendo para encontrá-lo em uma cafeteria próxima a universidade para conversarem sobre as alianças.
Dandara se esqueceu da mensagem assim como esquecia que já estava noiva há dois anos caminhando para um provável casamento.
Ela sentia que sua vida era semelhante uma bola de neve que se desprendeu do alto de uma árvore e vinha rolando, ganhando peso e proporção de forma rápida e incontrolável que não podia imaginar o desastre quando essa gigante bola de neve se chocasse com alguma montanha a sua frente.
Danilo era o tipo de namorado que qualquer garota gostaria de ter. Além de ser rico, um dos sócios de seu pai, era um homem moderno, atencioso e romântico. Romântico até certo ponto exagerado, aquele típico homem a moda antiga que abre a porta do carro e da buquê de flores com caixa de bombom.
Um homem perfeito realmente, um homem que possuía a aparência de um Galã Hollywoodiano, possuía belos olhos verdes, cabelos pretos lisos sempre bem alinhados com gel. Era alto, físico atlético por ser adepto de maratonas de corridas. Era competitivo, ambicioso e não aceitava nada inferior que seu dinheiro era capaz de pagar.
Apaixonada como Dandara estava por esse "príncipe encantado" não pode enxergar a arrogância quando ele tratava mal as pessoas, sua soberba quando pisava nós mais humildes, sua prepotência qua do humilhava funcionários e mesmo amigos de seu círculo de amizade. Dandara comhecia apenas a "capa" um rotolo que aparentemente encarava os olhos, gerava cobiça e inveja, mas a essência de Danilo era podre como uma maçã comida por vermes, assim era sua alma.
Ela sorriu tentando disfarçar seu nervosismo, pois os olhos de Danilo fuzilavam seu rosto, deixando evidente sua decepção por ela ter esquecido do compromisso com ele:
___ Me perdoa amor! (ela disse o abraçando)
Um abraço frio, as mãos de Danilo quase não a tocavam. Ela sentia medo e vergonha de encarar seus olhos:
___ Para que serve esse celular Dandara? (Ele perguntou a afastando de seu corpo)
___ Realmente me esqueci, hoje comecei a pesquisa para o meu TCC! (Ela tentou se explicar)
___ Não sei porque ainda insiste com esse curso! Sabe que quando nós casarmos não vou permitir que trabalha nessa profissão perigosa...
Dandara detestava brigar, ainda mais em público. Entrou no carro quando Danilo abriu a porta ainda proferindo aquelas palavras que a deixou profundamente magoada.
Ele estava irritado não apenas pelo fato dela ter o esquecido, mas por ver Dandara cada vez mais fazendo coisas que ele desaprovação.
No início do namoro ela já havia deixado claro que queria independência financeira, pois não gostava de depender de seus pais. Danilo foi contra, não achava certo Dandara ter uma vida inferior ao que sua família lhe proporcionava. Mesmo ela explicando suas razões e que lhe fazia bem estudar e trabalhar ele não quis compreender.
No carro ela pode interpretar sua grande irritação quando ele colocou o som no último volume e acelerou, passava no sinal vermelho pouco se o portando com o trânsito. O coração de Dandara lhe dava sinais de perigo, assim como todo seu corpo tentava lhe avisar do perigo. Ela apenas segurou firme no banco e tentava se acalmar:
___ Danilo por favor devagar! (Ela pediu quando não suportava mais vê lo tirar fina dos demais automóveis)
Danilo não a ouviu, expressava sua cólera da forma mais imatura possível.
Dandara segurava o choro assim como sua vontade de gritar para ele parar aquele carro.
Para seu alívio Danilo freou bruscamente e estacionou o carro na entrada de sua mansão. Um dos seguranças foram abrir o enorme portão eletrônico. Danilo estacionou o carro na entrada e saiu rapidamente para abrir a porta para Dandara:
___ Meus pais viajaram, temos um momento só nosso! (Ele disse sorrindo)
Dandara estremeceu, sabia que aquele sorriso não significava nada bom.
Já há seis meses que Danilo se mostrava impaciente com ela em relação ao sexo. Antes de conhecê-la Danilo vivia uma vida boêmia que se resumia em baladas e noites com uma mulher a cada dia. Quando se apaixonou por Dandara jurou que só teria olhos para ela e realmente cumpriu essa promessa.
Não desejava nenhuma outra mulher, era louco por sua namorada. Porém esperar Dandara se sentir preparada para se entregar a ele estava sendo uma eternidade.
Em todas as ocasiões que estavam a sós ele tentava ir mais longe com ela na intimidade e acabava a deixando mais atemorizada ocasionando medo em se entregar.
Dandara não sabia o que estava sentindo, o amava mas não a ponto de entregar sua virgindade.
E aquela tarde na mansão de Danilo ela sabia que não teria como escapar.
