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Cap.04

Talita Narrando:

Me acordei com a luz do sol entrando pela janela, e eu estou com uma puta dor de cabeça. Olhei ao redor, parando meu olhar na porta e tomei um susto, Joaquim estava lá escorado na porta.

- O que faz aqui? - Pergunto grossa, com sete pedras na mão.

- A sua direita tem um remédio para dor e a água. - Ele fala sem me responder.

Acabei lembrando do passado.

●Flash Black ON●

Tinha ido ao morro atrás do Joaquim, contar que estava grávida, mas teve um tiroteio e acabei sendo atingida na barriga, meu plano foi por água abaixo.

Acordei e estava na minha cama, olhe para a porta e Joaquim estava lá, ele olhava todos os meus movimentos.

- Que bom que acordou meu amor, a sua direita tem o remédio para não pegar bactéria e a água. - Ele fala e suspira.

Eu acinto e tomo o remédio, passo a mão na barriga, lembrando que meu bebê não estava mais lá, decidi não contar pro Joaquim.

●Flash Black OFF●

Sim, eu fiquei grávida aos 13 anos de idade, não me julguem por favor.

- Por que me escondeu um filho? - Ele fala me assustando.

- Como assim Joaquim? Do que está falando? - Pergunto incrédula.

- Não se faça de desentendida Talita, eu sei que você subiu o morro naquele dia para me dizer que estava grávida, mas naquele dia eu não estava no morro e teve um tiroteio você levou dois tiros e... - Ele para, abaixa a cabeça, coloca uma mão do rosto, depois de uns 25 minutos, levantou a cabeça, com os olhos vermelhos e marejados continuou. - Perdeu nosso filho, por que guardou isso para você? Por que? Você tinha que ter me contado. - Ele termina e meu coração se partiu todo ao ver as lágrimas saindo dos olhos do meu amor.

- Desculpe Joaquim, eu...eu não queria te ver sofrer. - Falo.

- E por isso se achou no direito de sofrer sozinha? - Ele fala.

- Não é assim...

- Joaquim! Vamooos! - Raquel fala entrando no quarto. - Bom dia Lia. - Ela fala sorridente.

- Bom dia meu amor. - Falo sorrindo e ela pula na cama e fica ao meu lado.

- Vamos conosco para o morro ver o tio MD? - Raquel chama.

- Se tiver espaço para mim, eu vou princesa. - Falo sorrindo e olhamos para o Joaquim.

- Claro que tem espaço pra você Lia. - Ele fala e meu coração acelera, com a voz grossa, rouca, sexy e chorosa dele.

Eu sei que tudo está errado, eu tinha 13 anos, Joaquim é meu tio, tá tudo errado.

●●●

Joaquim Narrando:

Estava no carro esperando a Lia e a Raquel, estava impaciente com a demora das duas mas quando olhei pro lado e vi as duas vindo até mim, não contive o sorriso.

Sub: Elas estão lindas!

Eu sei sub, eu sei!

Desci do carro, abri a porta de trás, coloquei Raquel na cadeirinha, passe pro lado do passageiro e abri a porta pra Lia.

- Obrigada! - Ela falou, sorriu e entrou.

Eu voltei para o lado do motorista entrei e acelerei na direção do morro.

- Achei que não viria. - MD fala e nos abraçamos.

- Eu disse que viria. - Falei.

- Bom, essa aqui é Monike minha fiel e esse é o Theo meu filho. - MD fala e eu sorrio.

- É um prazer, finalmente alguém conseguiu segurar esse cara. - Falo e a Monike rir.

- E esse é o Ian, meu filho. - Kary fala e eu me assusto um pouco.

- Uau! Você... - Falo meio sem palavras.

- Sim, só que ele morreu em um ataque ao morro, ele era o braço direito do MD. - Kary fala e eu lhe transmito um olhar de meus pêsames. - Mas está tudo bem. - Ela conclui tentando mudar de assunto.

- Eles tem quantos anos? - Lia pergunta.

- 11 anos. - Monike responde.

- Ficamos grávidas ao mesmo tempo. - Kary conclui.

- Bom, está é minha irmã Raquel. - Falo e a minha pequena sorrir.

- Olá! - Ela fala simpática.

- Iae florzinha. - MD fala e eu acabo rindo.

- Vamos da uma volta, enquanto as duas comadres coloca o papo em dia. - Kary fala.

- Pode ficar tranquilo que eu tomo conta de Raquel. - Lia fala e me olha nos olhos pela segunda vez.

- Claro! - Murmuro.

- Uai, que clima. - MD cochicha.

Estar nesse lugar só me trás lembranças de muitas coisas que vivi aqui com Talita. E o pior de tudo é que eu me sinto culpado, eu estou me sentindo a pior pessoa do mundo, ela tinha 13 anos, e eu a seduzi, essa é a verdade, e o que meu terapeuta me diz. Eu a amo, eu a desejo, a cada dia mais, mas eu sei que errado, que não posso, e eu mal posso ir embora, eu preciso ir embora, preciso ficar longe de todos, principalmente de Talita. Isso é uma loucura, e se eu encontrar perder o controle e acabar beijando dela? Ou pior!

Eu não posso, não posso, não posso. Por Deus! Eu vou acabar ficando maluco.

As meninas saíram para fazer um lanche na cozinha, e eu fui para o escritório com o MD. Era como se ele estivesse lendo meus pensamentos, ele sabia exatamente o que estava passando na minha cabeça, e eu não precisava falar nenhuma palavra para explicar o que estava sentindo.

— O que vocês vão fazer?

— Ah Marquiel. Meu amigo, eu não posso fazer nada, eu mal posso esperar a hora de ir embora, de ficar bem longe de Talita.

— Você acha que isso vai adiantar?

— Eu não sei! Acho que sim, diante por esses anos. Ficamos longe uns do outro, ficamos longe e estamos bem, ou melhor, estávamos bem, enquanto estávamos longe um do outro, precisamos continuar longe um do outro.

—  Você pensa isso, e Talita? O que ela pensa?

— Eu não sei! E na real não quero saber, se for alho diferente do que eu penso eu mão sei o que posso fazer. Se ela disser que ainda me ama e que me quer eu posso fazer uma loucura. Por Deus, Marquiel. Eu estou frito!

— Amigo, nada que eu disser vai fazer você mudar de ideia, ou o conselho que eu te der vai te ajudar a decidir o que fazer. Vocês são tio e sobrinha, é incesto, sim. Mas iae? O que fazer?

— Eu não sei, não sei. — Digo colocando as mãos na cabeça frustrada.

{...}

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