Capítulo 6
Nunca tive um corpo do qual me orgulhar: minhas curvas, embora definidas, sempre me deixaram envergonhado sob o olhar atento dos outros. Se falamos de autoestima, não está no meu vocabulário.
-Não quero ocupar muito do seu tempo. "Eu só... queria parabenizá-la por ter assumido o projeto, é óbvio que é o seu estilo", diz ele, olhando nos meus olhos novamente, sorrindo. E que sorriso, caramba!
-Ah, não se preocupe, você não me incomoda... Quer dizer, não cheguei na hora, só isso. De qualquer forma, obrigado, estou feliz que alguém tenha apreciado isso.-
-Suas fotos são mais apreciadas do que você pensa. Bem, deixo você ir, até segunda, Sofia.-
Retribuo sua saudação e o vejo se afastar, procurando um significado em sua última frase. O que ele quis dizer? Provavelmente sou o paranóico de sempre.
"Como sempre, querido!" A minha consciência intervém, à qual não posso negar a razão.
***
Finalmente em casa consigo respirar regularmente: entre o equipamento num ombro, a mochila em ambos e os encontros corpo a corpo, não sei o que me incomoda mais. A quarta opção é sem dúvida a mais preocupante: o tempo. Já são três da tarde.
Examino o apartamento com os olhos e percebo o caos que acumulei nesses últimos dias: louça para lavar no estilo da Torre Inclinada de Pisa, roupas empilhadas na cadeira, espelhos polvilhados com meu próprio pó facial. Não posso deixar meus pais verem o apartamento nessas condições se quiser evitar os comentários de minha mãe. Tenho que me apressar e encontrar uma solução rápida, eles estarão aqui em duas horas.
Calço as luvas, como só uma verdadeira dona de casa profissional faria, e começo a encher a pequena máquina de lavar louça, colocando prato por prato, copo por copo, para que nada fique de fora. Essa coisa é meu salva-vidas, vai me poupar meia hora. Supondo que eu possa começar.
Corro para a sala e limpo a poeira da televisão, bem como das pequenas estantes, enquanto espero que o fino véu de poeira criado na estante, coberto pelos meus romances, não seja perceptível. Movo as roupas da cadeira para o cesto de roupa suja sem sequer olhar para elas, sabendo que não sobrará muita coisa para vestir até decidir ligar a máquina de lavar.
Eu poderia ter escondido tudo debaixo da cama como se não fosse nada, mas minha mãe provavelmente também teria procurado lá.
A vida nos ensina que o importante não é a aparência, mas que no momento é a única coisa com que posso contar.
Ouço a campainha tocar e imagino que eles chegaram, embora eu tenha pedido que não tocassem: esse som é odioso!
"Quem é?", pergunto pelo interfone.
-Olá, sou o mensageiro, tenho um pacote para você.-
Eu não esperava nenhum pacote... a menos que inadvertidamente pedisse uma pizza. Não seria a primeira vez.
Curioso, desço as escadas, assino o documento de cobrança e fico olhando para o papelão.
-Tem certeza que é para mim?- Peço confirmação.
-Sim, o endereço e o nome coincidem. Até nos encontrarmos novamente.-
Fico ali, surpreso, e vejo meus pais estacionarem em frente à casa: a onda de curiosidade começa, mas terá que esperar.
“Sofia!” minha mãe exclama.
-OLÁ! "Estou feliz em ver você", digo, enquanto ele corre para me abraçar.
-Sentimos sua falta.-
Minha mãe, Jéssica, está sempre alegre e elegante. Ela parece uma garotinha com seu vestido branco acima do joelho com detalhes em renda azul pastel nos ombros. Seu cabelo loiro encaracolado cai livremente pelas costas, enquanto seus olhos verde-esmeralda olham para mim com todo o amor que podem. Ela sempre teve uma beleza fresca e natural, embora eu não tenha tirado muito dela.
“Uh, como está quente nesta cidade!” exclama meu pai.
-Olá papa! Bem, você também poderia ter usado uma camisa de manga curta em vez da camisa preta, ei!
Ele sorri para mim e vem me abraçar também, com sua habitual simpatia espontânea. Ele está acostumado a trabalhar em contato com pessoas sempre novas. Cláudio e eu somos uma fotocópia: ele tem cabelos castanhos escuros e olhos castanhos como os meus, o único detalhe que nos diferencia é o nosso jeito de vestir. Ele está sempre estiloso em suas roupas de trabalho e fora dela. Ele veste uma camisa preta, combinada com uma jaqueta cinza e uma calça jeans, que para ele é uma peça de roupa de lazer. No meu tempo livre, ainda fico bem se tirar o pijama.
-Então querido, como você está? Como você está na academia? - Ele se vira para mim, num tom mais sério.
- Ok pai. É muito desafiador, mas maravilhoso e espero sair com boas notas.-
-Bom. “Que tal irmos tomar uma bebida gelada?” ele propõe.
-Claudio, mas primeiro eu gostaria de ver onde mora a nossa Sofia, se não se importa. Estou curiosa, você sabe!- Jéssica intervém.
-Posso te mostrar ainda mais tarde, no jantar. Vamos comer três pizzas e comer na minha casa. Que tal se? “Eu também cozinharia, mas você sabe que sou um desastre!”, pergunto. Eles me olham felizes, principalmente minha mãe, que adora pizza.
